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"Nunca Use um Vestido Vermelho no Palácio Montenegro" Capítulo 3 — A Ala Leste

正文开头

Luana ouviu a gravação quatro vezes.

Em todas, Dalva dizia o nome de Dante antes de o áudio terminar.

"Ela estava pedindo sua ajuda ou acusando você?", perguntou Luana.

Dante permaneceu de pé no centro da sala revirada.

"Ainda não sei."

"Essa resposta é confortável."

"É a única honesta."

Rafael levou o celular para análise e chamou a polícia. Luana entregou as informações com impaciência, sentindo cada pergunta consumir minutos que Dalva talvez não tivesse.

Um vizinho vira uma van branca deixar a rua. A placa estava coberta.

Dante ativou equipes particulares em pedágios, hospitais e câmeras viárias. Em menos de quinze minutos, homens que pareciam invisíveis começaram a procurar Dalva por toda a cidade.

"Não confio em seus homens", disse Luana.

"Confie no medo que eles têm de falhar comigo."

"É assim que resolve tudo?"

"Quase tudo."

"E o que não resolve?"

O olhar dele parou nela.

"Permanece comigo."

Luana desviou o rosto. Não queria descobrir humanidade em Dante justamente quando precisava suspeitar dele.

Rafael voltou com uma informação. O áudio havia captado um segundo som: sinos mecânicos, em intervalos exatos de quinze segundos.

"Pode ser um relógio antigo", disse ele.

Luana lembrou imediatamente.

"Há um relógio assim no palácio."

Dante franziu a testa.

"Onde?"

"No corredor de serviço. Ouvi quando trabalhava perto da ala fechada."

A velha ala leste permanecia interditada havia décadas, supostamente por problemas estruturais. Nenhum empregado tinha permissão para entrar.

Dante voltou ao palácio com Luana. A polícia protestou, mas ele autorizou uma equipe a acompanhá-los até os limites da propriedade.

No carro, Luana trocou o vestido vermelho por calça e camisa emprestadas. Guardou o pingente sob o tecido.

"O vestido ficará trancado", disse Dante.

"É uma prova. Não uma lembrança sua."

"Tudo naquele palácio acaba tratado como propriedade da família. É uma das coisas que pretendo mudar."

Ela o observou.

"Desde quando?"

"Desde que vi três mulheres idosas aterrorizadas por um segredo de vinte e oito anos."

A ala leste ficava atrás de duas portas cobertas por painéis de madeira. Dante nunca recebera as chaves.

Rafael mandou quebrar a fechadura.

Um cheiro de poeira e tecido antigo escapou quando a porta cedeu. O corredor estava intacto demais para um lugar abandonado.

No fundo, um relógio de parede marcou meia-noite e quinze.

O mesmo som da gravação.

"Dalva esteve aqui hoje", disse Luana.

No chão, perto de uma escada estreita, havia um comprimido para o coração. Ela reconheceu a marca.

Dante ordenou que todos verificassem os quartos.

O primeiro estava vazio. O segundo guardava móveis cobertos. No terceiro, encontraram cordas cortadas e uma cadeira tombada.

Dalva não estava mais ali.

Sobre uma escrivaninha havia uma fotografia recente de Luana saindo do hospital. Alguém a vigiava havia semanas.

Atrás da fotografia, uma frase fora escrita à mão:

A herdeira não deve chegar ao aniversário de vinte e nove anos.

Luana faria vinte e nove em doze dias.

正文1

Dante pegou o papel.

"Agora você não sai da propriedade."

"Não vai me trancar aqui."

"Alguém sequestrou sua avó e marcou uma data para sua morte."

"E tudo começou dentro da sua casa."

"Por isso quero você onde posso vê-la."

"Não sou mais uma coisa que você pode guardar."

O confronto terminou quando Rafael chamou Dante do fim do corredor.

Encontrara uma parede falsa atrás de um armário. Dentro havia um pequeno elevador de serviço ainda funcionando.

Eles desceram até um porão que não aparecia nas plantas do palácio.

O espaço continha arquivos, caixas e um quadro elétrico moderno. Aquilo não fora abandonado. Alguém o utilizava regularmente.

