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"A Vendedora Foi Demitida Por Atender Um Velhinho Pobre" Capítulo 8 — A Mulher Que Ele Acusou de Roubo

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Marina ficou imóvel diante do monitor. Na gravação, ela atravessava o escritório de Augusto com um envelope na mão. A imagem não mostrava o momento em que o empresário lhe pedira aquele favor.

— Seu avô me mandou buscar uma proposta de manutenção — disse ela. — Estava na segunda gaveta da escrivaninha. Eu a entreguei a Paulo naquela tarde.

Rafael olhou para o vídeo outra vez.

— Por que você não me contou?

— Porque não achei que precisasse relatar cada envelope que levo de uma sala para outra. Paulo sabe o que aconteceu.

Verônica, parada junto à porta, interferiu.

— A questão não é a proposta. É o acesso ao escritório no mesmo período em que um documento desapareceu.

Marina se voltou para ela.

— Você já decidiu que sou culpada, não é?

— Estou tentando proteger a empresa.

— Então entregue o vídeo completo.

A advogada de Marina esclareceu que a saída do trabalho não apagava os direitos decorrentes do contrato nem as questões ligadas à primeira demissão. Seria preciso analisar documentos e datas antes de definir as medidas cabíveis.

Verônica apertou os lábios.

— É o arquivo que recebemos.

Rafael interrompeu a discussão. Disse que a gravação precisava ser periciada e que Marina deveria suspender temporariamente qualquer atividade relacionada aos documentos societários.

— Suspender? — repetiu Marina. — Sem nem falar com seu avô?

— Preciso evitar questionamentos sobre a investigação.

— Você está evitando questionamentos ou está evitando confiar em mim?

Rafael não respondeu imediatamente.

Marina sentiu o rosto queimar. Lembrou-se do beijo na varanda, da pergunta cuidadosa, da promessa de tratar tudo com justiça.

— Você me beijou ontem… e hoje acredita que sou uma ladra?

— Eu não disse isso.

— Não precisou.

Marina concordou em manter todas as conversas profissionais por escrito. Não queria que a dor de uma relação pessoal se misturasse à apuração de pagamentos, responsabilidades e acusações feitas dentro da empresa.

Ela retirou o crachá e o colocou sobre a mesa.

— Não vou trabalhar num lugar onde minha honestidade depende do humor de quem manda.

— Marina, espere. A suspensão é preventiva, não uma condenação.

— Para você pode ser apenas uma palavra administrativa. Para mim, é a segunda vez que sou tratada como culpada sem ninguém me ouvir.

Rafael deu um passo na direção dela.

— Quero resolver isso.

— Então comece procurando a verdade, não me pedindo que aceite outra humilhação.

Marina saiu antes que as lágrimas aparecessem. No elevador, segurou a bolsa contra o peito e respirou até recuperar o controle.

Na recepção, Joana percebeu seu rosto abatido.

— O que aconteceu?

— Preciso ir para casa. Depois te conto.

Joana não insistiu. Apenas abraçou a amiga e prometeu ligar mais tarde.

Dona Célia percebeu que a filha evitava pronunciar o nome de Rafael. Não insistiu. Preparou a lista de medicamentos para a viagem e deixou que Marina decidisse quando queria falar sobre o que havia acontecido.

正文1

Em Santa Cecília, dona Célia encontrou a filha sentada à mesa da cozinha, olhando para o crachá retirado.

— Outra vez? — perguntou baixinho.

Marina assentiu.

— Dessa vez eu fui embora por escolha própria.

A mãe colocou uma xícara de café diante dela.

— E fez isso porque estava errada ou porque não aceitaram escutar você?

— Porque eu estava cansada de provar que não sou aquilo que inventam.

Dona Célia segurou a mão da filha.

— Sua dignidade não precisa de um sobrenome importante para existir.

Marina chorou então, sem tentar esconder. Não chorava apenas pelo trabalho. Chorava porque havia permitido que Rafael se aproximasse de um lugar que mantinha protegido.

Na sede do grupo, Paulo chegou ao escritório de Rafael e examinou a gravação.

— Quem extraiu este arquivo? — perguntou.

Paulo comunicou a Rafael que o acesso ao vídeo editado também seria investigado. A origem do arquivo poderia indicar se a denúncia fora feita de boa-fé ou construída deliberadamente para prejudicar uma funcionária.

— Verônica disse que recebeu uma denúncia.

— Precisamos da mídia original, do registro de exportação e das câmeras adjacentes. Isso não é uma prova completa.

Rafael ligou para Augusto, que confirmou ter solicitado a Marina uma proposta comercial naquele dia.

— Eu mesmo disse onde estava o envelope — afirmou o avô. — Por que está me perguntando isso?

Rafael contou sobre a denúncia e a suspensão preventiva.

Houve um silêncio pesado do outro lado.

— Você perguntou a mim antes de afastá-la?

— Não.

— Então começou pela pessoa errada.

Augusto desligou depois de exigir que Rafael corrigisse o procedimento e garantisse que nenhuma acusação fosse divulgada como fato.

Paulo solicitou a gravação integral ao setor de segurança. O técnico responsável explicou que o arquivo recebido por Verônica tinha duração muito inferior à gravação preservada no sistema.

