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"A Garçonete Salvou o Chefe da Máfia… E Foi Demitida Por Isso" Capítulo 8 — O Homem Que Ela Salvou Pela Segunda Vez

正文开头

O hospital entrou em bloqueio.

Rafael revistou corredores, elevadores e áreas de serviço. Ninguém encontrava Sônia. As câmeras mostravam uma enfermeira empurrando uma maca durante os segundos de escuridão.

O rosto da mulher estava coberto por máscara.

Um técnico revelou que a porta da escada de serviço fora aberta com uma credencial do setor jurídico do grupo Montenegro. Caetano controlava o departamento, mas seis advogados possuíam cartões idênticos.

— Ele continua deixando pistas que apontam para si e para mais cinco pessoas — observou Júlia.

— Quer transformar certeza em dúvida — disse Rafael.

Dante apoiou a mão saudável no parapeito da cama.

— Então vamos procurar o que ele não planejou deixar.

Dante tentou deixar a enfermaria.

— Sente-se — ordenou Júlia.

— Levaram a testemunha dentro de um hospital protegido.

— E você perdeu sangue há menos de uma hora.

— Não preciso de uma babá.

— Ótimo. Porque cobro mais caro quando o paciente é arrogante.

Júlia verificou o curativo. O sangramento diminuíra, mas a pele ao redor estava quente. Pediu antibiótico ao médico e anotou os horários numa folha.

— Não precisa cuidar de mim — disse Dante.

— Estou cuidando da testemunha principal.

— Pensei que eu fosse a vítima.

— Homens como você preferem testemunha. Parece menos frágil.

Dante soltou uma respiração que quase se tornou riso. A presença dela fazia o quarto parecer menos parecido com uma prisão.

Dante a encarou. Júlia ajustou a tipoia sem pedir licença.

— Se abrir os pontos, voltará para a cirurgia. Enquanto isso, quem levou Sônia ganhará horas de vantagem.

Ele se sentou.

Rafael voltou com o anel encontrado no travesseiro. Era uma réplica barata, produzida para incriminar Caetano ou anunciar seu poder.

— Ele quer que saibamos que pode entrar em qualquer lugar — disse Dante.

— Ou alguém quer que concentremos tudo nele — ponderou Júlia.

— Ainda acredita que pode ser inocente?

— Acredito que uma prova perfeita demais merece desconfiança.

Dante pediu os registros do Bellagio novamente. Júlia comparou horários, notas fiscais e o código da garrafa.

O lote BLP-0719 aparecia em uma planilha apagada, recuperada do servidor. A entrega fora autorizada por uma empresa chamada Brava Logística.

Rafael consultou o cadastro.

— Empresa de fachada. O endereço é um escritório vazio.

— Quem pagou Ricardo? — perguntou Júlia.

— Ainda não sabemos.

Ela voltou à fotografia tirada na manhã de sua demissão. O saco preto tinha uma etiqueta branca parcialmente visível.

Ampliou a imagem até distinguir quatro números.

— Isto parece um código de guarda-volumes.

O Bellagio mantinha cofres no subsolo para clientes que realizavam reuniões privadas. O número 308 correspondia a uma caixa alugada pelo próprio Ricardo.

Dante deixou o hospital contra recomendação médica.

Chegaram ao restaurante antes do amanhecer. O prédio estava fechado, mas havia luz na cozinha.

— Ricardo voltou — disse Rafael.

Antes que a equipe entrasse, fumaça surgiu pelas janelas laterais.

正文1

Uma explosão abafada sacudiu a porta de serviço.

— Ele está queimando as provas — gritou Júlia.

Dante segurou seu braço.

— Você não entra.

— Conheço o caminho até o subsolo.

— Os bombeiros estão chegando.

— O cofre fica ao lado da despensa. Se o fogo alcançar os produtos de limpeza, não sobrará nada.

Júlia arrancou o braço e correu pela entrada dos funcionários. Dante ordenou que Rafael a acompanhasse.

Rafael entregou a ela uma toalha molhada e quebrou o vidro estreito da porta com a coronha. O calor atingiu os dois imediatamente.

— Dois minutos — avisou ele. — Depois, saímos com ou sem prova.

— O corredor da esquerda leva à despensa. A escada fica atrás da adega.

Júlia conhecia cada curva porque transportara caixas por ali durante três anos. O trabalho que Ricardo tratava como invisível agora era a única vantagem deles.

