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"A BABÁ IMBATÍVEL DO CHEFE DA MÁFIA" Capítulo 5 — A Babá Escolhida

正文开头

Elisa releu a frase três vezes.

— Meu acidente não foi um acidente.

Rafael confirmou que a caminhonete responsável pela colisão usava placas clonadas. As câmeras de uma avenida próxima mostravam o veículo seguindo Elisa desde a universidade.

Dante fechou a mão em torno da fotografia.

— Alguém sabia quem você era.

— Nem eu sabia o que conseguiria ouvir.

— Talvez não soubessem da habilidade. Talvez conhecessem sua formação e precisassem de alguém capaz de identificar os ataques.

Elisa pensou na mãe. Professora de enfermagem, Lúcia Nogueira trabalhara durante anos em hospitais públicos e pesquisara reações de bebês incapazes de verbalizar dor.

Antes de morrer, deixara caixas de anotações que Elisa nunca conseguira organizar.

— Minha mãe estudava comunicação pré-verbal — explicou. — Ela acreditava que adultos ignoravam sinais físicos porque esperavam palavras.

— Onde estão os arquivos?

— Num depósito alugado na Vila Mariana.

Dante ordenou que Rafael os buscasse. Elisa insistiu em ir junto.

No depósito, encontraram a porta arrombada. As caixas permaneciam ali, mas alguém retirara pastas específicas. No chão havia uma fotografia antiga de Lúcia ao lado de uma mulher elegante.

Dante reconheceu a mulher.

— Minha mãe.

Elisa virou a foto. A data era de vinte e cinco anos antes, no Hospital das Clínicas.

— Elas se conheciam.

Entre os papéis restantes, havia um projeto chamado Rede Aurora. A proposta unia psicologia, pediatria e tecnologia para detectar sofrimento em crianças pequenas por expressões, frequência cardíaca e padrões de movimento.

Uma fita cassete estava presa à contracapa. Rafael encontrou um gravador antigo na portaria. Na voz enfraquecida, Lúcia dizia que crianças de famílias influentes apresentavam sintomas semelhantes depois de visitas dos mesmos consultores patrimoniais.

Ela não citava nomes, mas descrevia um homem jovem com uma cicatriz perto da orelha. Dante reconheceu a marca de Álvaro, resultado de um acidente na adolescência. A gravação provava que o primo já circulava perto da pesquisa muito antes de Catarina nascer.

Elisa guardou a fita junto ao corpo. Pela primeira vez, tinha uma prova ligada à voz da mãe, não apenas uma lembrança.

O financiamento inicial viera da Fundação Montenegro.

— Sua família financiava o trabalho dela — disse Elisa.

— Meu pai cancelou dezenas de projetos depois que minha mãe morreu.

— Por quê?

— Ele dizia que caridade tornava pessoas vulneráveis.

Elisa encontrou uma anotação manuscrita:

“Se algo acontecer comigo, proteger os dados. Crianças de famílias poderosas estão sendo medicadas para alterar decisões de herança.”

A pesquisa de Lúcia não era apenas acadêmica. Ela descobrira o mesmo padrão que agora atingia Catarina.

Rafael recebeu uma ligação e se afastou.

Quando voltou, parecia tenso.

— Paulo acordou no hospital.

— Quem o contratou? — perguntou Dante.

— Ele aceita falar apenas com Elisa.

No hospital, Paulo estava algemado à cama e protegido por dois policiais comprados pela família. Seu rosto perdeu a cor quando Elisa entrou.

— Disseram que você morreria na estrada — murmurou.

正文1

— Quem disse?

— Uma mulher me pagou para colocar o sedativo. Mas ela recebia ordens de um homem.

— Verônica?

Paulo fechou os olhos.

— Não posso dizer.

Dante aproximou-se, mas Elisa levantou a mão.

— Deixe-me falar.

Ela sentou-se ao lado da cama.

— Você tem uma filha chamada Manuela. Tem seis anos e mora em Osasco.

Paulo arregalou os olhos.

— Como sabe?

— Rafael verificou. A pessoa que ameaça Catarina também sabe. Se continuar protegendo esse grupo, sua filha será usada quando você deixar de ser útil.

Paulo começou a chorar.

— Álvaro procurou minha esposa. Disse que cancelaria as dívidas se eu obedecesse. Verônica entregava os frascos e apagava as câmeras.

Dante ficou imóvel.

— Meu primo.