Na sequência completa, Augusto aparecia entregando a Marina uma chave e apontando para a gaveta. Minutos depois, ela retornava com o envelope e o colocava diante dele.

No escritório vazio, Rafael releu o histórico das primeiras reuniões. Encontrou mensagens nas quais Marina pedira autorização para cada documento consultado. A cautela dela estava registrada desde o início, diante de seus próprios olhos.

— Foi cortado exatamente o trecho que esclarecia a situação — observou Paulo.

Rafael sentiu o estômago afundar.

— Descubra quem fez a edição.

— Já solicitei os registros. E não permita que ninguém altere as cópias.

Rafael pegou o telefone para ligar a Marina, mas a chamada não foi atendida. Enviou uma mensagem curta pedindo desculpas e solicitando uma conversa quando ela estivesse pronta.

Ela leu a mensagem na cozinha e não respondeu.

No dia seguinte, Marina procurou uma advogada trabalhista. Levou o contrato, o histórico de mensagens, os registros da primeira demissão e a notificação sobre o afastamento.

— Não quero vingança — explicou. — Quero meus direitos e uma correção formal do que disseram sobre mim.

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A advogada pediu que preservasse tudo e evitasse assinar qualquer documento sem leitura prévia. Marina saiu com a sensação de finalmente estar conduzindo a própria defesa.

Enquanto isso, Verônica recebeu uma ligação de Henrique.

— A gravação original foi recuperada — informou ele.

— Impossível. Disseram que só existia o trecho exportado.

— Você acreditou na pessoa errada.

A lembrança da varanda o atingiu com força. Ele pedira permissão antes de beijá-la, mas não lhe dera a mesma consideração quando sua reputação ficou em jogo. A contradição o envergonhou.

Verônica caminhou até a janela.

— Ainda temos a reunião dos investidores.

— Não se Rafael conseguir relacionar o vídeo aos nossos acessos.

Ela encerrou a ligação e tentou falar com Ricardo. Ele não atendeu. Pela primeira vez, Verônica percebeu que os aliados também podiam abandoná-la.

Naquela tarde, Joana visitou Marina levando pão de queijo e os comprovantes de comissões que havia guardado.

— Não quero que você ache que tudo terminou — disse.

— Para mim, terminou trabalhar sob as ordens de quem não confia em mim.

— Mas a investigação continua. E eu vou contar o que sei.

Marina abraçou a amiga.

— Faça isso por você também.

Depois que Joana saiu, dona Célia comentou que gostaria de passar alguns dias na casa de uma irmã, no interior, para descansar das consultas e da tensão recente.

Marina decidiu acompanhá-la. Separou roupas, medicamentos, exames e documentos numa pequena mala azul.

Não estava fugindo. Precisava de distância para pensar sem o telefone tocar a cada hora.

Marina decidiu não cancelar a viagem por causa da visita de Rafael. A decisão de acompanhar a mãe já estava tomada, e ela precisava demonstrar a si mesma que ainda podia organizar a vida sem esperar a aprovação dele.

Rafael chegou ao prédio no início da noite. Trazia uma cópia da gravação completa e a confirmação de que Marina havia seguido uma orientação de Augusto.

Subiu apenas depois que ela autorizou a entrada pelo interfone.

Quando Marina abriu a porta, ele viu a mala perto do sofá.

— Você vai embora? — perguntou.

— Vou acompanhar minha mãe por alguns dias.

— Preciso te pedir desculpas. O vídeo foi editado. Meu avô confirmou tudo.

Marina ficou em silêncio.

— Eu deveria ter ouvido você antes de tomar qualquer decisão — continuou Rafael. — Não existe justificativa para o que fiz.

— Eu te contei a verdade na sua sala.

— Eu sei.

— Você só acreditou depois que outra pessoa confirmou.

Rafael não tentou contestar.

Quando Rafael desceu as escadas do prédio, compreendeu que um pedido de desculpas não obrigava ninguém a perdoar. Se desejava reparar o dano, teria de agir corretamente mesmo sem a promessa de uma segunda chance.

— Quero corrigir o registro, reparar os prejuízos e te oferecer a possibilidade de voltar, se um dia desejar.

— Minha advogada vai conversar com Paulo sobre meus direitos. Quanto ao resto, não sei.

Ele olhou para a mala, depois para ela.

— Eu não quero perder você.

Marina sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Ainda gostava dele. Talvez fosse justamente por isso que a decepção doía tanto.

— Gostar de alguém não significa aceitar qualquer coisa, Rafael.

— Eu entendo.

— Não. Você está começando a entender.

Do quarto, dona Célia chamou a filha para perguntar onde estavam os exames. Marina respondeu que já iria.

Rafael permaneceu na porta, sem pedir que ela desistisse da viagem.

— Vou continuar investigando — disse ele. — Mesmo que você não volte.

Marina assentiu, mas não o convidou a entrar.

— Você chegou tarde demais, Rafael.

Ela fechou a porta devagar. Do outro lado, ele permaneceu imóvel, sabendo que recuperar a verdade seria mais fácil do que recuperar a confiança que havia quebrado.

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