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"A Filha da Empregada Fez o Filho do Chefe da Máfia “Falar” Com as Mãos" Capítulo 2 — Ninguém Toca Nela

正文开头

Vitória subiu a escada antes que Dante desse permissão.

Rafael bloqueou o primeiro degrau com o corpo.

— A senhora fica aqui.

— Eu sou a médica responsável por Bento.

— Não mais — respondeu Dante.

O menino segurava a mão de Nina com tanta força que os dedos das duas crianças estavam brancos. Helena tentou separá-los com delicadeza.

— Nina precisa ir para casa.

Bento soltou um som de protesto. Escondeu-se atrás da menina e fez um gesto rápido.

— Ele quer que eu fique — explicou Nina.

Helena olhou para Dante.

— Minha filha não deve participar disso.

— Concordo — disse ele. — Mas, neste momento, ela é a única pessoa com quem Bento decidiu se comunicar.

— Ela tem sete anos.

— E eu não vou transformá-la em investigadora.

Dante chamou uma funcionária mais velha e ordenou que levasse as crianças à biblioteca, onde poderiam ser vistas pelas câmeras. Também exigiu comida fechada e preparada diante de Rafael.

Helena acompanhou os dois.

Vitória esperou até que saíssem.

— Você está permitindo que uma empregada controle esta casa.

Dante se voltou para ela.

— Helena tentou retirar a filha. Foi Bento quem pediu que Nina ficasse.

— Crianças traumatizadas criam vínculos inadequados.

— E médicos desonestos criam explicações convenientes.

Rafael entregou a Dante o tablet com os registros. O acesso de Vitória havia desativado a câmera às dezenove horas e doze minutos.

— Eu fiz isso durante uma sessão — alegou ela. — Bento precisa de privacidade.

— Então por que não está registrado no prontuário?

Vitória desviou o olhar.

Dante ordenou uma busca na ala infantil. Quatro seguranças subiram com Rafael. Nenhum funcionário teve permissão para acompanhá-los.

Na biblioteca, Nina colocou folhas e lápis sobre o tapete. Bento sentou-se perto dela, observando cada movimento.

— Você pode desenhar onde estão os remédios — sinalizou.

Ele desenhou uma caixa, uma estrela e três linhas curvas.

Nina pensou por alguns segundos.

— Uma caixa de música?

Bento sorriu pela primeira vez.

Helena viu o sorriso e sentiu o peito apertar. Não havia triunfo naquela descoberta. Apenas a dor de perceber há quanto tempo o menino esperava ser compreendido.

— Nina, não faça mais perguntas — pediu.

— Mas ele quer contar.

— Eu sei. Só não quero que você carregue o medo dele sozinha.

Bento tocou o braço de Helena. Depois sinalizou:

— Ela não está sozinha.

Nina traduziu, e Helena precisou conter as lágrimas.

Rafael entrou na biblioteca trazendo o pequeno carrossel musical de Bento. Dante vinha logo atrás.

— Encontramos isto dentro do armário — disse Rafael. — O fundo parece ter sido mexido.

Bento se encolheu.

Nina apontou para o tapete.

— Coloque aqui. Ele quer mostrar.

Rafael olhou para Dante antes de obedecer.

Bento girou a base do carrossel, pressionou uma das estrelas douradas e puxou uma placa quase invisível. Um compartimento secreto se abriu.

正文1

Dentro havia três comprimidos brancos e uma colher infantil manchada por um resíduo azulado.

Dante ficou sem respirar por um instante.

— Rafael, fotografe tudo. Chame um laboratório independente.

Vitória apareceu à porta.

— Isso prova exatamente o que eu disse. Alguém plantou os comprimidos.

— Você não tinha autorização para entrar — disse Rafael.

— Esta casa seria minha em dois meses.

Dante fechou o compartimento.

— Não use o futuro para se defender do presente.

Vitória apontou para Helena.

— Ela começou a trabalhar aqui há três dias. A filha dela entra em todos os cômodos e, por coincidência, encontra um escândalo capaz de render milhões.

Helena se colocou diante de Nina.