— Ele quer declarar Catarina incapaz — continuou Paulo. — Se a criança tiver sequelas, Álvaro assume a administração do patrimônio até ela completar dezoito anos.

— E por que trouxeram Elisa?

— Verônica descobriu os estudos da mãe dela. Queria saber quanto Elisa conhecia. Mandaram provocar o acidente e levá-la para outro lugar. O carro desviou e bateu no muro da mansão.

Elisa sentiu o estômago revirar.

Não fora destino que a colocara diante de Catarina. Fora um sequestro fracassado.

Um alarme tocou no corredor. As luzes se apagaram.

Dante puxou Elisa para trás da cama. Rafael entrou armado, enquanto passos corriam do lado de fora.

Quando a energia voltou, Paulo estava sem respirar. O tubo de oxigênio havia sido desconectado por alguém vestido como enfermeiro.

O corredor estava vazio.

— Ele acabou de dar os nomes — disse Elisa. — Agora vão atacar antes que possamos provar.

Dante telefonou para a mansão.

Ninguém respondeu na ala infantil.

Eles correram de volta.

Os portões estavam abertos. Dois seguranças jaziam desacordados. O quarto de Catarina estava vazio, e a janela do corredor balançava com o vento.

Sobre o berço havia uma fita vermelha.

Elisa a tocou e ouviu um eco de medo, como se a ausência da menina ainda tivesse voz.

“Escuro. Carro. Mulher.”

— Catarina está viva — disse.

Dante segurou seus ombros.

— Onde?

— Num carro. Com uma mulher. Ela está no escuro.

Rafael encontrou marcas de pneu na saída de serviço. As câmeras externas mostravam um utilitário preto seguindo rumo à Marginal Pinheiros.

Dante mobilizou homens, carros e contatos policiais. Tomás Valença soube do sequestro e ofereceu acesso às câmeras do porto e das rodovias.

— Não quero favores dele — disse Dante.

— Não é hora para ciúme — respondeu Elisa.

— Não é ciúme.

— Ótimo. Então aceite.

Tomás localizou o utilitário entrando num antigo frigorífico no Jaguaré. Dante preparou uma invasão, mas Elisa exigiu participar.

— Você fica no carro.

— Catarina pode avisar o que está acontecendo.

— Pode avisar você de longe?

— Não sei.

— Então não vou arriscar sua vida baseado numa habilidade que nem compreendemos.

Elisa se aproximou.

— E vai arriscar a vida dela sem a única pessoa que consegue ouvi-la?

Dante cedeu com uma condição: Elisa usaria colete e permaneceria atrás de Rafael.

No frigorífico, o frio cortava a pele. Encontraram brinquedos, mamadeiras e documentos de outras crianças. O lugar funcionava como centro clandestino para fabricar provas médicas e manipular heranças.

Elisa ouviu Catarina.

“Barulho. Água. Luz piscando.”

— Ela está perto de uma máquina e de água corrente.

Rafael apontou para a antiga sala de refrigeração, onde tubulações vazavam. A luz do corredor piscava sobre a porta de metal.

Dante derrubou a fechadura.

Catarina estava dentro de uma caixa de transporte acolchoada. Verônica permanecia ao lado, segurando uma seringa.

— Mais um passo e ela recebe a dose inteira — ameaçou a governanta.

Dante ergueu a arma.

— Você cuidou de mim quando eu era criança.

— Eu construí esta família enquanto sua mãe distribuía dinheiro a estranhos. E você entregou minhas chaves a uma estudante endividada.

Elisa avançou devagar.

— Verônica, Catarina está com frio. Deixe-me cobri-la.

— Pare.

“Agulha mão. Morde.”

Catarina olhou para Elisa.

Elisa entendeu.

— Agora, Catarina.

A menina mordeu a mão de Verônica. A seringa caiu. Dante disparou contra a lâmpada, mergulhando a sala em escuridão, e Rafael derrubou a governanta.

Elisa abriu a caixa e recebeu Catarina nos braços.

A criança parou de chorar imediatamente.

Dante se ajoelhou diante das duas. Tocou o rosto da filha, depois o de Elisa, como se precisasse confirmar que estavam vivas.

— Acabou — disse ele.

Elisa olhou para Verônica algemada.

— Não. Álvaro ainda está livre.

Do bolso da governanta, Rafael retirou um convite dourado.

Era para uma reunião das sete famílias mais poderosas do submundo paulista.

No centro, havia uma única frase:

“Eleição do novo guardião dos herdeiros.”

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