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"Nunca Use um Vestido Vermelho no Palácio Montenegro" Capítulo 4 — A Mulher da Fotografia

正文开头

A fumaça cobriu o teto do porão em segundos.

Dante tirou o paletó, molhou o tecido em uma tubulação rompida e o entregou a Luana.

"Cubra o rosto."

"Minha avó está viva."

"E continuará viva se sairmos daqui."

Rafael encontrou um duto de manutenção atrás do quadro elétrico. Era estreito, mas levava à antiga cozinha do palácio.

Dante mandou Luana entrar primeiro.

"Não vou deixar vocês."

"Não está deixando. Está abrindo caminho."

Ela rastejou pelo metal quente, apertando o pingente por baixo da camisa. Atrás, ouviu Dante tossir e Rafael tentar conter o fogo com um extintor.

Luana empurrou a grade final e caiu sobre o piso da cozinha.

Dois funcionários correram para ajudá-la. Ela se levantou e exigiu que trouxessem ferramentas.

Dante saiu logo depois, carregando um segurança desacordado nos ombros. Rafael veio por último.

As equipes controlaram o incêndio antes que alcançasse o salão principal. A perícia encontrou acelerante na escada e o sistema de ventilação havia sido acionado manualmente.

Não fora tentativa de destruir apenas documentos.

Alguém quisera enterrá-los vivos.

Dante recebeu atendimento médico no jardim. Uma queimadura avermelhava sua mão esquerda.

Luana se aproximou com uma bolsa de gelo.

"Você voltou pelo segurança."

"Ele estava inconsciente."

"Homens como você costumam dizer que ninguém é indispensável."

"Homens como eu dizem muitas coisas quando querem ser temidos."

Luana colocou o gelo sobre a mão dele. Dante não desviou os olhos de seu rosto.

"Obrigada", disse ela.

"Ainda não encontrei Dalva."

"Mesmo assim."

O momento terminou quando Rafael informou que rastreara parte do sinal da chamada. O carro passara pela Marginal Pinheiros e seguira para o sul.

Luana mostrou o pingente.

"Eles querem isto. Podemos trocar."

"Não entregaremos o original."

"É a vida da minha avó."

"E a pedra provavelmente guarda algo que explica por que tentaram matar você antes de completar vinte e nove anos."

Dante levou o pingente a um antiquário de confiança que atendia famílias tradicionais de São Paulo. O homem examinou a peça sob uma lente.

O antiquário, senhor Ernesto, reconheceu a moldura antes mesmo de tocar nela. Contou que Tomás Brandão encomendara duas joias idênticas: uma para Helena e outra para a filha que ainda nasceria.

"A segunda nunca foi retirada", afirmou. "Dias depois, meu ateliê foi invadido e o livro de encomendas desapareceu."

Ernesto guardara uma cópia porque desconfiara do pedido para destruir os registros. No documento, Tomás solicitava que a pedra escondesse uma chave e que somente Helena soubesse abrir o mecanismo.

"Quem pediu que queimasse o livro?", Dante perguntou.

O homem hesitou.

"Augusto Montenegro."

Luana percebeu que cada caminho voltava ao mesmo nome. Ainda assim, Augusto não poderia ter executado sozinho um plano que atravessara décadas, bancos, hospitais e a própria segurança do palácio.

"O rubi é verdadeiro, mas o encaixe é mais recente que a moldura."

Ele pressionou duas pequenas travas. A pedra se abriu como uma tampa.

Dentro havia uma chave minúscula e um número gravado: 314.

正文1

"Cofre bancário", disse o antiquário. "Modelo usado nos anos noventa."

Dante reconheceu a numeração de uma antiga agência privada onde a família mantinha documentos.

O banco abriria em poucas horas. Até lá, Luana foi levada para uma suíte protegida do palácio.

Ela se recusou a dormir.

No armário encontrou roupas novas em seu tamanho. A atenção a deixou mais desconfortável que a falta delas.

Dante apareceu à porta com café.

"Não sabia que chefes da máfia serviam bebidas."

"Não sabia que empregadas invadiam porões em chamas."

"Eu trabalhava aqui. Invadir é uma palavra exagerada."

Ele colocou a xícara na mesa.

"Você não trabalha mais."

Luana se levantou.

"Está me demitindo?"

"Estou impedindo que alguém use sua posição para silenciá-la. A partir de agora, você está sob minha proteção e será tratada como parte interessada no patrimônio Azevedo."

