localização atual: Novela Mágica A Filha da Empregada Tocou o Pescoço do Mafioso Capítulo 3 — O Segredo da Mãe
标题上

"A Filha da Empregada Tocou o Pescoço do Mafioso" Capítulo 3 — O Segredo da Mãe

正文开头

Helena Montenegro estava servindo café quando Dante colocou a autorização cirúrgica diante dela. O papel deslizou sobre a toalha branca e parou ao lado de uma xícara de porcelana.

— Reconhece esta assinatura?

Helena leu a primeira linha. A mão que segurava o bule começou a tremer.

— Onde você encontrou isso?

— No meu prontuário. Há uma segunda cirurgia que ninguém me contou que aconteceu.

A xícara caiu da mesa e se despedaçou. Uma empregada surgiu à porta, mas Dante pediu que os deixasse sozinhos.

Helena permaneceu olhando para os cacos.

— Eu assinei porque disseram que você poderia morrer.

— Quem disse?

— Otávio. Ele estava com um médico que eu não conhecia.

Dante puxou uma cadeira para a mãe. Ela se sentou como se as pernas tivessem perdido a força.

— Eu estava inconsciente? — perguntou.

— Sim. Você tinha acabado de sair de uma operação longa. Disseram que haviam encontrado outro fragmento e precisavam agir imediatamente.

— E por que esconderam isso de mim depois?

Helena apertou as mãos.

— Porque Otávio disse que recordar os procedimentos poderia piorar suas crises.

Dante soltou uma risada sem alegria.

— Durante três anos, ele decidiu o que eu podia saber sobre meu próprio corpo. E você permitiu.

— Eu estava apavorada, meu filho.

— Eu também estava. Só que nem sabia do que precisava ter medo.

Ele recolheu a folha e saiu antes de dizer algo que não conseguiria retirar. No corredor, encontrou Sofia carregando um desenho para Joana.

A menina parou ao vê-lo.

— Tio Dante, você está com dor?

— Hoje estou com muitas perguntas.

— Minha professora fala que perguntar é bom.

Dante se abaixou até ficar à altura dela.

— Sua professora parece inteligente.

Sofia ofereceu o desenho. Nele, o homem de terno aparecia ao lado de um coelho com orelhas enormes.

— É pra você. O coelho chama Pipoca. Ele ajuda quando alguém fica triste.

Dante recebeu a folha com cuidado. Não sabia o que fazer com a gentileza de uma criança que, na véspera, ele havia assustado.

— Obrigado, Sofia.

— Pode ficar com o desenho. O coelho de verdade é meu.

Pela primeira vez naquela manhã, ele sorriu.

Marina observava de longe. Esperou a filha voltar à cozinha antes de se aproximar.

— Ela não costuma dar desenhos a quem não gosta.

— E costuma fazer perguntas inconvenientes?

— O tempo todo.

Dante olhou novamente para o papel.

— Talvez seja a única pessoa desta casa que não tenha aprendido a fingir que está tudo bem.

Marina percebeu o cansaço em seus olhos. Não tentou consolá-lo com promessas. Apenas perguntou se ele já tinha marcado uma consulta com um médico independente.

Dante respondeu que estava tentando. Os especialistas indicados por Otávio sempre ofereciam a mesma explicação, sem apresentar exames suficientes.

— Procure alguém que não dependa dele — sugeriu Marina.

No escritório, Otávio soube da visita de Dante à mãe por um funcionário da segurança. Telefonou imediatamente para Verônica.

正文1

— Ele conseguiu a autorização original.

— Helena falou?

— Ainda não sei. Precisamos manter a rotina de tratamento e evitar que ele procure outros médicos.

Verônica olhou para o calendário do casamento. Faltavam sete semanas. A cerimônia estava planejada para uma igreja tradicional de São Paulo, seguida de recepção nos Jardins.

— Você prometeu que ele estaria estável até lá.

— Estável o bastante para assinar os documentos — respondeu Otávio.

Verônica desligou antes que alguém entrasse em seu quarto. Abriu uma gaveta e retirou uma pasta contendo uma cópia de uma procuração empresarial.

O nome de Dante aparecia em todas as páginas. Ela conferiu a data e guardou tudo novamente, sem perceber que uma câmera do corredor registrara sua entrada no escritório de Otávio naquela manhã.

