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"A BABÁ IMBATÍVEL DO CHEFE DA MÁFIA" Capítulo 3 — A Mamadeira Envenenada

正文开头

Elisa não tocou na mamadeira com as mãos nuas.

Usou um pano limpo para colocá-la dentro de um recipiente de vidro e chamou Rafael. O segurança chegou acompanhado por dois homens armados, mas o invasor já desaparecera pela escada de serviço.

— Ninguém entra ou sai desta ala — ordenou Rafael.

— Não avise Verônica ainda — pediu Elisa.

— Por quê?

— Porque a pessoa sabia o horário exato da mamadeira. Quero ver quem aparece para perguntar se Catarina bebeu.

Rafael a estudou por um instante.

— Está aprendendo rápido.

— Estou tentando manter uma criança viva.

Dante apareceu usando camisa preta e calça social. Quando viu o recipiente, sua expressão mudou.

— O que colocaram aí?

— Ainda não sei.

Ele pegou o telefone.

— Vou mandar todos os funcionários para o porão.

Elisa segurou o pulso dele.

Rafael e os seguranças ficaram imóveis.

— Se fizer isso, o culpado vai destruir as provas — disse ela. — Precisamos agir como se nada tivesse acontecido.

Dante olhou para a mão dela sobre seu pulso.

Elisa soltou-o imediatamente.

— Desculpe.

— Não peça desculpas por impedir um erro. Só não faça isso quando eu estiver segurando uma arma.

O laboratório particular da família identificou um sedativo veterinário. Em pequena quantidade, deixaria Catarina sonolenta. Em doses repetidas, poderia comprometer a respiração.

Elisa comparou o horário das crises com o diário que começara na chegada. A sonolência surgia sempre depois das trocas de turno. O dado eliminava duas cozinheiras e concentrava a suspeita em quem possuía acesso simultâneo à copa e à ala infantil.

Rafael imprimiu a lista de chaves eletrônicas. Três crachás apareciam nos registros: o de Verônica, o de Álvaro e um cartão antigo registrado em nome de uma enfermeira demitida meses antes. Alguém mantivera aquela credencial ativa deliberadamente.

Rafael bloqueou o cartão e guardou o relatório como prova.

Dante fechou o laudo devagar.

— Quem preparou a fórmula?

— A copeira deixou a água fervida. A lata estava lacrada. A mamadeira ficou sozinha durante três minutos.

— Três minutos bastam para matar alguém.

Elisa montou uma armadilha. Preparou outra mamadeira com água e farinha, deixou-a na copa e anunciou que Catarina beberia depois do banho.

Quinze minutos mais tarde, Verônica entrou.

— A criança já mamou?

Elisa fingiu organizar os panos.

— Ainda não.

— Você deveria manter o horário.

— Atrasos acontecem.

Verônica aproximou-se da mamadeira, mas não a tocou.

— Dante não tolera falhas.

— Ontem ele tolerou uma reação alérgica causada pelo seu perfume.

Os olhos da governanta se estreitaram.

— Cuidado, menina.

Antes que saísse, outra pessoa apareceu: Álvaro Montenegro, primo de Dante e diretor financeiro do grupo. Usava terno cinza claro e um sorriso ensaiado.

— Vim conhecer a mulher que domesticou a pequena fera.

— Catarina não é uma fera — respondeu Elisa.

— Gosto de gente que corrige palavras. Normalmente, custa caro.

正文1

Álvaro tomou a mamadeira da bancada.

— Está fria.

Elisa arrancou-a da mão dele.

— Não toque na alimentação da criança.

— Ordens da nova babá?

— Regras de segurança.

Verônica observou a troca com satisfação discreta.

Álvaro inclinou-se para Elisa.

— Nesta família, regras existem até um Montenegro decidir o contrário.

Dante entrou atrás dele.

— Ela falou que você não toca. Portanto, não toca.

Álvaro recuou.

— Está protegendo uma funcionária contra o próprio primo?

— Estou protegendo minha filha contra qualquer pessoa.

Elisa percebeu que Dante não perguntara por que Álvaro estava ali. Talvez já desconfiasse dele.

Naquela manhã, Catarina se recusou a comer. Empurrou frutas, leite e pão. Elisa ouviu apenas uma repetição aflita:

“Prato azul. Homem azul. Dormir ruim.”

Ela examinou a louça. O prato azul era usado exclusivamente pela criança e apresentava uma película oleosa na borda.