"Não quero seu patrimônio."

"Talvez Helena quisesse que você tivesse escolha."

Luana estudou o rosto dele. Dante parecera invencível durante o baile. Agora havia fuligem no cabelo e uma faixa na mão.

"Por que está fazendo isso?"

"Porque meu pai construiu um império sobre documentos que talvez tenham sido roubados de sua mãe."

"Culpa?"

"Responsabilidade."

"Não são a mesma coisa."

"Estou aprendendo."

Às oito, chegaram ao banco. O gerente tentou impedir o acesso, alegando que o cofre pertencia a Helena Azevedo, oficialmente desaparecida.

Luana colocou a chave sobre a mesa.

"Sou filha dela."

O homem empalideceu ao ouvir o nome. Dante percebeu.

"Quem ligou avisando que viríamos?"

"Ninguém."

Dante se inclinou sobre a mesa.

"Resposta errada."

Rafael verificou o telefone do gerente e encontrou uma ligação de Augusto Montenegro feita vinte minutos antes.

Com a presença de um advogado e da polícia, o banco foi obrigado a abrir a sala de cofres.

O compartimento 314 continha uma pasta de ações, uma certidão de nascimento e um rolo de filme fotográfico.

Na certidão, Luana aparecia como filha de Helena Azevedo e Tomás Brandão.

Não havia sangue Montenegro.

Luana fechou os olhos, aliviada sem entender inteiramente por quê.

O advogado examinou os selos e confirmou que a certidão fora registrada legalmente antes do desaparecimento de Helena. Uma anotação posterior, no entanto, declarava a criança morta três dias depois.

"Eu fui oficialmente enterrada", murmurou Luana.

Dante encontrou o número do registro de óbito. A assinatura médica pertencia a um profissional que trabalhara na clínica particular dos Montenegro.

"Se provarmos que o atestado foi falsificado, sua identidade civil precisará ser corrigida", explicou o advogado. "E todos os negócios realizados com as ações de Helena poderão ser contestados."

Luana olhou para as páginas. Não enxergava dinheiro. Via Dalva mudando de endereço, evitando fotografias e tremendo diante de qualquer tecido vermelho.

"Minha avó passou a vida inteira escondendo uma criança que o Estado dizia estar morta."

"E conseguiu mantê-la viva", respondeu Dante.

Era a primeira vez que alguém transformava o medo de Dalva em coragem, não em superstição.

Dante leu o documento em silêncio.

"Seu pai era o advogado desaparecido."

Também havia uma carta de Álvaro Montenegro declarando que Helena detinha quarenta e nove por cento da antiga companhia. Caso ela morresse, as ações passariam para a filha.

O controle do atual grupo dependia daqueles papéis.

"Então é dinheiro", disse Luana. "Tentaram matar minha mãe por dinheiro."

"E ainda tentam silenciar você pelo mesmo motivo."

Rafael levou o filme a um laboratório seguro. As imagens foram reveladas naquela tarde.

A primeira mostrava Helena no baile, vestida de vermelho. A segunda registrava uma discussão na ala leste.

Na terceira, Augusto segurava Helena pelo braço enquanto Cecília, ainda criança, observava escondida atrás de uma porta.

"Ela tinha oito anos", disse Dante. "Viu tudo."

Na última fotografia, Helena entrava em um carro.

Não estava morta nem desacordada.

Sentava-se no banco traseiro ao lado de uma mulher que Luana reconheceu imediatamente.

Dalva.

Ao volante estava Álvaro Montenegro, pai de Dante.

No verso, havia uma data registrada dois dias depois do suposto desaparecimento.

Luana olhou para Dante.

"Seu pai ajudou minha mãe a fugir."

"Parece que sim."

O celular de Rafael tocou.

Ele ouviu por alguns segundos e colocou a chamada no viva-voz.

Uma enfermeira de uma clínica particular no interior afirmava ter uma paciente sem documentos chamada Lena.

A mulher vivera ali por vinte e oito anos.

Naquela manhã, ao ver o baile na televisão, repetira um nome pela primeira vez em décadas.

"Luana."

Dante pegou as chaves do carro.

"Onde fica a clínica?"

Antes que Rafael respondesse, as portas do banco se abriram.

Augusto Montenegro entrou acompanhado de policiais e apresentou uma ordem judicial.

"Luana Ribeiro está presa por fraude, falsificação e tentativa de tomar o controle do Grupo Montenegro."

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