À tarde, Dante tentou trabalhar na sede do grupo. Durante uma reunião com diretores, esqueceu o assunto de um contrato que havia acabado de discutir.

Um dos presentes repetiu a pergunta. Dante reconheceu as palavras, mas não a decisão que tomara minutos antes.

Otávio se adiantou.

— O senhor Montenegro está cansado. Podemos concluir esta parte em seu nome.

Dante bateu a caneta na mesa.

— Ninguém vai concluir nada por mim.

A reunião terminou sem assinatura. No corredor, ele ouviu dois funcionários comentarem que talvez precisasse se afastar definitivamente.

O boato chegou a Verônica antes de Dante voltar para casa. Ela enviou uma mensagem a Otávio: “Os diretores estão começando a aceitar a ideia.”

Na mansão, Marina encontrou Helena sozinha na capela particular. A mulher mais velha segurava um lenço molhado e não pareceu surpresa ao vê-la.

— A senhora está bem? — Marina perguntou.

— Não. E acho que não mereço estar.

Marina ficou perto da porta.

— Dante precisa de respostas. Não de mais silêncio.

Helena assentiu lentamente.

— Eu recebi uma ligação depois da segunda cirurgia. Um homem me disse que, se eu contasse alguma coisa, Dante sofreria outra vez.

— O homem se identificou?

— Não. Mas sabia detalhes que só a equipe médica deveria conhecer.

Marina pensou no controle de Otávio sobre consultas, medicamentos e visitas.

— A senhora guardou alguma prova?

Helena demorou a responder.

— Guardei uma cópia da autorização. E anotei o número que me ligou. Nunca tive coragem de procurar a polícia.

Marina não a absolveu. A confissão não apagava os anos de sofrimento de Dante. Mas a informação podia ajudar a interromper o que ainda acontecia.

— Entregue tudo a ele e às autoridades — disse.

Helena apertou o lenço.

— Se Otávio descobrir, pode fazer alguma coisa contra você e Sofia.

O nome da filha transformou a preocupação de Marina em urgência. Ela saiu da capela para procurar a menina.

Encontrou Sofia na biblioteca, sentada no tapete a uma distância respeitosa do sofá. Dante segurava o coelho Pipoca sobre os joelhos.

— Ele precisa de um cobertor — Sofia explicava. — Quando tem trovão, fica assustado.

— E você? — Dante perguntou.

— Às vezes. Mas a mamãe segura minha mão.

Dante ajeitou a manta sobre o brinquedo. Marina parou na entrada, surpreendida pela naturalidade daquela cena.

Sofia ergueu os olhos.

— Mamãe, o tio Dante não é bravo o tempo todo.

— Eu estou descobrindo isso — respondeu Marina.

Dante percebeu a expressão séria dela e pediu que Sofia fosse buscar lápis novos com Joana. Quando ficaram sozinhos, Marina contou parte da conversa com Helena.

— Sua mãe tem provas guardadas — disse. — Mas está com medo de Otávio.

Dante ficou imóvel.

— Ela contou a você antes de contar a mim?

— Ela teme que alguém se machuque. Eu disse que esconder as provas não vai proteger ninguém.

Ele se levantou para procurar Helena, mas uma dor breve o obrigou a apoiar a mão no sofá. Marina esperou que recuperasse o equilíbrio.

— Não vou deixar que decidam tudo por mim outra vez — afirmou.

— Então comece escolhendo com quem pode contar. E não faça isso sozinho.

Naquela noite, Helena pediu para conversar com Marina no corredor dos quartos. Parecia ainda mais assustada do que na capela.

— Arrume as coisas de Sofia — sussurrou. — Saia desta casa amanhã cedo.

— Por quê? A senhora descobriu alguma coisa nova?

Helena olhou para as escadas, verificando se alguém as observava.

— Porque, três anos atrás, o homem que tentou matar meu filho nunca foi encontrado.

Marina sentiu a boca secar.

— Quem é esse homem?

Helena segurou seu braço com força.

— Ele ainda mora aqui.

Do outro lado do corredor, uma porta se fechou suavemente. As duas mulheres se viraram, mas já não havia ninguém à vista.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部