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"A BABÁ IMBATÍVEL DO CHEFE DA MÁFIA" Capítulo 4 — A Regra Que Dante Quebrou

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Dante passou a manhã no chão do quarto infantil.

Nenhum funcionário acreditaria naquela imagem. O chefe dos Montenegro, cercado por blocos coloridos, tentava compreender por que Catarina oferecia uma peça amarela a Elisa e atirava uma azul contra ele.

— Ela prefere amarelo — concluiu Dante.

— Ela prefere que o senhor pare de transformar brincadeiras em testes.

— Como sabe?

— Porque está franzindo a testa toda vez que o senhor pergunta se acertou.

Catarina bateu palmas.

“Papai devagar.”

Elisa entregou um bloco a Dante.

— Não tente vencer. Apenas acompanhe.

Ele encaixou a peça onde a filha indicou. Catarina riu pela primeira vez em dias.

O som desarmou Dante mais do que qualquer ameaça.

Elisa percebeu que ele não era incapaz de amar. Apenas aprendera a tratar afeto como uma negociação: oferecia proteção, esperava obediência e confundia medo com segurança.

— Ela precisa de previsibilidade — explicou. — Não de luxo.

— Minha filha terá tudo.

— Tudo não é a mesma coisa que o necessário.

Dante observou a menina.

— E o que é necessário?

— Um pai que permaneça quando ela chora.

A frase atingiu um lugar que ele mantinha escondido.

Naquela tarde, uma comitiva chegou à mansão. Tomás Valença, chamado pela imprensa de banqueiro e pelo submundo de “Rei do Porto”, entrou acompanhado por quatro homens.

Ele controlava rotas de Santos, casas de câmbio e favores de políticos. Até Dante tratava sua presença com cautela.

Tomás tinha trinta e oito anos, cabelos castanhos claros e uma elegância tranquila que escondia poder. Ao ver Elisa, não disfarçou o interesse.

— Então esta é a jovem que ouviu o que ninguém mais ouviu.

Elisa ficou alerta.

— Sou a babá de Catarina.

— Por enquanto.

Dante colocou-se entre os dois.

— Veio discutir negócios, não funcionários.

— Eu vim porque três famílias tiveram crianças adoecendo com sintomas semelhantes. Sedação, alergias, ferimentos pequenos. Todos atribuídos a descuido doméstico.

Tomás abriu uma pasta com laudos.

— Alguém está atacando herdeiros.

Elisa examinou os documentos. As crianças tinham entre seis meses e quatro anos. Os episódios ocorriam antes de votações internas sobre rotas e territórios.

— Crianças não são o alvo final — disse ela. — São instrumentos para desestabilizar os pais.

Tomás sorriu.

— Exatamente.

Dante não gostou da aprovação.

— Diga o que quer.

— Que Elisa avalie os filhos das outras famílias.

— Não.

— Não perguntou a ela.

— Ela está sob minha proteção.

Elisa fechou a pasta.

— Proteção não é propriedade.

Dante voltou-se para ela.

— Fora desta casa, você será um alvo.

— Dentro dela já atiraram pela janela.

Tomás riu baixo.

— Gosto dela.

— Isso pode ser perigoso — respondeu Dante.

— Para quem?

O ar ficou pesado.

Elisa interrompeu antes que a rivalidade avançasse.

— Vou avaliar as crianças se o atendimento acontecer em local neutro, com médicos e responsáveis presentes.

正文1

Tomás ofereceu o centro social mantido por sua família em Santos. Dante recusou. Elisa sugeriu uma antiga escola desativada pertencente a uma fundação independente.

O encontro foi marcado para dois dias depois.

Verônica encontrou Elisa sozinha na lavanderia.

— Está se sentindo importante?

— Estou trabalhando.

— Homens como Dante e Tomás não se interessam pelo seu diploma.

— Ainda bem. Meu diploma também não se interessa por eles.

Verônica segurou o braço dela.

— Não confunda desejo com respeito.

Elisa soltou-se.

— E a senhora não confunda tempo de serviço com poder sobre a vida de uma criança.

Na noite anterior ao encontro, Catarina recusou o banho. Chorou ao ver a banheira e agarrou-se ao pescoço de Elisa.

“Água quente. Arde. Mulher põe.”

Elisa verificou a temperatura. Estava correta. Depois examinou os produtos e encontrou um frasco de sabonete com lacre violado.