— Nunca pedi dinheiro ao senhor Montenegro.

— Ainda não — rebateu Vitória.

— Basta — ordenou Dante.

Vitória se aproximou de Nina.

— Diga a verdade. Sua mãe mandou você se esconder no quarto de Bento?

A menina recuou. Helena segurou sua mão.

— Não interrogue minha filha.

— Se ela acusa adultos, precisa responder como adulta.

— Ela não é adulta. E foi seu paciente quem mostrou o esconderijo.

Vitória tentou agarrar o pulso de Nina.

Dante entrou entre as duas antes que seus dedos a alcançassem.

— Ninguém toca nela.

O tom foi baixo, mas os seguranças se posicionaram imediatamente.

Vitória encarou o noivo.

— Você está me ameaçando por causa da filha de uma empregada?

— Estou protegendo uma criança de uma mulher que acabou de tentar intimidá-la.

Nina escondeu-se atrás de Helena. Bento, porém, ficou ao lado de Dante.

O laboratório enviou um técnico à mansão. Ele recolheu os comprimidos, a colher e amostras de todos os medicamentos prescritos.

Enquanto esperavam, Dante abriu o prontuário digital do filho. As doses haviam aumentado quatro vezes em cinco meses.

— Por que ninguém me informou? — perguntou.

Vitória manteve o queixo erguido.

— Você assinou a autorização geral de tratamento.

— Autorizei tratamento, não silêncio.

Helena reconheceu o tipo de documento exibido na tela. Durante anos, cuidara da mãe surda em hospitais e aprendera a conferir cada formulário.

— Posso ver a data da assinatura?

Vitória riu.

— Empregadas agora revisam prontuários?

Dante virou o tablet para Helena.

Ela apontou para o canto inferior.

— O certificado digital foi emitido em agosto. Mas essa autorização está datada de março.

Rafael ampliou a informação.

— Ela tem razão.

Dante olhou para Vitória.

— Quem inseriu minha assinatura?

— Deve ser um erro do sistema.

— Sistemas não fabricam cinco meses de diferença sozinhos.

Bento puxou Nina para perto da estante. Tirou do bolso uma pequena peça de papel dobrada e entregou a ela.

Era a embalagem rasgada de um comprimido, marcada com uma caneta vermelha.

Nina mostrou a Dante.

— Ele guardou isso.

No verso, alguém escrevera apenas uma palavra: “memória”.

Dante reconheceu a letra.

— Era da mãe de Bento.

Vitória ficou imóvel.

— Lívia escrevia em tudo. Isso não significa nada.

— Significa que ela viu este medicamento antes de morrer.

O telefone de Rafael tocou. O resultado preliminar estava pronto.

O comprimido não correspondia a nenhuma prescrição registrada. Continha um sedativo potente, contraindicado para crianças daquela idade.

Helena apertou Nina contra o corpo.

Dante fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, sua expressão havia endurecido.

— Rafael, recolha o telefone da doutora Ferraz.

Vitória recuou.

— Você não tem esse direito.

— Dentro desta casa, enquanto meu filho estiver em risco, tenho todos os direitos necessários para protegê-lo.

Rafael estendeu a mão.

Vitória entregou o aparelho, mas sorriu com estranha confiança.

— Procurem o que quiserem. Vocês não encontrarão nada.

Naquele instante, Bento começou a bater no próprio bolso.

Nina percebeu que ele queria mostrar outra coisa.

O menino retirou um segundo telefone, pequeno e branco, escondido sob a camisa.

Na tela havia uma gravação em andamento.

Nina apertou o botão de reprodução.

A voz de Vitória encheu a biblioteca:

— Se você contar ao seu pai, vai perder sua mãe outra vez.

O silêncio seguinte revelou que ninguém naquela sala conseguiria voltar a fingir normalidade.

Bento tapou os ouvidos, mas Nina segurou a própria mão diante dele, sem tocá-lo. Fez o sinal de “seguro” e esperou. Aos poucos, o menino respirou melhor. Dante assistiu à cena e compreendeu que confiança não podia ser exigida por ordem; precisava ser merecida.

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