localização atual: Novela Mágica O Chefe da Máfia Ia Demitir a Babá às 2 da Manhã… Até Ouvir Suas Gêmeas Rindo! Capítulo 4 — O Primeiro Sorriso do Homem Mais Temido de São Paulo
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"O Chefe da Máfia Ia Demitir a Babá às 2 da Manhã… Até Ouvir Suas Gêmeas Rindo!" Capítulo 4 — O Primeiro Sorriso do Homem Mais Temido de São Paulo

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Na manhã seguinte, Marina encontrou Dante no corredor com uma expressão de quem enfrentaria uma reunião difícil. Ele usava uma camisa branca impecável e segurava uma fralda descartável entre dois dedos.

— Célia disse que você queria me ensinar isso — declarou.

Marina precisou morder o lábio para não rir.

— Não é uma punição, senhor Montenegro. É uma troca de fralda.

— Já negociei com homens mais perigosos do que qualquer um nesta cidade.

— Ótimo. Então uma bebê de quatro meses não deve assustá-lo.

Dante olhou para Sofia, deitada com segurança no trocador. A menina agitava as pernas, completamente alheia à tensão do pai. Marina mostrou onde colocar os lenços, como limpar com delicadeza e como fechar as abas sem apertar.

Na primeira tentativa, ele colocou a fralda ao contrário. Marina explicou novamente. Na segunda, Sofia fez xixi antes que ele terminasse, molhando a manga da camisa caríssima.

Dante fechou os olhos. Marina levou a mão à boca, mas uma gargalhada escapou.

— Nem pense em contar isso para Rafael — avisou ele.

— Não prometo nada. É a melhor história da semana.

Para surpresa dela, Dante soltou uma risada curta. Pareceu estranhar o próprio som. Sofia, estimulada pelas vozes, abriu um sorriso largo e agitou os bracinhos.

Marina apontou para a menina.

— Está vendo? Ela gostou.

— Da minha humilhação?

— De ter o pai aqui.

Dante terminou a troca com a ajuda dela. Depois ficou olhando para Sofia, como se tivesse acabado de descobrir um talento secreto. Não era habilidade. Era a possibilidade de cuidar de alguém sem delegar tudo a outras pessoas.

Naquela tarde, ele voltou mais cedo da Avenida Faria Lima. Rafael entrou atrás dele carregando uma pasta de contratos. Dante pediu que deixasse os papéis no escritório e seguiu direto para o jardim interno.

Marina estava sentada numa manta, com as meninas deitadas de barriga para cima sobre um tapete apropriado. Mostrava cartões coloridos e conversava com elas. Dante tirou o paletó e se acomodou no chão.

— Cheguei para a minha meia hora — anunciou.

— O senhor está vinte minutos adiantado.

— Posso esperar aqui.

Marina sorriu. Entregou-lhe um brinquedo macio e ensinou a movimentá-lo lentamente diante de Lívia. A bebê acompanhou o objeto com os olhos e soltou um som animado.

Dante repetiu o movimento várias vezes, até Marina perceber que ele havia esquecido o celular vibrando sobre a mesa. Ela não comentou. Não queria quebrar aquele pequeno milagre cotidiano.

Mais tarde, enquanto as meninas dormiam, Marina encontrou Dante na cozinha. Ele segurava uma xícara de café e observava uma mancha antiga perto da bancada.

— Helena derrubou massa de panqueca aqui uma vez — contou ele. — Disse que era arte moderna.

— Parece que ela sabia rir das próprias trapalhadas.

— Sabia rir de tudo. Até de mim.

Marina se encostou à bancada, mantendo uma distância respeitosa.

正文1

— O senhor fala dela como se cada lembrança fosse uma culpa.

Dante demorou a responder.

— Na noite em que ela passou mal, eu estava numa reunião. Ela me ligou duas vezes. Não atendi. Quando cheguei ao hospital, já era tarde.

A voz dele perdeu a firmeza.

— Eu daria tudo para atender aquelas ligações.

Marina sentiu um aperto no peito.

— Não posso dizer que entendo sua dor. Mas vejo o que o senhor está fazendo agora. As meninas ainda precisam de você, Dante.

Ele ergueu os olhos. Era a primeira vez que ela o chamava pelo nome sem o tratamento formal. Marina percebeu e corou.

— Desculpe. Senhor Montenegro.

— Dante está bom — respondeu ele, quase num sussurro.