Havia também uma mesa com quatro copos descartáveis, um mapa de São Paulo e fotografias presas por alfinetes. Linhas vermelhas ligavam a casa de Dalva ao hospital, ao banco onde Luana recebia o salário e à entrada de funcionários do palácio.

Em um quadro, datas marcavam todos os turnos de Luana desde sua contratação.

"Minha entrada aqui não foi acaso", ela concluiu.

Dante verificou a ficha de admissão encontrada entre os papéis. A assinatura do responsável por sua contratação pertencia a um funcionário afastado havia seis meses.

"Alguém colocou você dentro do palácio", disse ele. "Talvez para encontrar o pingente."

Luana recordou a agência de empregos que ligara oferecendo salário maior, transporte e assistência médica para Dalva. Na ocasião, parecera sorte.

Agora, parecia uma armadilha cuidadosamente construída.

Uma segunda parede exibia cópias de reportagens sobre heranças contestadas. Em todas, alguém circulava a idade em que o herdeiro adquiria direitos plenos.

Vinte e nove anos.

Luana abriu a caixa mais próxima.

Dentro havia cópias de seus documentos escolares, extratos bancários e prontuários médicos de Dalva.

"Sabiam tudo sobre nós."

Dante encontrou uma pasta com o nome Helena Azevedo. Estava vazia, exceto por uma fotografia rasgada.

Metade mostrava Helena usando o vestido vermelho e segurando um bebê. A mulher tinha os mesmos olhos de Luana.

Na borda da imagem aparecia apenas a mão de um homem usando um anel Montenegro.

"Meu pai usava esse anel", disse Dante.

Luana recuou.

"Está dizendo que sou filha de Álvaro Montenegro?"

"Não. Meu pai perdeu essa peça anos antes de eu nascer. Outros homens da família também tinham réplicas."

"Conveniente."

Dante suportou a acusação sem responder.

Rafael ligou um computador antigo. O sistema pediu uma senha. Luana se aproximou e observou as teclas gastas.

As letras H, D e A apresentavam marcas mais profundas.

Ela digitou DALVAHELENA.

O computador abriu.

Havia uma única pasta de vídeo. O arquivo tinha data de vinte e oito anos antes.

Na gravação, Helena estava no mesmo porão, usando o vestido vermelho. Dalva aparecia ao lado dela com um bebê nos braços.

"Se alguém encontrar isso", dizia Helena, "as ações Azevedo pertencem à minha filha. Não entreguem Luana a Augusto Montenegro."

Luana levou a mão à boca ao ouvir o próprio nome.

A imagem tremeu. Uma porta bateu fora do enquadramento.

Antes de Dalva sair, Helena ergueu o pingente de rubi diante da câmera.

"A chave ficará com Luana. O cofre contém a certidão, as ações e a prova de que Tomás é o pai. Ela não tem sangue Montenegro. Ninguém poderá transformar minha filha em parte desta família para depois anulá-la."

Luana sentiu as pernas enfraquecerem. A frase eliminava uma suspeita que ela ainda não ousara formular ao ver o anel na fotografia.

Dante desviou os olhos da tela e respirou fundo, como se também tivesse compreendido o peso daquela confirmação.

"Sua mãe fez questão de proteger sua identidade", disse ele.

"E alguém passou vinte e oito anos tentando apagá-la."

Helena olhou para Dalva.

"Leve minha filha pela passagem. Agora."

Dalva tentou protestar.

"Vá! Dante será a única pessoa capaz de corrigir isso quando crescer. Álvaro deixou tudo preparado no nome dele."

O vídeo terminou.

Luana encarou Dante.

Dalva não o acusara na gravação do sequestro.

Chamava por ele porque Helena havia depositado nele uma esperança antes que fosse adulto.

Um som metálico veio do teto.

Rafael ergueu a arma.

As luzes se apagaram.

Uma fumaça espessa começou a entrar pelas saídas de ventilação.

"Incêndio", gritou um segurança.

Dante segurou a mão de Luana e correu para o elevador. O painel não respondeu.

A escada secreta estava sendo consumida pelo fogo.

Então o telefone de Luana tocou.

Era uma chamada de vídeo de Dalva.

Quando atendeu, viu a avó amarrada dentro de um carro.

Uma voz masculina falou fora da imagem:

"Entregue o pingente antes da meia-noite ou ela morre."

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