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"A Garçonete Salvou o Chefe da Máfia… E Foi Demitida Por Isso" Capítulo 7 — A Testemunha Que Deveria Estar Morta

正文开头

Dante tomou a chave da mão de Júlia.

— Você não vai.

— A chave foi deixada para mim.

— Exatamente por isso.

— Se esperam apenas seus homens, podem matar Sônia ao primeiro sinal dos carros.

Rafael confirmou que o galpão 47 tinha três acessos e pouca cobertura externa. Uma invasão seria vista antes que a equipe chegasse à porta.

Júlia propôs entrar no carro abandonado usando a chave ensanguentada. Os seguranças seguiriam à distância.

— Não — repetiu Dante.

— Então encontre outra pessoa que o sequestrador espera ver.

— Posso mandar Bianca.

— Bianca avisaria quem a está controlando. Eu quero encontrar Sônia viva.

Dante apertou a chave entre os dedos.

— Você não me deve esse risco.

— Não faço isso por você. Sônia foi ameaçada, usada e descartada. Ninguém merece morrer porque pessoas poderosas decidiram que sua vida é substituível.

A frase atingiu Dante de uma forma que Júlia não percebeu. Durante anos, ele tratara homens como peças necessárias. Agora, uma garçonete exigia que arriscasse recursos para salvar alguém que o traíra.

— Você usará colete e escuta — decidiu.

— E entrarei sozinha.

— Entrará três minutos antes de nós.

— Cinco.

— Três.

Júlia aceitou.

Antes de sair, Dante ajustou pessoalmente o colete sob a jaqueta dela. Seus dedos pararam junto à fivela lateral.

— Se ouvir um disparo, deite no chão.

— Se eu me deitar longe de cobertura, viro alvo imóvel.

— Então encontre cobertura antes de discutir comigo.

Júlia percebeu que a irritação dele escondia medo. Dante Montenegro não temia entrar num galpão armado. Temia esperar do lado de fora enquanto outra pessoa corria o risco.

— Voltarei — disse ela.

— Não faça promessas que não controla.

— Foi você quem pediu uma.

Ele não respondeu.

O carro foi limpo apenas o suficiente para funcionar. O sangue no banco permanecia visível. Júlia dirigiu até Osasco enquanto Rafael monitorava seu áudio.

Dante acompanhava em outro veículo, furioso com cada semáforo que a escondia de sua visão.

No galpão 47, a porta lateral estava aberta.

Júlia entrou segurando a chave acima da cabeça.

— Trouxe o que deixaram para mim.

Nenhuma resposta.

O espaço cheirava a óleo, ferrugem e umidade. Máquinas antigas ocupavam o centro. Uma lâmpada balançava no teto.

Havia marcas recentes de pneus no cimento e três copos descartáveis sobre uma bancada. Júlia tocou um deles com a parte externa da manga. Ainda estava morno.

Os sequestradores não haviam abandonado o local.

Ela viu uma câmera pequena presa à viga. Em vez de destruí-la, manteve o rosto visível e continuou andando. Quem assistia precisava acreditar que ela obedecera à armadilha.

— Estou sozinha — anunciou.

Do lado de fora, Dante contou os segundos no relógio. Quando o áudio falhou, tentou avançar. Rafael o conteve até o limite combinado. Uma entrada antecipada poderia acionar os atiradores.

Júlia ouviu um gemido atrás de pilhas de caixas.

正文1

Sônia estava amarrada a uma cadeira. Tinha o rosto machucado, mas respirava.

— Não se aproxime — sussurrou a governanta. — Há um fio.

Júlia viu o cabo preso à perna da cadeira e ligado a um dispositivo improvisado.

— Rafael, existe uma armadilha.

O ponto eletrônico permaneceu mudo.

O sinal havia sido bloqueado.

Júlia examinou o chão. O fio passava sob uma placa metálica e terminava em um alarme, não em explosivos. Se movesse a cadeira, alguém seria avisado.

— Quem fez isso? — perguntou.

Sônia chorou.

— Dona Bianca mandou esconder o frasco. Depois, dois homens me levaram. Um deles dizia que eu sabia demais.

— Viu o rosto deles?

— Um era funcionário da casa. O outro usava máscara.

Sônia revelou que começara a receber ameaças duas semanas antes do envenenamento. Fotografias do filho chegavam acompanhadas dos horários da escola. Mandaram que trocasse a bandeja de remédios e nunca perguntasse por que algumas cápsulas tinham aparência diferente.