A cozinheira entrou para buscar uma travessa e os dois se afastaram, constrangidos. Ainda assim, algo havia mudado. Não era apenas gratidão. Era a descoberta de que podiam conversar sem que um deles precisasse vencer o outro.

No fim da tarde, Célia chamou Marina discretamente à antiga suíte de Helena. Sobre a cama havia uma caixa de madeira e o caderno de capa azul.

— Dona Helena me pediu para guardar algumas coisas para as meninas — explicou. — Nunca imaginei que precisaria olhar o restante.

Marina hesitou.

— O senhor Dante sabe que estamos aqui?

— Sabe da caixa, mas não teve coragem de abri-la. Eu não queria desrespeitar a memória dela. Só que ouvi uma conversa de Verônica ontem.

Célia relatou a frase sobre “aquela noite”. Marina ficou séria. Abriu o caderno com cuidado. As primeiras páginas traziam anotações sobre a gravidez, listas de nomes e pequenas cartas para Sofia e Lívia.

“Hoje elas mexeram tanto que Dante ficou com medo de encostar na minha barriga”, escrevera Helena. Marina sorriu, imaginando o homem rígido diante da esposa grávida.

Algumas páginas depois, o tom mudava. Helena descrevia discussões com Verônica, documentos de uma empresa e visitas inesperadas do médico Henrique. Não havia acusações completas, apenas dúvidas que pareciam crescer a cada dia.

Marina virou mais uma folha. Encontrou uma anotação sobre um remédio cujo aspecto havia mudado. Helena escrevera que pretendia perguntar ao médico, mas ele insistira que a alteração era normal.

— Isso pode significar muita coisa — disse Marina.

— Eu sei — respondeu Célia. — Por isso precisamos ter cuidado.

As duas ouviram passos no corredor e fecharam o caderno. Era Dante, procurando uma manta que Helena costumava usar. Ele parou diante da caixa aberta.

— Vocês encontraram alguma coisa?

Marina sentiu o coração acelerar. Queria contar tudo, mas viu a maneira como Dante tocou o vestido azul da esposa. Ele parecia à beira de desabar.

— Encontramos lembranças das meninas — respondeu Célia. — E algumas anotações que precisamos organizar.

Dante pegou uma pequena sapatilha de bebê e sorriu com tristeza.

— Ela comprou isso antes de saber que seriam duas meninas. Depois voltou à loja e comprou outra igual.

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Marina observou o carinho com que ele segurava o objeto. Decidiu ler o caderno inteiro antes de apresentar suspeitas que poderiam reabrir uma ferida sem necessidade.

Antes de se recolher, Dante passou pelo quarto das meninas. Encontrou uma pequena anotação de Marina sobre a mamadeira de Lívia e o horário da próxima troca. A letra redonda e cuidadosa contrastava com os relatórios que ele recebia no escritório.

Ele guardou o papel no bolso sem perceber. Depois se sentou ao lado de Sofia e falou baixinho sobre Helena. Contou que a mãe delas gostava de chuva, odiava café frio e sempre esquecia onde deixava as chaves.

A menina observou o rosto dele por alguns instantes e bocejou. Dante permaneceu ali até ela adormecer. Quando saiu, viu Marina no corredor e agradeceu por não ter deixado a fotografia de Helena desaparecer da rotina das filhas.

Marina percebeu que contar a verdade sobre o diário seria ainda mais difícil do que imaginara.

Célia também lhe mostrou uma carta de Helena destinada às filhas. Não havia segredos naquela folha, apenas desejos simples: que aprendessem a nadar, que conhecessem o mar e que nunca sentissem vergonha de chorar. Marina dobrou a carta com cuidado. Aquela mulher não podia ser reduzida a um mistério policial.

Naquela noite, quando a mansão adormeceu, Marina voltou à antiga suíte com a permissão de Célia. Sentou-se perto da luminária e examinou as últimas páginas do diário.

Uma folha estava dobrada ao meio. Ao abri-la, encontrou uma frase escrita com letras apressadas, diferente da caligrafia tranquila das páginas anteriores.

“Se alguma coisa acontecer comigo, não confiem em Verônica.”

Marina leu uma segunda vez. Lá fora, o vento sacudiu a janela. Ela fechou o caderno devagar, compreendendo que a mulher que fizera as gêmeas rir talvez tivesse acabado de encontrar o segredo mais perigoso daquela casa.

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