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"A Filha da Empregada Fez o Filho do Chefe da Máfia “Falar” Com as Mãos" Capítulo 7 — Dante Escolheu Acreditar Nelas

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A frase de Bento silenciou até os policiais.

Vitória perdeu o sorriso. Seu advogado tentou impedir novas perguntas, alegando que o menino estava sedado e emocionalmente instável.

Dante manteve o filho nos braços.

— Ninguém vai interrogá-lo aqui.

Vitória foi levada para a delegacia junto com Cíntia. A seringa continha o mesmo sedativo encontrado no carrossel.

Bento precisou voltar ao hospital. Desta vez, pediu que Dante permanecesse no quarto durante os exames.

Nina sentou-se do outro lado da cama e ensinou ao pai alguns sinais básicos: água, medo, dor e abraço.

Dante repetiu cada movimento com concentração.

— Seu dedo está errado — corrigiu Nina.

— Estou tentando.

— Bento tentou falar durante nove meses. Você pode tentar por nove minutos.

Helena escondeu um sorriso. Dante refez o sinal.

Dra. Beatriz explicou que o grito não significava recuperação imediata. Bento poderia voltar ao silêncio quando sentisse medo.

— A voz dele não pode se transformar em prova obrigatória — advertiu. — Ele fala quando se sente seguro.

Dante concordou.

Na manhã seguinte, membros da família Montenegro chegaram ao hospital. Augusto, tio de Dante, exigiu uma reunião particular.

— Você está destruindo uma aliança importante por causa de uma empregada — disse ele.

— Estou investigando o assassinato de Lívia.

— Com base nas histórias de duas crianças.

— Com base em sedativos, falsificação, gravações e uma tentativa de sequestro.

Augusto olhou para Helena no corredor.

— Essa mulher quer entrar na família usando a filha.

Helena ouviu e se aproximou.

— Eu quero sair viva com minha filha. Não quero seu sobrenome.

Augusto riu.

— Todas dizem isso antes de ver o dinheiro.

Dante se colocou entre os dois.

— Peça desculpas.

— A uma empregada?

— À mulher que protegeu meu filho enquanto nossa família preferia proteger aparências.

Augusto recusou. Dante mandou Rafael retirar seu acesso à mansão e às empresas até o fim da investigação.

A decisão espalhou-se entre os Montenegro. Alguns parentes acusaram Helena de manipular Dante. Outros exigiram que Bento fosse afastado de Nina.

Vitória aproveitou a divisão. Seus advogados convocaram uma coletiva e afirmaram que ela sofria perseguição de um homem violento influenciado por funcionários.

Na televisão, um especialista declarou que memórias infantis podiam ser induzidas por perguntas repetidas.

Helena desligou o aparelho.

— Vão transformar Nina em mentirosa.

— Não permitirei — disse Dante.

— O senhor não controla a opinião de milhões de pessoas.

— Então controlarei o que depende de mim. Nenhuma imagem das crianças será divulgada.

Nina apareceu com um desenho feito por Bento. Nele, Vitória estava na escada, mas uma terceira figura segurava a porta.

— Ele lembra de outra pessoa — explicou.

Dante perguntou se Bento queria falar. O menino preferiu sinalizar.

A figura era Álvaro. Ele não empurrara Lívia, mas impedira que Bento saísse do quarto para ajudá-la.

Depois, o médico aplicara uma injeção no menino.

Rafael recebeu confirmação de que Álvaro usara um documento falso para embarcar num voo particular rumo ao Paraguai.

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— O avião foi impedido de decolar — disse ele. — Mas Álvaro não estava dentro.

O piloto contou que o médico entregara uma mala e saíra poucos minutos antes da polícia chegar.

Dentro da mala havia prontuários originais de Bento e um gravador pertencente a Lívia.

O aparelho estava danificado, mas um perito conseguiu recuperar parte do áudio.

Lívia discutia com Vitória sobre doses não autorizadas. Depois dizia que entregaria tudo a Dante naquela noite.

Uma voz masculina interrompia:

— Você não vai destruir esta família.

