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"A Garçonete Grávida Que Entrou na Mansão do Mafioso" Capítulo 4 — A GRÁVIDA QUE ENTROU NA MANSÃO DO MAFIOSO

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Marina ficou em silêncio depois de ouvir a proposta. Do outro lado da linha, Dante aguardou sem pressioná-la. A ideia de morar na casa de um homem que conhecera havia poucos dias parecia absurda.

— Eu não posso simplesmente me mudar para sua mansão.

— Não precisa decidir agora.

— E minha mãe?

— Ela também seria bem-vinda. Ou podemos encontrar outro lugar, se vocês preferirem.

Marina prometeu pensar. Passou a tarde conversando com Dona Lúcia, que inicialmente recusou a possibilidade por orgulho. Camila, porém, lembrou às duas que a ameaça não era imaginária.

— Vocês podem aceitar proteção sem entregar a vida de vocês a ninguém — argumentou a amiga.

Naquela noite, o portão do prédio apareceu danificado. Um vizinho relatou ter visto um homem desconhecido tentando entrar. Marina registrou o episódio e telefonou para Rafael.

No dia seguinte, aceitou temporariamente a oferta de Dante, estabelecendo condições: sua mãe teria privacidade, ela continuaria responsável pelas próprias decisões e ambas poderiam sair quando quisessem.

— Concordo com tudo — respondeu Dante. — Vou pedir que preparem dois quartos.

A mansão Montenegro ficava no Morumbi, atrás de um portão de ferro e de um jardim cuidadosamente mantido. Marina desceu do carro devagar, segurando uma bolsa pequena e a pasta de exames.

Helena a esperava na entrada.

— Finalmente! Preparei chá e biscoitos. Você deve estar cansada.

— Você não precisava se preocupar.

— Eu quero me preocupar. É diferente.

Dona Lúcia observou o hall amplo, as escadas de mármore e os quadros nas paredes. Parecia receosa de tocar em qualquer coisa.

Dante apareceu sem gravata, com as mangas da camisa dobradas.

— Sejam bem-vindas. Aqui ninguém precisa pedir licença para beber água ou sentar no sofá.

Marina riu pela primeira vez desde o baile.

— Isso foi uma tentativa de me deixar à vontade?

— Foi tão ruim assim?

— Um pouco.

Helena soltou uma gargalhada. Dante aceitou a derrota com um sorriso discreto.

Os quartos ficavam no térreo, para evitar escadas. O de Marina tinha uma janela voltada para o jardim e uma poltrona confortável. Ela encontrou sobre a cama um conjunto de toalhas e um bilhete escrito por Helena.

Fique o tempo que precisar. Sem obrigações.

Marina passou os dedos pelo papel. Não estava habituada a receber gentilezas sem que alguém cobrasse algo depois.

Durante o almoço, Dante perguntou quais alimentos ela preferia. Marina disse que gostava de arroz, feijão, frango e salada, e que não precisava de pratos elaborados.

— Excelente — respondeu ele. — É o que eu mais como quando estou em casa.

Helena ergueu uma sobrancelha.

— Quando você está em casa, o que acontece duas vezes por mês.

Dante lançou à irmã um olhar fingidamente severo. Marina riu de novo.

Nos dias seguintes, a rotina mudou lentamente. Dona Lúcia passou a cuidar de algumas plantas do jardim por prazer, não por obrigação. Marina continuou acompanhando sua situação trabalhista com orientação jurídica independente.

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Dante cumpriu a promessa de não interferir sem autorização. Quando um advogado sugeriu uma negociação, apresentou as opções e deixou que Marina escolhesse como proceder.

Ela também insistiu em manter contato com Camila e em pagar pequenas despesas pessoais com suas economias. Dante não discutiu. Percebeu que aquela independência fazia parte de quem ela era.

Uma tarde, Marina tentou carregar uma caixa de livros para o quarto. Dante apareceu no corredor e a encontrou equilibrando o volume contra o quadril.