— Por que não contou a Dante?

— Porque os bilhetes diziam que havia alguém dentro da segurança. Se eu falasse com a pessoa errada, meu filho desapareceria.

— Foi você quem colocou as cápsulas?

— Eu levei a bandeja. Nunca soube o que havia nelas.

Júlia acreditou no terror da mulher. Não era inocência completa, mas também não era escolha livre.

Passos soaram no mezanino.

Júlia se abaixou quando o primeiro tiro atingiu uma caixa. Correu para trás de uma máquina e puxou o alarme de incêndio na parede.

A sirene ecoou pelo galpão.

O atirador perdeu a referência sonora. Dante e Rafael ouviram o alarme do lado de fora e anteciparam a entrada.

Homens armados invadiram pelos três acessos.

Júlia rastejou até Sônia e cortou as cordas sem mover a cadeira. Um tiro atingiu o metal acima de sua cabeça.

Dante surgiu entre as máquinas.

— Júlia!

Ela levantou apenas o suficiente para responder. O atirador apareceu no mezanino e apontou para ela.

Dante atirou primeiro.

O homem caiu atrás da grade, mas um segundo disparo veio do piso térreo. Dante empurrou Júlia para trás da máquina.

A bala atingiu seu ombro.

Ele perdeu a arma e caiu de joelhos.

— Dante!

Rafael abateu o segundo homem. A equipe cercou o galpão enquanto Júlia pressionava o ferimento de Dante.

O sangue atravessava a camisa.

— Olhe para mim — ordenou ela. — Não feche os olhos.

Dante soltou uma risada curta, apesar da dor.

— Você disse isso no restaurante.

— E funcionou. Não discuta.

Júlia rasgou a barra da própria camisa e comprimiu o ombro. A bala atravessara sem atingir a artéria, mas a perda de sangue era intensa.

Dante tentou pegar a arma caída.

— Não se mova.

— Ainda há um homem no mezanino.

— Rafael cuida dele.

— Rafael cuida da equipe. Eu cuido de você.

— Você fala como se mandasse aqui.

— Neste metro quadrado, mando.

正文2

Mesmo ferido, Dante sorriu. Júlia percebeu que era a primeira vez que via aquele rosto sem a máscara de ameaça ou controle.

— Ambulância em quatro minutos — informou Rafael.

Dante segurou o pulso de Júlia.

— Prometa que não vai desaparecer.

— Você está ferido. Não sabe o que está dizendo.

— Sei exatamente.

— Não posso prometer ficar em uma casa onde todos querem me matar.

— Então prometa que me avisará antes de ir.

Júlia sustentou o olhar dele.

— Prometo.

A tensão no rosto de Dante cedeu. Ele permitiu que os paramédicos o levassem.

Sônia foi retirada logo depois. No hospital, prestou depoimento sob proteção policial.

O filho dela foi localizado numa casa de parentes em Campinas. Ao saber que estava protegido, Sônia entregou o número usado nas ameaças e descreveu uma tatuagem no pulso do funcionário envolvido.

Rafael reconheceu a marca: pertencia a um supervisor contratado pela diretoria de Caetano.

O homem desaparecera da escala naquela manhã. Seu armário continha um mapa do galpão e munição igual à usada contra Dante.

Contou que Bianca lhe entregara o frasco e ordenara que o colocasse na bolsa de Júlia. Em troca, pagaria a cirurgia do filho da governanta.

— Ela não criou o plano — disse Sônia. — Recebia mensagens de alguém que conhecia toda a rotina da casa.

— Você viu algum nome? — perguntou Rafael.

— Não. Mas ouvi os sequestradores falando sobre o casamento. Disseram que, depois da morte de Dante, Bianca herdaria as ações e entregaria o controle ao verdadeiro chefe.

Júlia olhou através do vidro da enfermaria. Dante estava sentado na cama enquanto o médico costurava o ombro.

— Caetano — concluiu.

Sônia começou a tremer.

— Não diga esse nome aqui.

As luzes do corredor se apagaram.

Rafael sacou a arma. O gerador entrou em funcionamento alguns segundos depois.

Quando a iluminação voltou, a cama de Sônia estava vazia.

A janela permanecia fechada. A porta estivera sob vigilância.

No travesseiro havia apenas o anel com o brasão Montenegro que Caetano usara no café da manhã.

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