— Troquem toda a louça — determinou Elisa.

Verônica protestou.

— Essa porcelana veio da Itália.

— Então pode voltar para a Itália.

Dante quase sorriu.

O exame encontrou resíduos do mesmo sedativo no esmalte do prato. Alguém planejava expor Catarina aos poucos, alternando objetos para não criar um padrão evidente.

Elisa reuniu os funcionários e explicou os novos procedimentos. Cada alimento seria registrado, fotografado e provado por dois adultos. Roupas e brinquedos receberiam lacres numerados. Apenas três pessoas teriam acesso ao quarto.

— Isso é uma casa, não um laboratório — reclamou Verônica.

— Para Catarina, virou uma cena de crime.

Dante apoiou Elisa diante de todos.

— Quem desobedecer será tratado como suspeito.

A autoridade dela cresceu naquele instante. As empregadas que antes evitavam seu olhar começaram a fazer perguntas. Uma cozinheira contou que Álvaro visitava a copa fora de hora. Uma arrumadeira revelara ter visto Verônica trocando as meias da bebê.

Elisa não tirou conclusões apressadas. Pediu datas, horários e detalhes. Sabia que medo distorcia memórias, e que acusações sem prova poderiam proteger o verdadeiro culpado.

Durante a tarde, Catarina teve uma crise de irritação. Jogou blocos contra a parede, gritou ao ser colocada no chão e tentou morder Elisa.

“Não chão. Homem vem.”

— Qual homem?

A pergunta escapou em voz alta.

Dante estava na porta.

— Com quem está falando?

Elisa pegou um bloco.

— Com ela.

— Catarina ainda não fala.

— Crianças se comunicam antes das palavras.

— Você respondeu como se tivesse entendido uma frase.

Elisa sustentou o olhar.

— E se eu tiver entendido?

Dante se aproximou da filha. Catarina imediatamente segurou a gola dele e olhou para o corredor.

“Homem azul.”

Um funcionário de manutenção passou usando macacão azul.

Catarina começou a chorar.

Elisa apontou.

— Pare aquele homem.

Dante não perguntou por quê. Fez um gesto, e Rafael alcançou o funcionário antes que ele chegasse à escada.

Dentro da caixa de ferramentas havia um frasco do sedativo.

O homem, chamado Paulo, caiu de joelhos.

— Eu não sabia que era para a criança. Disseram que era um calmante para os cães.

— Quem disse? — perguntou Dante.

Paulo olhou para Verônica, depois para Álvaro. Seus lábios tremeram.

Um disparo atravessou a janela.

Paulo caiu antes de responder.

Dante puxou Elisa e Catarina para trás de uma coluna. Rafael correu para o jardim com os seguranças. O vidro se espalhou sobre o tapete, e as empregadas gritaram.

Elisa protegeu a cabeça da menina com o próprio corpo.

“Papai medo.”

Ela olhou para Dante.

Ele mantinha a arma erguida, mas seus olhos estavam presos em Catarina. A menina não se ferira.

— Ela está bem — disse Elisa.

Dante respirou outra vez.

O atirador escapou, deixando apenas uma cápsula no jardim. Paulo foi levado com vida para o hospital, mas permanecia inconsciente.

Elisa percebeu o alcance da conspiração. Não se tratava de uma governanta ciumenta ou de um funcionário negligente. Alguém possuía homens armados, acesso à casa e interesse em incapacitar a herdeira.

À noite, Dante encontrou Elisa no quarto, arrumando uma pequena mala.

— O que está fazendo?

— Indo embora.

— O contrato não acabou.

— Atiraram em um homem a dois metros de uma criança. Não sou segurança, investigadora nem soldado.

— É a única pessoa que Catarina consegue alertar.

Elisa congelou.

Dante fechou a porta.

— Não sei como faz isso. Mas quando ela olhou para o funcionário, você soube.

— Foi observação.

— Não minta para mim.

— A verdade seria mais difícil de aceitar.

— Experimente.

Elisa hesitou.

Antes que falasse, Catarina começou a chorar no berço. Dante a pegou, e a menina estendeu os braços para Elisa.

“Mulher fica. Papai protege.”

Elisa sentiu os olhos arderem.

— Ela acredita que o senhor pode me proteger.

Dante ficou imóvel.

— Catarina disse isso?

Elisa respirou fundo.

— Não com palavras.

— Então me ensine a ouvi-la.

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