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"A Filha da Empregada Fez o Filho do Chefe da Máfia “Falar” Com as Mãos" Capítulo 5 — A Filha da Empregada Foi Acusada

正文开头

O alarme do hospital começou a tocar quando a porta corta-fogo se fechou.

Rafael dividiu os homens entre as escadas e o estacionamento. A falsa enfermeira, Cíntia Lopes, não poderia ter saído sem ajuda.

Dante manteve Bento contra o peito. O menino tremia, mas não tentou escapar do abraço.

Helena segurava Nina no chão, protegendo a cabeça da filha com os braços.

— As luzes voltaram — sussurrou Nina. — Já passou.

Helena não respondeu. Sabia que ainda não havia passado.

As câmeras mostraram Cíntia entrando num elevador de serviço ao lado de um homem usando jaleco. O rosto dele estava coberto, mas o crachá pertencia ao médico Álvaro Nunes.

— Ele está no hospital? — perguntou Dante.

— O sistema registra uma consulta no quinto andar — respondeu Rafael. — Mas o consultório está vazio.

Álvaro tratava a família Montenegro havia doze anos. Assinara o laudo que classificou a morte de Lívia como acidente doméstico.

Dante sentiu a culpa transformar-se em raiva.

— Encontre-o antes que ele saia de São Paulo.

Mauro foi levado a uma delegacia protegida. Em troca de segurança para a família, admitiu ter desligado câmeras e entregado medicamentos a Vitória.

— Quem mais participou? — perguntou o delegado.

Mauro manteve os olhos na mesa.

— Doutor Álvaro. E alguém da família.

— Qual pessoa?

— Não vi o rosto. Só ouvi Vitória chamá-la de “meu amor”.

A informação chegou a Dante enquanto ele acompanhava Bento numa nova avaliação. Não havia espaço para discutir suspeitas diante das crianças.

Dra. Beatriz autorizou a alta, mas recomendou ambiente calmo e monitoramento constante. O apartamento seguro foi preparado naquela mesma tarde.

Helena entrou primeiro, verificando janelas, quartos e saídas. Não havia seguranças dentro, conforme exigira. Rafael instalara dois homens no térreo e uma equipe na rua.

— Nada de câmeras nos quartos — disse Helena.

— Apenas nas entradas e na sala — respondeu Dante. — Você terá acesso às imagens.

Nina e Bento escolheram o mesmo quarto. Duas camas foram colocadas lado a lado, separadas por uma mesa com lápis e papel.

Na primeira noite, Bento acordou gritando sem som.

Nina acendeu o abajur e sinalizou:

— Você está aqui. Eu estou aqui. Sua mãe não está caindo agora.

Helena apareceu à porta, seguida por Dante. Ele parou antes de entrar.

— Posso me aproximar?

Bento confirmou.

Dante sentou-se no chão, sem tentar abraçá-lo. O menino estendeu a mão e tocou os dedos do pai.

Na manhã seguinte, Helena recebeu uma ligação da mansão. A governanta dizia que algumas roupas de Nina haviam ficado no alojamento dos funcionários.

Rafael desconfiou, mas conferiu o número. A ligação realmente partira da linha interna.

— Eu busco — ofereceu ele.

— Nina precisa do caderno da escola — disse Helena. — Não quero que a vida dela pare completamente.

Dante decidiu acompanhá-las. Bento recusou-se a ficar sem Nina e também entrou no carro.

正文1

A mansão parecia vazia. Funcionários haviam sido afastados, e a polícia terminara a busca no escritório de Lívia.

Helena recolheu roupas enquanto Nina procurava o caderno. Bento a seguiu até o pequeno quarto onde ela dormira com a mãe.

Sobre a cama havia uma mochila aberta.

— Eu deixei fechada — disse Nina.

Antes que pudesse tocá-la, Vitória apareceu no corredor, acompanhada por dois advogados.

— Finalmente — disse ela. — A polícia permitiu que eu recolhesse meus pertences.

Dante entrou atrás das crianças.

— Você não deveria estar aqui.

— Não existe ordem judicial contra mim.

Um dos advogados ergueu um documento. Dante não se moveu.

