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"Ele Teve Vergonha da Esposa e Não a Levou à Festa… Mas Não Imaginava Com Quem Ela Chegaria" Capítulo 3 — A Chegada Que Parou a Festa

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Os flashes estouraram antes que Helena alcançasse o primeiro degrau. Repórteres chamavam Eduardo pelo nome, perguntando por que o presidente da Bellavita chegara atrasado ao próprio evento e quem era a mulher vestida de verde ao seu lado.

Eduardo não respondeu. Apenas acompanhou o ritmo de Helena, sem puxá-la nem colocá-la atrás de si. A cada degrau, ela sentia o olhar de Marcelo pesar mais que todas as câmeras reunidas.

Lavínia foi a primeira a recuperar o sorriso. Tocou o braço de Marcelo e se inclinou para dizer algo. Ele se afastou dela imediatamente, como se a proximidade pudesse ser usada contra ele.

— Helena — chamou, descendo dois degraus. — O que você está fazendo aqui?

Ela parou diante dele.

— Descobrindo por que meu marido precisou mentir para esconder a própria esposa.

Uma repórter ouviu. Microfones se ergueram entre os três.

— Senhora, o diretor Marcelo Azevedo é seu marido?

Marcelo segurou o cotovelo de Helena.

— Precisamos conversar em particular.

Ela retirou o braço.

— Há quinze minutos você disse que não queria ser visto comigo. Agora não deveria se preocupar com privacidade.

Lavínia desceu os degraus. O vestido vermelho se movimentou exatamente como Helena planejara quando o cortou. A visão da própria criação no corpo da amante do marido produziu uma dor estranha, quase física.

— Deve ter acontecido um mal-entendido — disse Lavínia. — Marcelo nos informou que a esposa estava indisposta.

— Ele também informou que o vestido que você usa foi desenhado por você?

Lavínia perdeu o sorriso por um segundo.

— Este vestido pertence à Bellavita.

— Não. Ele estava no meu ateliê.

Marcelo se aproximou do ouvido de Helena.

— Você está se humilhando.

— Foi o que disse em casa. Talvez precise de uma frase nova.

Eduardo avançou.

— A coletiva começará em dez minutos. Helena é minha convidada e ocupará a mesa principal.

Marcelo o encarou.

— Presidente, minha esposa está emocionalmente abalada. Posso levá-la para casa.

— Ela me parece perfeitamente capaz de decidir onde deseja ficar.

Helena entrou no salão ao lado de Eduardo. Sob lustres de cristal, executivos, artistas e investidores se distribuíam entre mesas cobertas de branco. Manequins exibiam peças da coleção Todas em plataformas iluminadas.

Ela reconheceu cada linha. A jaqueta de ombros flexíveis nascera de uma cliente que não encontrava roupa após uma cirurgia. O vestido azul fora feito para uma professora de sessenta anos que desejava dançar no casamento do filho.

Agora todos traziam etiquetas da Bellavita, sem qualquer menção a Helena.

— Você os deixou usar até as histórias — murmurou.

Eduardo ouviu.

— Vamos recuperá-las.

Na mesa principal, um lugar permanecia vazio ao lado do presidente. Eduardo puxou a cadeira para Helena. O gesto simples provocou nova onda de fotografias.

Marcelo sentou-se do outro lado, entre Lavínia e uma investidora francesa. Durante o jantar, enviou sucessivas mensagens à esposa.

“Vá embora antes que seja tarde.”

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“Você não entende o que está em jogo.”

“Clara ficará sabendo do escândalo.”

Helena virou o celular para baixo.

O mestre de cerimônias anunciou Marcelo como responsável pela estratégia que levara a Bellavita a uma nova era. Ele subiu ao palco sob aplausos e recuperou a segurança habitual.

— Esta coleção nasceu da observação das mulheres brasileiras reais — declarou. — Mulheres fortes, plurais e livres de padrões.

Helena sentiu a ironia percorrer o salão.

Marcelo chamou Lavínia ao palco.

— E ninguém representa essa liberdade melhor que nossa diretora de imagem, cocriadora desta campanha.

Lavínia recebeu flores. O telão exibiu a frase “Todas cabem na Bellavita”. Helena olhou ao redor e percebeu que quase nenhuma mulher com seu corpo ocupava as mesas da empresa.