— A médica não pediu repouso relativo?

— Pediu para evitar esforço. Essa caixa nem é tão pesada.

Ele pegou a caixa depois de perguntar se podia ajudar.

— Para onde?

— Perto da janela.

Dante colocou os livros no lugar indicado. Entre eles havia romances antigos, um caderno de receitas e um álbum com fotografias de Marina criança.

— Você gosta de ler?

— Quando consigo. Minha mãe dizia que livro era a única viagem que cabia no nosso orçamento.

— Ela parece sábia.

— É. E muito teimosa.

— Conheço alguém parecido.

Marina percebeu o olhar divertido dele e fingiu indignação.

Naquela noite, Helena mostrou a Marina um quarto que poderia ser usado como espaço para o bebê. Não havia móveis novos, apenas paredes claras e uma janela ensolarada.

— Não estou dizendo que você precisa ficar aqui até ele nascer — explicou Helena. — Só achei que gostaria de ver.

Marina entrou devagar. Imaginou um berço perto da parede, roupas pequenas dobradas numa gaveta, uma luminária acesa durante as madrugadas.

A emoção chegou sem aviso.

— Eu tinha planejado tudo com Eduardo — confessou. — Ele prometeu montar o berço. Depois foi embora e levou até as ferramentas.

Helena apertou sua mão.

— Sinto muito.

— Não quero que meu filho cresça achando que foi abandonado porque havia algo errado com ele.

Mais tarde, quando a casa estava silenciosa, Marina voltou sozinha ao quarto vazio. Sentou-se na poltrona e acariciou a barriga.

— Você vai ser muito amado — sussurrou. — Mesmo que sejamos só nós dois.

Dante vinha do escritório quando ouviu sua voz. Parou diante da porta entreaberta, sem querer interromper. Marina continuou falando com o bebê.

— Talvez eu não consiga dar tudo o que queria. Mas vou estar aqui. Sempre.

Dante sentiu um aperto no peito. Lembrou-se de como o próprio pai, apesar de severo, nunca faltara quando Helena precisou dele.

Bateu levemente à porta.

— Posso entrar?

Marina enxugou os olhos.

— Pode.

Ele permaneceu perto da entrada.

— Helena me disse que você gostou do quarto.

— Gostei. Só não quero criar expectativas.

— Não precisa decidir nada hoje.

Marina olhou para ele.

— Você sempre fala assim? Como se tudo pudesse esperar?

— Não. Estou aprendendo.

A sinceridade a surpreendeu. Dante se sentou numa cadeira próxima, mantendo uma distância respeitosa.

— Minha vida inteira foi feita de decisões rápidas — explicou. — Às vezes esqueço que as pessoas não são problemas que eu possa resolver com uma ordem.

— Pelo menos você percebeu.

Ele sorriu. Conversaram sobre infância, sobre os sonhos de Marina de estudar enfermagem e sobre a dificuldade de Dante em separar trabalho e família.

Quando ela bocejou, ele se levantou.

— Precisa descansar.

— Agora parece uma ordem.

— Foi uma sugestão muito mal formulada.

Marina riu. Dante saiu sentindo algo novo e desconcertante: vontade de voltar no dia seguinte apenas para ouvir aquela risada.

Na manhã seguinte, a tranquilidade terminou. Um carro prateado parou diante da mansão. Verônica Albuquerque desceu usando óculos escuros e um vestido impecável.

O segurança informou que Dante não estava disponível. Verônica ergueu o queixo.

— Conheço esta casa há anos. Não preciso de convite.

Helena apareceu no hall, surpresa com a visita. Antes que pudesse impedir, Verônica avistou Marina descendo pelo corredor, com uma das mãos apoiada na barriga.

A herdeira tirou lentamente os óculos.

— Então é verdade — disse, com um sorriso gelado. — A garçonete grávida agora mora aqui.

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