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"A Filha da Empregada Fez o Filho do Chefe da Máfia “Falar” Com as Mãos" Capítulo 3 — O Remédio Dentro do Brinquedo

正文开头

Vitória avançou para arrancar o telefone das mãos de Nina.

Rafael segurou seu braço antes que ela alcançasse a menina.

— Solte-me! — gritou Vitória. — Essa gravação foi manipulada.

Dante pegou o aparelho e reproduziu o áudio novamente. A voz era clara. Ao fundo, Bento chorava e uma colher batia contra uma xícara.

— Quando isso foi gravado? — perguntou ele.

Bento sinalizou para Nina.

— Ontem à noite — traduziu ela. — Ele encontrou o telefone na bolsa dela e apertou o botão vermelho.

Vitória recuperou a compostura.

— Eu disse aquilo durante uma técnica terapêutica. Ele estava confundindo lembranças da mãe.

— Você ameaçou uma criança — respondeu Helena.

Vitória lançou-lhe um olhar cortante.

— Você não sabe nada sobre tratamento de trauma.

— Sei reconhecer medo.

Dante entregou o telefone a Rafael.

— Faça uma cópia. Depois entregue o original à polícia.

Vitória riu, mas o som saiu frágil.

— Você vai envolver a polícia por causa de uma frase fora de contexto?

— Não. Vou envolvê-la por causa do sedativo escondido, da assinatura falsificada e da câmera desligada.

O advogado da família foi chamado. Também chegou uma pediatra indicada pelo hospital Albert Einstein, sem qualquer vínculo com os Montenegro.

Dra. Beatriz examinou Bento na presença de Helena, Nina e Dante. Encontrou marcas recentes de injeção, desidratação leve e sinais compatíveis com uso prolongado de sedativos.

— Ele precisa ser internado para observação — concluiu.

Bento agarrou a mão de Nina e recusou-se a sair.

— Eu vou com você até a ambulância — prometeu a menina em Libras.

Helena se abaixou diante dela.

— Não podemos ir ao hospital sem autorização.

Dante respondeu antes que Nina pedisse.

— Vocês irão no meu carro. Rafael acompanha Bento na ambulância.

Vitória tentou seguir o grupo.

— Sou médica dele.

Dra. Beatriz bloqueou a passagem.

— Neste momento, a senhora é parte da investigação. Não terá contato com o paciente.

No hospital, Bento foi levado para um quarto protegido. Dante dispensou os homens armados do corredor e manteve apenas Rafael na porta.

Helena percebeu a decisão.

— Ele se assusta com muitos homens de preto.

— Eu deveria ter percebido antes.

— O senhor via o que esperava ver. Um filho difícil, uma médica competente e uma casa sob controle.

Dante encarou-a.

— Você sempre fala assim com seu patrão?

— Só quando meu patrão pergunta a verdade.

Pela primeira vez, a resposta não o irritou. Doeu porque estava correta.

Nina desenhava com Bento perto da janela. Os dois criaram uma sequência de figuras: uma mulher de vestido azul, uma escada, uma figura branca e um círculo vermelho.

Dante reconheceu a mulher azul como Lívia, sua esposa falecida.

— O que significa o círculo?

Bento escondeu o desenho contra o peito.

Nina não o pressionou.

— Ele mostra quando estiver pronto.

Dante assentiu. A facilidade com que aceitara a orientação de uma menina de sete anos teria parecido absurda dois dias antes.

正文1

O resultado completo do laboratório chegou à tarde. O sedativo podia provocar confusão, perda de memória, atraso de fala e crises de pânico.

Também havia vestígios de um segundo composto usado para induzir sono profundo.

Dra. Beatriz explicou que a retirada precisaria ser gradual.

— Não sabemos há quanto tempo ele recebe essas substâncias.

— Nove meses — sinalizou Bento.

Nina traduziu.

Dante ficou pálido. Lívia morrera nove meses antes.

— Começou depois que sua mãe caiu da escada?

Bento fez que não.

Com as mãos, explicou que começara antes. Lívia descobrira o remédio e discutira com a mulher de branco.

— Ele ouviu a discussão — disse Nina. — A mãe queria contar para você.

