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"Nunca Use um Vestido Vermelho no Palácio Montenegro" Capítulo 7 — A Escolha de Dante

正文开头

Cecília não negou a gravação.

Sentada diante de Dante, Luana, Helena e Dalva, parecia mais cansada do que culpada.

"Eu disse aquilo porque Augusto já desconfiava de Luana. Se recusasse o plano, ele mandaria matá-la fora do palácio."

"Então a colocou no centro de um salão cheio de câmeras", disse Luana.

"Sim. Onde Dante seria obrigado a protegê-la diante de todos."

Dante bateu o cartão de memória sobre a mesa.

"Você apostou a vida dela numa reação minha."

"Apostei no seu orgulho. Você nunca permitiria um assassinato dentro da sua casa."

"Isso não a torna inocente."

"Nunca disse que era."

Helena pediu que Cecília explicasse o vestido. Ela admitiu ter encontrado a peça no acervo e descoberto o papel costurado no forro.

Em vez de destruí-lo, deixou parte para Luana encontrar.

"Eu precisava que ela fizesse perguntas", disse Cecília.

"Também retirou a chave", acusou Luana.

"Não. Quando abri a costura, o compartimento já estava vazio."

Alguém chegara ao vestido antes dela.

Dalva revelou que escondera duas chaves. A do pingente abria o cofre bancário. A segunda, costurada no vestido, abria um compartimento sob a mesa do conselho.

"Ali estavam os livros originais da companhia", disse Helena. "Sem eles, as ações de Luana podem ser contestadas."

O conselho se reuniria em duas horas para destituir Dante.

Augusto já controlava seis votos. Dante tinha cinco. O voto correspondente às ações Azevedo permanecia bloqueado até a confirmação judicial da identidade de Luana.

"Ele não precisa vencer no tribunal", explicou a advogada. "Precisa controlar o grupo tempo suficiente para destruir os registros."

Dante ordenou que Helena e Dalva fossem levadas a um local seguro. Luana recusou-se a sair.

"A empresa foi construída com o patrimônio da minha mãe. Vou à reunião."

"Augusto tentou matá-la três vezes."

"E continuará tentando, esteja eu aqui ou escondida."

"Não discutirei sua segurança."

Luana se aproximou.

"É exatamente por isso que homens da sua família chamam prisão de proteção."

A frase o atingiu.

Dante dispensou todos da biblioteca. Quando ficaram sozinhos, apoiou as mãos na mesa.

"Passei a vida acreditando que controle evitava perdas."

"E evitou?"

"Não."

"Então faça diferente."

Ele ergueu os olhos.

"Se for à reunião, fica ao meu lado."

"Não atrás de você."

"Ao lado."

Luana assentiu.

Antes de saírem, Dante segurou seu rosto com a mão ainda enfaixada. O gesto começou como uma verificação silenciosa e terminou próximo demais para ser confundido com proteção.

"Quando isso acabar", disse ele, "quero descobrir quem você é sem uma ameaça entre nós."

"Talvez eu não goste de quem você é sem poder."

"Talvez eu finalmente descubra também."

Luana o beijou antes que o medo pudesse decidir por ela.

Foi breve, intenso e interrompido pelo som dos passos de Rafael no corredor.

Nenhum dos dois pediu desculpas.

Rafael entregou a Dante um colete de proteção e ofereceu outro a Luana.

"Não combina com o vestido", ela comentou.

"Hoje você não vai de uniforme nem de vestido", respondeu Dante. "Vai como acionista."

正文1

Luana escolheu um conjunto vermelho escuro encontrado entre as roupas de Helena. Não era fantasia nem provocação. Era uma forma de entrar na sede sem negar a história que tentaram apagar.

Antes de sair, Dalva prendeu o pingente em seu pescoço.

"Passei a vida dizendo para não usar vermelho naquele palácio."

"E agora?"

"Agora eles já reconheceram você. Esconder-se não protege mais ninguém."

Helena abraçou a filha e entregou-lhe uma caneta de Tomás Brandão.

"Seu pai usava isto quando acreditava que documentos podiam vencer homens poderosos."

"Ele estava errado?"

"Documentos precisam de alguém disposto a mostrá-los."

Luana colocou a caneta no bolso. Entraria no conselho levando os três símbolos de sua história: a cor proibida, a joia escondida e a voz de um pai que nunca conheceu.

