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"A Garçonete Salvou o Chefe da Máfia… E Foi Demitida Por Isso" Capítulo 6 — A Mulher Que Dante Escolheu Acreditar

正文开头

Júlia não tocou na xícara.

— Quem mandou trazer isso?

A jovem funcionária segurou a bandeja com mãos trêmulas.

— Dona Bianca.

— Deixe sobre a mesa e não conte a ninguém que não bebi.

Júlia fechou a porta e chamou Rafael pelo telefone protegido. Ele recolheu a bebida, substituiu a xícara e levou a funcionária para uma sala segura.

O resultado preliminar revelou apenas um sedativo comum.

— Queriam que eu dormisse — disse Júlia.

— Ou que parecesse desorientada — respondeu Rafael.

Dante entrou no quarto.

— Bianca será interrogada.

— Ainda não. Se souber que descobrimos, vai destruir o que está procurando.

— E se enviar algo mais forte na próxima vez?

— Então você precisará confiar que não sou ingênua.

Dante detestava o plano, mas aceitou esperar. Júlia fingiria ter tomado o chá. Rafael reduziria discretamente a segurança do corredor para atrair quem viesse buscar o bloco.

Nada aconteceu durante a madrugada.

Na manhã seguinte, Bianca anunciou um almoço com membros da família. Júlia apareceu pálida e fingiu desequilíbrio ao entrar no salão.

Bianca escondeu um sorriso.

— Talvez a vida nesta casa seja intensa demais para uma garçonete.

— Talvez alguém tenha colocado alguma coisa no meu chá.

O sorriso desapareceu.

— Está me acusando?

— Eu disse “alguém”. Você ouviu seu nome?

Caetano interveio antes que a discussão crescesse.

— Todos estamos nervosos. Devemos evitar conclusões.

Uma governanta chamada Sônia entrou carregando a bolsa de Júlia.

— Senhor Dante, encontrei isto no quarto dela.

Sônia abriu o zíper. Um pequeno frasco de vidro caiu sobre a mesa e rolou até a mão de Bianca.

— Veneno — disse Bianca. — A mesma substância usada contra você.

Rafael avançou, mas Dante ergueu a mão.

— Ninguém toca em nada.

Bianca apontou para Júlia.

— Ela entrou aqui depois do atentado. Encontrou cápsulas adulteradas que ninguém mais viu. Agora o frasco aparece em sua bolsa. Quantas provas você precisa?

Os parentes começaram a falar ao mesmo tempo.

Um tio exigiu que Júlia fosse presa. Outra mulher acusou-a de planejar a aproximação desde o restaurante.

Sônia manteve os olhos no chão. Júlia percebeu que a governanta apertava o polegar contra o indicador, repetidamente, como quem contava segundos. Ela não parecia satisfeita com a acusação. Parecia esperar uma consequência.

— Quem pediu que revistasse meu quarto? — perguntou Júlia.

— Recebi uma denúncia anônima.

— Em qual telefone?

Sônia procurou o aparelho no bolso e não o encontrou. Bianca respondeu por ela.

— Isso não muda o conteúdo da bolsa.

— Muda quem sabia onde procurar.

Júlia permaneceu em pé.

— Se fui eu, encontre minhas impressões. Se não encontrar, olhe para quem está com pressa de me condenar.

— Ela pode ter usado luvas — insistiu Bianca.

— Então por que esconderia o frasco na própria bolsa e deixaria a governanta encontrá-lo?

Dante se colocou entre Júlia e os seguranças que aguardavam uma ordem.

正文1

— Ninguém toca nela.

O salão silenciou.

Bianca ficou de pé.

— Está escolhendo uma desconhecida contra sua família?

— Estou escolhendo uma investigação contra uma execução conveniente.

— Ela salvou sua vida uma vez e agora você não consegue enxergar.

— Foi exatamente por enxergar que ela percebeu o que todos ignoraram.

Dante ordenou que a Polícia Científica recolhesse o frasco e a bolsa. Não permitiria que o exame fosse feito apenas por laboratórios ligados ao grupo.

Júlia notou Caetano observando a saída dos peritos. Ele não parecia irritado. Parecia calcular o próximo movimento.

O resultado chegou no fim da tarde.

Não havia digitais de Júlia no vidro. As únicas impressões completas pertenciam a Sônia, a governanta que alegara ter encontrado o objeto.