Dante se aproximou, mas Bento encolheu os ombros.

Ele parou imediatamente.

— Eu não vou tocar em você sem pedir — disse. — Pode continuar.

Bento olhou para Nina, depois para o pai. Fez o sinal de “promessa”.

Dante repetiu o gesto com dificuldade.

O menino relaxou.

Naquela noite, Helena insistiu em voltar para casa. Precisava buscar roupas e avisar a escola de Nina.

Dante ofereceu um motorista.

— Posso pegar ônibus.

— Vitória conhece seu endereço nos registros dos funcionários.

Helena compreendeu o perigo.

— Então não é uma oferta.

— É uma medida de segurança.

— Medidas de segurança também podem ser explicadas sem parecer ordens.

Dante respirou fundo.

— Por favor, aceite o motorista.

Helena quase sorriu.

— Assim está melhor.

Enquanto ela e Nina se preparavam para sair, uma enfermeira entregou a Dante os objetos encontrados no pijama de Bento.

Entre eles havia uma pequena chave de latão.

Bento apontou para o carrossel desenhado no papel. Depois fez o sinal de “outro”.

— Existe outra caixa de música? — perguntou Nina.

Ele confirmou e desenhou o escritório da mãe.

Dante lembrou-se de um objeto que Lívia mantinha numa estante trancada. Depois da morte dela, Vitória recomendara que o cômodo fosse fechado para não alimentar as crises de Bento.

— Rafael, mande dois homens verificarem o escritório. Ninguém toca em nada até chegarmos.

Helena observou a chave.

— Se Lívia entregou isso a Bento, talvez soubesse que estava em perigo.

Dante apertou o metal na palma.

— E talvez tenha confiado ao nosso filho a única prova que eu fui incapaz de procurar.

O telefone de Rafael tocou. Ele ouviu por alguns segundos e ficou tenso.

— O escritório foi arrombado.

— O que levaram?

— Ainda não sabemos. Mas há sangue no chão.

Antes de sair, Dante pediu que Helena permanecesse no hospital. Ela recusou qualquer pagamento adicional e exigiu apenas garantias para Nina. A firmeza dela o surpreendeu mais que a recusa do dinheiro.

— Todo mundo nesta casa quer alguma coisa de mim — disse ele.

— Minha filha quer voltar para a escola sem olhar por cima do ombro. Eu quero que ela durma sem medo.

Dante prometeu segurança, mas Helena o corrigiu:

— Promessas não bastam. Quero saber quem entra, quem sai e quem terá acesso ao quarto.

Ele entregou a ela o número direto de Rafael e autorizou que recusasse qualquer funcionário desconhecido. Pela primeira vez, Helena percebeu que o homem acostumado a comandar estava disposto a negociar por causa das crianças.

No quarto, Bento desenhou quatro pessoas de mãos dadas. Nina perguntou quem eram. Ele apontou para si, para ela, para Helena e, depois de hesitar, para Dante.

Nina sorriu.

— Seu pai ainda precisa aprender muito.

Bento respondeu com um gesto travesso:

— Você pode ensinar.

Quando Nina traduziu, Dante quase sorriu, mas o telefone de Rafael interrompeu o momento. A fotografia enviada mostrava o escritório destruído e uma marca de sapato sobre o sangue.

Helena reconheceu o desenho da sola. Era o mesmo modelo usado pelos funcionários da segurança interna.

O inimigo não apenas conhecia a mansão. Continuava trabalhando dentro dela.

Rafael ampliou a fotografia e encontrou, próximo à janela, um pequeno botão dourado com o brasão Montenegro. Não pertencia ao uniforme comum dos guardas, mas ao traje usado pelos supervisores mais antigos.

Dante percebeu que apenas três homens possuíam aquele modelo. Um era Rafael. Outro estava de férias fora do país. O terceiro era Mauro, o segurança desaparecido.

— Talvez ele não tenha sido atacado — disse Helena. — Talvez tenha deixado o próprio sangue para parecer vítima.

Rafael concordou que a possibilidade precisava ser investigada.

Dante guardou o botão numa embalagem e chamou a polícia. Não permitiria que a urgência o levasse a condenar o homem errado novamente.

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