O conteúdo tinha cheiro quase imperceptível de pimenta.

Dante foi chamado. Verônica afirmou que a auxiliar da lavanderia reabastecera o frasco. A jovem negou e começou a chorar.

— Tranquem-na — ordenou Dante.

— Não — disse Elisa.

— Encontramos o frasco na seção dela.

— Encontraram exatamente onde seria fácil culpar alguém.

Dante avançou.

— Você quer que eu espere outro ataque?

— Quero que o senhor pense.

— Pensar demais enterra pessoas.

— Agir sem prova também.

A auxiliar, Janaína, mostrou as mãos. Tinha dermatite grave e usava luvas próprias para qualquer produto de limpeza. O frasco contaminado não apresentava marcas dessas luvas, apenas digitais parciais.

Elisa pediu acesso às câmeras. Faltavam onze minutos de gravação.

Rafael descobriu que a senha de exclusão pertencia a Verônica.

A governanta não se abalou.

— Minha senha é usada por três supervisores.

— A partir de agora, não é usada por ninguém — decidiu Dante.

Ele retirou de Verônica as chaves da ala infantil.

— Está me rebaixando por causa de uma estranha?

— Estou corrigindo uma falha por causa da minha filha.

Verônica fitou Elisa com ódio.

Na escola desativada, seis famílias chegaram com seus filhos. Homens armados ocuparam os corredores, mas Elisa exigiu que as armas ficassem fora das salas.

— Quer transformar criminosos em pais obedientes? — perguntou Tomás.

— Quero transformar a sala em um lugar onde crianças consigam respirar.

Uma menina de dois anos, filha dos Ferraz, chorava sempre que o pai se aproximava. O homem se ofendeu e disse que ela era ingrata.

Elisa percebeu um detalhe: o relógio dele emitia um alarme ultrassônico de rastreamento.

— Tire o relógio.

Assim que o objeto saiu da sala, a menina parou de chorar.

Outro bebê se recusava a engatinhar. Elisa encontrou uma etiqueta plástica rígida costurada na roupa, ferindo a coluna. Um menino de três anos tinha crises perto da babá porque ela usava o mesmo creme medicinal da enfermeira que o submetera a procedimentos dolorosos.

Em poucas horas, Elisa resolveu problemas que médicos e empregados ignoravam havia semanas.

正文2

Ela também recusou transformar o encontro num espetáculo. Quando um chefe tentou filmar a avaliação do filho para divulgar nas redes, Elisa cobriu a câmera com a mão e exigiu que apagasse o vídeo. Crianças não seriam usadas para construir a reputação dela.

Essa atitude impressionou as mães presentes. Duas haviam permanecido caladas durante toda a reunião, acostumadas a serem excluídas das decisões familiares. Elisa entregou a elas cópias dos protocolos e determinou que nenhuma mudança de tratamento aconteceria sem o consentimento de quem cuidava diariamente das crianças.

Uma das mães, Renata Ferraz, segurou a mão de Elisa antes de partir. Confessou que suspeitava havia meses dos remédios prescritos ao filho, mas o marido a chamava de histérica. Elisa prometeu revisar os laudos sem expor a mulher.

A aliança silenciosa entre mães e cuidadoras seria mais difícil de comprar do que qualquer segurança armado.

Os chefes começaram a chamá-la de “babá imbatível”.

Tomás entregou-lhe um cartão preto.

— Venha trabalhar para mim. Triplico qualquer valor que Dante esteja pagando.

Dante tomou o cartão antes que Elisa respondesse.

— Ela não está disponível.

— Outra vez decidindo por ela?

Elisa arrancou o cartão da mão de Dante e o devolveu a Tomás.

— Não estou à venda para nenhum dos dois.

Tomás sorriu.

— Essa foi a resposta mais cara que ouvi este ano.

No estacionamento, Dante segurou a porta do carro para Elisa.

— Você gostou da proposta.

— Gostei de ser consultada.

— Ele quer usar sua habilidade.

— E o senhor não?

Dante não respondeu.

Quando chegaram à mansão, Rafael os esperava com um envelope recuperado do carro acidentado de Elisa.

Dentro havia fotografias dela saindo da universidade, visitando o hospital e pagando contas.

As imagens tinham sido tiradas antes do acidente.

No verso da última fotografia, alguém escrevera:

“A mulher certa ouvirá a criança. Tragam-na viva.”

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