A perícia também identificou fibras do tapete da biblioteca na base do frasco. Júlia nunca entrara naquela sala. Bianca passara a manhã ali, supostamente organizando documentos do casamento.

Dante pediu as câmeras internas. Os arquivos da biblioteca haviam sido apagados quinze minutos antes do almoço usando a senha administrativa de Caetano.

— Ele entregou essa senha a Bianca? — perguntou Júlia.

— Ou alguém quer que pensemos que entregou — respondeu Rafael.

Cada nova prova apontava para mais de uma pessoa, como se o criminoso construísse saídas antes mesmo de atacar.

Júlia pediu que preservassem também os registros das fechaduras. Uma mentira podia sobreviver a depoimentos; horários eletrônicos, se recuperados antes da exclusão, seriam mais difíceis de manipular.

Rafael foi buscá-la.

O quarto de Sônia estava vazio. Roupas, documentos e medicamentos continuavam no armário. Ela desaparecera sem levar bolsa ou telefone.

— Fugiu porque foi descoberta — disse Bianca.

— Ou foi retirada antes de falar — respondeu Júlia.

Dante mandou fechar portões e verificar câmeras.

As gravações mostravam Sônia entrando na garagem perto do meio-dia. Nenhuma imagem registrava sua saída. Um veículo de serviço deixara a propriedade vinte minutos depois usando autorização eletrônica de Caetano.

— O código pode ter sido copiado — afirmou ele.

— Tudo pode ter sido copiado quando a cópia favorece você — disse Júlia.

Caetano deu um passo em sua direção.

Dante ocupou o espaço entre eles.

— Entregue seu telefone e seus acessos a Rafael.

— Está me afastando do grupo por causa dela?

— Estou suspendendo seus acessos porque foram usados em dois crimes.

Caetano deixou o aparelho sobre a mesa.

— Quando descobrir que ela manipulou tudo, talvez seja tarde.

Júlia aguardou que ele saísse.

— Ele não está com medo de perder o cargo.

— Está com medo de perder tempo — respondeu Dante.

Rafael encontrou o veículo abandonado perto da Rodovia Anhanguera. Havia sangue no banco traseiro e uma das chaves permanecia na ignição.

Júlia pediu para examinar as imagens.

— Você não irá ao local — declarou Dante.

— Não pedi para ir. Pedi as imagens.

Ela ampliou uma fotografia do assoalho. Próximo ao banco havia um botão dourado e pequenos grãos vermelhos.

正文2

— Sônia usava uniforme preto com botões prateados.

— O botão pode ser do sequestrador — disse Rafael.

Júlia abriu a fotografia do jantar anterior. Caetano vestia camisa branca e paletó escuro, sem botões dourados aparentes.

Bianca, porém, usava um casaco com uma fileira deles.

Dante chamou a noiva ao escritório.

Ela negou ter saído da mansão e mostrou o casaco intacto. Todos os botões estavam no lugar.

— Podem comprar milhares iguais — disse Bianca. — Isto é ridículo.

Júlia aproximou-se. Um dos botões tinha uma linha mais clara do que os demais.

— Este foi substituído hoje.

Bianca tentou sair. Rafael bloqueou a porta.

— Onde está Sônia? — perguntou Dante.

— Não sei.

— O que colocou no chá de Júlia?

— Apenas algo para fazê-la dormir. Eu queria recuperar o bloco e acabar com essa loucura.

— E o frasco?

Bianca começou a chorar.

— Sônia deveria escondê-lo. Era só para você expulsar essa mulher.

— Quem lhe deu o veneno?

— Eu nunca vi a pessoa. Recebi instruções.

— De quem?

Bianca fechou a boca.

Dante retirou o anel de noivado da mão dela.

— Seu casamento terminou antes que começasse.

— Dante, por favor.

— Diga onde está Sônia.

Bianca admitiu que entregara a governanta a dois homens no estacionamento de um shopping. Acreditava que seria levada para fora de São Paulo.

Rafael rastreou o telefone descartável usado nas instruções. O último sinal vinha de uma área industrial em Osasco.

Enquanto a equipe se preparava, Júlia voltou ao quarto para trocar de roupa. Encontrou algo sobre a cama.

Era uma chave de carro coberta de sangue.

Presa ao chaveiro havia uma placa metálica com o número 47.

Júlia reconheceu o padrão das fotografias de Rafael.

O número correspondia a um dos galpões da área industrial.

Quem deixara a chave não queria apenas ameaçá-la.

Queria conduzi-la até Sônia.

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