Dante reconheceu Álvaro. Contudo, antes do fim, outra voz surgia ao fundo, distorcida demais para identificação.

— Havia três adultos — concluiu Helena.

Rafael concordou.

Vitória atacara. Álvaro escondera as provas. A terceira pessoa autorizara tudo.

Naquela tarde, Dante convocou uma reunião com a família. Augusto, primos e conselheiros se reuniram na mansão.

Helena não queria participar, mas Dante pediu que permanecesse com Nina e Bento numa sala próxima.

— Se usarem minha filha como argumento, eu entrarei — avisou.

Augusto exigiu que Dante encerrasse o escândalo e reconciliasse publicamente com Vitória.

— O conselho pode afastá-lo — ameaçou.

Dante colocou o gravador de Lívia sobre a mesa.

— Então votem.

— Vai perder o império por causa de uma criança traumatizada?

Dante abriu a porta. Bento estava ali, segurando a mão de Nina.

— Não — respondeu. — Vou perder o que for necessário para que meu filho nunca mais precise ter medo de falar.

Ele retirou a aliança de noivado que ainda guardava e a colocou ao lado do gravador.

— Eu acredito nele.

Bento sinalizou algo para Nina.

Ela traduziu:

— Ele disse que a voz escondida no áudio está nesta sala.

Os homens se entreolharam. Bento não apontou, mas seus olhos acompanharam Augusto quando ele levou a mão ao anel quadrado.

Helena percebeu e pediu que ninguém reagisse. Uma acusação precipitada poderia fazer o menino se fechar novamente.

Dante dispensou o conselho e permaneceu apenas com Rafael. Depois, foi até o jardim, onde Helena respirava longe das câmeras.

— Você acredita que seja meu tio? — perguntou.

— Acredito que Bento reconheceu alguma coisa. Não sei se foi a voz, o anel ou o medo que sente quando Augusto se aproxima.

Dante contou que Augusto administrara as empresas durante os primeiros meses após a morte de Lívia. Também escolhera Álvaro como médico da família.

— Ele me criou depois que meu pai morreu.

— Isso torna a suspeita mais dolorosa, não menos possível.

Nina apareceu carregando duas xícaras de chocolate. Entregou uma a Bento e outra a Dante.

— Ele perguntou por que adultos mentem quando já foram descobertos.

Dante pensou antes de responder.

— Porque algumas pessoas preferem perder tudo a admitir quem realmente são.

Bento sinalizou outra pergunta:

— Você também mentiu?

— Sim. Fingi que tinha tudo sob controle. Fingi que sua mãe morreu por acidente porque investigar significava admitir que falhei com ela.

O menino observou o pai por alguns segundos e estendeu a xícara. Dante bebeu um gole, aceitando o pequeno gesto de reconciliação.

Rafael interrompeu o momento com o resultado da perícia financeira. A Horizonte Patrimonial pagara as viagens de Álvaro, os honorários de Vitória e a empresa responsável por divulgar os vídeos falsos.

Augusto possuía poder de assinatura, mas havia outra autorização eletrônica vinculada a um nome apagado do contrato.

— Precisamos do documento original — disse Helena.

Ele estava guardado num cofre bancário que só poderia ser aberto com a presença de dois representantes da família.

Dante seria um. Augusto precisava ser o outro.

Ao receber a convocação, Augusto respondeu com uma ameaça:

— Se abrir esse cofre, descobrirá algo que Lívia morreu tentando esconder de você.

Dante mostrou a mensagem a Helena. Ela não interpretou a ameaça como motivo para recuar.

— Ele quer que o senhor tenha medo da própria esposa — disse. — Assim continuará duvidando dela mesmo depois da morte.

Bento aproximou-se e colocou o desenho da escada sobre a mesa. Depois cobriu a figura de Lívia com a mão e apontou para o pai.

Nina traduziu:

— A mãe dele deixou a verdade para você, não contra você.

Dante guardou o desenho junto ao gravador. Pela primeira vez desde o funeral, decidiu que lembraria de Lívia sem aceitar a culpa como resposta para tudo.

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