A reunião ocorreu na sede da Montenegro Participações, na Avenida Faria Lima. Augusto presidia a mesa quando Dante entrou com Luana.

"Funcionários domésticos não participam do conselho", declarou ele.

Luana ocupou a cadeira vazia das ações Azevedo.

"Então é bom que eu tenha sido demitida."

Augusto apresentou denúncias criminais, perdas provocadas pelo baile e imagens de Dante invadindo a delegacia. Alegou que o sobrinho colocara o grupo em risco por obsessão por uma desconhecida.

"Não é obsessão", respondeu Dante. "É reparação."

Augusto riu.

"Vai sacrificar um império por uma empregada?"

Dante retirou o anel Montenegro e o colocou sobre a mesa.

"Se o império depende de enterrá-la, ele já deveria ter acabado."

Dois conselheiros mudaram de expressão. Luana percebeu que Augusto contava com o silêncio de Dante, não com uma renúncia pública ao legado.

A advogada apresentou a certidão, as fotografias e a gravação de Helena. Augusto contestou tudo.

"Sem os livros originais, isso não prova propriedade."

Luana examinou a mesa antiga. Sob a extremidade direita havia uma fechadura minúscula, escondida atrás de uma placa.

A segunda chave não estava com eles.

Então Célia entrou na sala.

A velha governanta trazia o mesmo sapato preto usado no baile. Retirou o salto e mostrou uma pequena chave embrulhada em tecido vermelho.

"Dalva me mandou guardar", explicou. "Passei vinte e oito anos esperando alguém ter coragem de perguntar."

Célia colocou sobre a mesa também os comprovantes dos pagamentos recebidos após o desaparecimento de Helena.

"Augusto chamava isso de pensão", disse. "Para nós, eram recibos da ameaça."

Norma e Irene entraram acompanhadas por uma tabeliã. Cada uma trouxera contratos, cartas e anotações guardadas ao longo dos anos.

Um conselheiro tentou ridicularizá-las.

"Estamos transformando reunião empresarial em depoimento de empregados?"

Luana se voltou para ele.

"Foram as empregadas que viram o que os diretores escolheram não ver."

O homem fechou a boca.

A tabeliã confirmou que as assinaturas de Augusto apareciam em renovações de sigilo, enquanto empresas sob controle dele faziam depósitos mensais.

Outro conselheiro, senhor Meireles, retirou os óculos e confessou ter aprovado balanços que ocultavam os pagamentos.

"Eu acreditava que eram despesas de segurança."

"O senhor não acreditava", disse Dante. "Preferiu não perguntar."

Meireles baixou os olhos e anunciou que não apoiaria mais Augusto.

Luana abriu o compartimento.

Dentro estavam os livros societários e uma fita cassete.

Augusto levantou-se.

"Essa reunião acabou."

Rafael bloqueou a porta.

Dante inseriu a fita em um aparelho trazido por Célia.

A voz de Álvaro Montenegro preencheu a sala.

"Augusto falsificou a transferência das ações e mandou atacar Tomás Brandão. Se algo acontecer comigo, entreguem esta gravação ao meu filho Dante."

Todos olharam para Augusto.

Ele não pareceu derrotado.

Retirou o celular do bolso e mostrou uma transmissão ao vivo.

Helena estava dentro de uma ambulância em movimento. Um homem mascarado mantinha uma arma contra ela.

"Anulem a votação", ordenou Augusto, "ou a mãe da herdeira não chega viva ao hospital."

No corredor externo, jornalistas acompanhavam a crise por meio de informações vazadas por aliados de Augusto. Cecília decidiu abrir a transmissão oficial da empresa.

"Se ele matar Helena no escuro, inventará outra versão", explicou. "Se o Brasil inteiro souber que ela está viva, mantê-la viva se torna a única defesa dele."

Dante autorizou.

Pela primeira vez, o rosto de Helena Azevedo apareceu nos canais de notícia junto à declaração de que fora mantida ilegalmente numa clínica por vinte e oito anos.

Augusto percebeu que perdera a possibilidade de apagar a vítima sem confirmar as acusações.

"Desligue isso", ordenou.

Luana encarou a câmera.

"Meu nome é Luana Azevedo Ribeiro. Minha mãe está viva, e qualquer coisa que acontecer com ela terá um responsável conhecido."

A transmissão atingiu milhares de espectadores em minutos.

Dante não falou por ela. Apenas permaneceu ao seu lado, exatamente como prometera.

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