Eduardo levantou-se.

— Antes dos contratos, faremos uma correção de autoria.

O microfone de Marcelo permaneceu aberto.

— Isto não estava no roteiro.

— Por isso é uma correção.

Eduardo chamou Helena. O caminho até o palco parecia mais longo que a escadaria externa. Alguns convidados a reconheceram como esposa de Marcelo; outros cochicharam sobre seu tamanho, o vestido ou a intimidade com o presidente.

Helena subiu sem baixar os olhos.

Marcelo bloqueou sua passagem.

— Não faça isso com nossa família.

— Nossa família estava em casa quando você saiu com outra mulher.

Ele tentou manter o sorriso para as câmeras.

— Você quer dinheiro? Conversamos amanhã.

— Quero meu nome. E falaremos agora.

Eduardo pediu que o telão exibisse o primeiro slide. Apareceram doze peças de sucesso da Bellavita. Em seguida, cada fotografia foi colocada ao lado de um croqui datado e assinado por Helena Duarte.

O salão silenciou.

Uma investidora perguntou a Marcelo quem era a mulher.

Ele poderia ter admitido a verdade. Poderia ter reconhecido os anos em que Helena desenhara enquanto ele apresentava os resultados. Em vez disso, apontou para ela com desprezo calculado.

— Helena entende de costura. Faz alguns ajustes para mim. Nada além disso.

Helena sentiu a última esperança morrer.

Eduardo pegou o microfone.

— A mulher que ele chamou de “apenas costureira” criou a coleção mais lucrativa desta empresa.

O telão mostrou quarenta e sete arquivos com datas anteriores aos registros de Marcelo.

Lavínia recuou. Marcelo não olhava mais para a esposa. Olhava para as saídas.

Helena aproximou-se do microfone.

— Meu marido tinha razão sobre uma coisa. Eu não combino com este lugar. Não enquanto uma empresa lucra dizendo que todas as mulheres cabem aqui, mas apaga o nome da mulher que criou essas roupas porque sente vergonha do corpo dela.

Os aplausos começaram numa mesa lateral e cresceram. Marcelo arrancou o microfone da mão dela.

— Chega. Esses documentos foram roubados.

Dois seguranças se moveram. Eduardo ergueu a mão, impedindo-os.

Lavínia tentou sair do palco. Helena segurou delicadamente a barra do vestido vermelho.

— Ainda não. Esta peça também tem algo a dizer.

Antes de tocar no vestido, Helena pediu que as câmeras se aproximassem. Não queria que Marcelo transformasse o momento em outra acusação vaga.

— Quando fiz esta peça, o lado esquerdo foi refeito três vezes porque Marcelo me trouxe medidas incompletas.

Lavínia voltou-se para ele.

— Você disse que a equipe de Paris cuidou dos ajustes.

Helena descreveu uma marca no forro, causada pela máquina antiga de Jandira, e um botão interno comprado numa loja da Rua da Graça. Uma assistente verificou os dois detalhes.

Um jornalista perguntou por que ela nunca denunciara antes.

— Porque eu não sabia que estava sendo roubada. Acreditei no homem com quem dividia a cama, as contas e a criação de uma filha.

— E quando percebeu que ele tinha vergonha da senhora?

Helena respirou.

— Hoje. Ele disse que meu corpo destruiria a imagem que construiu.

Mulheres nas mesas desviaram os olhos de Marcelo. Algumas conheciam a vergonha de serem escondidas; outras reconheceram a crueldade sem precisar vivê-la.

— Ela está expondo nossa intimidade — protestou Marcelo.

— Você a transformou em estratégia de imagem — respondeu Teresa.

Helena percebeu que já não tremia. A cada verdade pronunciada, o salão perdia um pouco do poder que tivera sobre ela.

Pela primeira vez, viu Marcelo procurar um lugar onde pudesse se esconder.

Helena compreendeu que coragem não era deixar de sentir medo. Era permitir que todos vissem o medo e, ainda assim, continuar falando. Apertou a bolsa contra o corpo, sentiu os pedaços do convite lá dentro e avançou para o centro do palco.

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