A cozinha estava tomada por fumaça. O sistema de sprinklers não funcionava. Júlia cobriu o rosto e seguiu abaixada até a escada.

No subsolo, Ricardo tentava abrir o cofre 308. Tossia e segurava uma mochila.

— Afaste-se! — gritou Rafael.

Ricardo sacou uma arma.

Júlia lançou um extintor contra o braço dele. O disparo atingiu o teto. Rafael o derrubou e chutou a arma para longe.

— O código! — exigiu Júlia.

— Vocês vão morrer aqui.

A fumaça engrossava. Rafael algemou Ricardo, mas o gerente se recusava a falar.

Júlia observou as teclas. Três estavam mais gastas: nove, um e sete.

— Vinte e uma horas e dezessete — percebeu.

Digitou 2117.

O cofre abriu.

Ricardo avançou mesmo algemado e tentou fechar a porta de aço. Júlia apoiou o pé na abertura. Rafael o afastou, mas uma prateleira em chamas caiu diante da saída.

Por alguns segundos, os três ficaram presos.

Júlia apontou para o elevador de carga.

— O motor não funciona sem energia, mas a porta leva ao poço de manutenção.

Rafael abriu o painel. Eles passaram por um corredor estreito enquanto a fumaça apagava as luzes de emergência.

Ricardo começou a implorar para ser solto. Júlia continuou carregando a mochila com a prova que ele tentara destruir.

Dentro havia a taça envolvida em plástico, um pen drive e um recibo de cinquenta mil reais. O pagamento fora realizado três dias antes do envenenamento.

Júlia colocou tudo na mochila e subiu com Rafael. Ricardo foi arrastado atrás deles.

Chegaram ao salão quando uma parte do teto da cozinha desabou.

Dante aguardava junto à entrada, o ombro imobilizado e o rosto marcado pela fúria.

— Nunca mais faça isso.

— Você prefere a prova queimada?

— Prefiro você viva.

A resposta eliminou qualquer ironia que Júlia preparava.

Os bombeiros controlaram o incêndio. Ricardo foi levado pela polícia, mas permaneceu em silêncio.

Dante limpou a fuligem do rosto de Júlia com um lenço. O gesto foi cuidadoso e breve, como se ele próprio se surpreendesse ao fazê-lo.

正文2

— Você voltou — disse.

— Eu prometi avisar antes de desaparecer.

— Isso não é a mesma coisa.

— Para hoje, terá de ser suficiente.

Ele guardou o lenço no bolso em vez de jogá-lo fora.

No carro, Rafael conectou o pen drive a um computador isolado. Havia gravações de reuniões entre Ricardo e um homem cuja voz fora distorcida.

O recibo identificava a empresa pagadora: Brava Logística.

— A mesma que entregou o vinho — disse Júlia.

Dante consultou os documentos financeiros. A Brava recebera recursos de uma empresa terceirizada do grupo Montenegro.

A autorização eletrônica pertencia a Caetano.

Os metadados do pen drive revelaram ainda que uma das gravações fora feita no escritório particular de Caetano. Ao fundo, um relógio tocava a mesma melodia ouvida nas reuniões familiares.

Não era prova isolada de autoria, mas confirmava que Ricardo estivera com alguém dentro da área restrita da mansão.

— Finalmente — murmurou Dante.

Júlia olhou pela janela. Caetano acabava de chegar ao local do incêndio, acompanhado de advogados e jornalistas.

Ele atravessou a barreira e abraçou Dante diante das câmeras.

— Graças a Deus você está vivo.

Júlia observou a manga clara do paletó de Caetano. Pequenos grãos vermelhos estavam presos ao tecido.

Eram idênticos ao pó encontrado no carro usado para sequestrar Sônia.

Ela se aproximou, fingindo retirar cinza do ombro dele, e guardou um dos grãos na palma.

Caetano segurou sua mão.

— Cuidado, Júlia. Curiosidade também mata.

— Veneno demora demais — respondeu ela. — Por isso você começou a usar balas e fogo?

O sorriso dele desapareceu.

Atrás dos dois, Ricardo era colocado na viatura. Ao ver Caetano, o gerente finalmente perdeu o controle.

— Você prometeu que minha família estaria segura!

As câmeras dos jornalistas se viraram imediatamente.

Caetano soltou a mão de Júlia.

Ricardo apontou para ele diante de todos.

— Foi Caetano Montenegro quem mandou envenenar Dante.

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