Vitória olhou para a mochila.

— Talvez devam revistá-la antes de sair.

Helena ficou rígida.

— Por quê?

Vitória abriu um sorriso delicado.

— Minha pulseira de rubis desapareceu. A mesma que vocês insistem em transformar numa prova.

Rafael entrou no quarto e fotografou a mochila antes de tocá-la. Depois esvaziou o conteúdo sobre a cama.

Livros, lápis, um casaco infantil e uma caixa de suco caíram sobre a colcha.

Por último, surgiu uma pulseira de rubis.

Nina ficou pálida.

— Não é minha.

Vitória levou a mão ao peito.

— Uma criança roubou uma joia e inventou acusações. Agora tudo faz sentido.

Helena se colocou diante da filha.

— Alguém colocou isso ali.

— Claro — ironizou um advogado. — Sempre existe alguém culpado quando o ladrão é descoberto.

Dante pegou a pulseira. Reconheceu o fecho e o pequeno risco causado quando Lívia a deixara cair numa festa.

— Nina não sabia que estávamos vindo — disse ele.

— A mãe sabia — respondeu Vitória.

Helena não implorou. Não chorou. Apenas olhou para Dante.

— Verifique todas as entradas. Depois verifique quem ligou para mim.

Vitória cruzou os braços.

— Ela está dando ordens agora?

— Está exigindo uma investigação igual à que você exigiria — respondeu Dante.

Rafael descobriu que a ligação partira do escritório da governanta, mas a mulher estava fora da mansão havia dois dias.

As câmeras do alojamento haviam sido desligadas durante sete minutos naquela manhã.

— O mesmo acesso usado na ala infantil — observou Rafael.

Vitória perdeu o sorriso.

Dante entregou a pulseira num saco de evidências.

— Verifiquem impressões digitais.

— Você pretende humilhar sua noiva por causa de uma empregada? — perguntou Vitória.

— Você deixou de ser minha noiva quando ameaçou meu filho.

Nina abriu o caderno para mostrar que o procurava. Uma fotografia caiu entre as páginas.

Mostrava Vitória entrando no quarto minutos antes da chegada deles. A imagem fora impressa por uma pequena câmera infantil que Nina deixara ligada para gravar um trabalho escolar.

No canto, via-se claramente a pulseira na mão de Vitória.

Bento encarou a médica. Depois fez o sinal que Nina já conhecia.

— Mentira — traduziu ela.

Vitória avançou, mas Rafael bloqueou seu caminho.

Dante se abaixou diante de Nina.

— Você não precisa provar sua inocência para mim.

— Todo mundo olhou como se eu fosse ladra.

— Eu vou garantir que todos vejam a verdade.

Nina apontou para Bento.

— Então comece acreditando nele quando não houver câmera.

Dante recebeu a frase sem se defender.

Na porta, um policial informou que a impressão encontrada na pulseira pertencia a Vitória.

Ela foi conduzida para prestar depoimento, ainda ameaçando processar Helena.

Quando o carro deixou a propriedade, Rafael recebeu outra ligação.

Álvaro havia comprado duas passagens para Foz do Iguaçu. Uma delas estava no nome de Bento Montenegro.

Rafael verificou a origem do pagamento. As passagens tinham sido compradas com um cartão corporativo da Horizonte Patrimonial, empresa desconhecida por Helena, mas imediatamente reconhecida por Dante.

— Administra parte da herança de Bento — explicou ele.

Vitória não pretendia apenas fugir com o menino. Queria levá-lo para fora do país usando recursos que pertenciam ao próprio herdeiro.

Nina fechou a mochila e entregou a Bento um lápis azul.

— Se alguém tentar levar você, desenhe onde está.

Bento guardou o lápis no bolso interno da camisa. Dante viu o gesto e pediu a Rafael que colocasse rastreadores nas roupas, sem contar locais ou códigos a outros funcionários.

Helena concordou, desde que Bento soubesse que estava sendo monitorado.

— Proteção escondida também pode parecer controle — disse ela.

Dante explicou tudo ao filho em Libras imperfeita. Bento aceitou e apontou para Nina, pedindo um rastreador para ela também.

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