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"A Garçonete Grávida Que Entrou na Mansão do Mafioso" Capítulo 3 — O BEBÊ QUE NINGUÉM QUERIA PROTEGER

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Marina releu a ameaça três vezes. Dona Lúcia percebeu a mudança em seu rosto e perguntou o que havia dentro do envelope. A filha tentou esconder o papel, mas a mãe já estava perto demais.

— Quem mandou isso?

— Não sei, mãe.

Dona Lúcia pegou a fotografia. Seus dedos começaram a tremer.

— Hospital Santa Aurora — murmurou. — Pensei que aquela história tivesse acabado.

Marina ergueu os olhos.

— Que história?

A mãe demorou a responder. Disse apenas que, naquela noite, vira homens discutindo no corredor administrativo. Um deles usava um crachá de uma empresa ligada à família Albuquerque.

— Por que nunca me contou?

— Porque eu não tinha certeza de nada. E porque fiquei com medo.

Marina sentiu o bebê se mexer. Levou a mão à barriga, tentando controlar a respiração. A médica havia recomendado evitar esforços e estresse, mas o mundo parecia decidido a não lhe dar descanso.

Ela fotografou o envelope e ligou para Camila. A amiga atendeu imediatamente.

— Você precisa chamar a polícia — disse Camila.

— Vou chamar. Só não quero que minha mãe fique sozinha.

Camila se ofereceu para passar a noite no apartamento. Marina então enviou a fotografia a Helena, que telefonou segundos depois.

— Não toque mais no envelope. Rafael pode orientar você sobre como preservar isso para a polícia.

— Não quero envolver seu irmão em outra confusão.

— Marina, alguém está ameaçando você por uma coisa que aconteceu com a minha família. Já estamos envolvidos.

Dante chegou ao prédio acompanhado de Rafael pouco depois. Não entrou sem ser convidado. Marina abriu a porta e encontrou o empresário de camisa escura, sem o paletó impecável da festa.

— Posso entrar?

Ela assentiu. Rafael examinou o envelope sem comprometer possíveis vestígios e recomendou registrar a ameaça formalmente. Também pediu autorização para verificar as câmeras do prédio.

Dante conversou com Dona Lúcia na cozinha. A mulher estava constrangida com os móveis antigos e as rachaduras na parede.

— Desculpe a bagunça.

— Não há nada pelo que pedir desculpas, dona Lúcia.

Ela serviu café em xícaras diferentes. Dante aceitou uma, apesar de raramente beber café à noite.

— Minha filha sempre foi teimosa — disse a mãe. — Quando decidiu doar sangue, eu estava preocupada com meus exames. Ela saiu correndo para ajudar aquela menina.

— Sua filha salvou minha irmã.

— E voltou para casa dizendo que não tinha feito nada demais.

Na sala, Marina ouviu a conversa e sorriu discretamente. O sorriso desapareceu quando o celular vibrou. Era uma mensagem do gerente do hotel: seu contrato seria suspenso até segunda ordem.

Ela mostrou a tela a Camila, que acabara de chegar.

— Isso é injusto! — exclamou a amiga.

— Eu sei. Mas não posso ficar sem receber.

Dante se aproximou.

— Tenho uma equipe jurídica que pode analisar a situação, se você quiser.

— Quero entender meus direitos. Não quero que o senhor compre meu emprego.

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— Combinado.

Marina percebeu que ele começava a aprender a diferença entre oferecer ajuda e decidir por ela.

Rafael voltou do corredor com uma informação preocupante. A câmera da entrada registrara um homem deixando o envelope. O rosto estava parcialmente coberto, mas a placa do carro aparecia quando ele se afastava.

— Vamos pedir que as autoridades verifiquem a identificação — explicou Rafael.

Dante concordou. Não queria transformar a investigação numa vingança particular.

Quando os homens se preparavam para sair, Dona Lúcia os chamou.

— Esperem. Talvez eu tenha uma coisa daquela época.

Ela abriu uma caixa de documentos guardada sobre o armário. Entre receitas médicas e fotografias antigas, havia uma pasta com o nome do Hospital Santa Aurora.

— Eu trouxe alguns papéis para casa porque me entregaram tudo junto depois dos exames — explicou.

Marina examinou as folhas. A maioria eram resultados médicos. Uma página, porém, continha anotações administrativas sobre uma ocorrência rodoviária e um carimbo quase ilegível.

Dante fotografou o documento com autorização de Dona Lúcia.

— Posso pedir que Rafael procure a origem disso?

— Pode. Só quero que minha filha fique segura.

Naquela madrugada, Marina não conseguiu dormir. A cada barulho no corredor, pensava no homem que deixara o envelope. Camila ficou no sofá, e Dona Lúcia descansou no quarto.

Perto das quatro, Marina foi até a cozinha beber água. Encontrou uma mensagem de Dante perguntando se estava tudo bem. Ela hesitou antes de responder.

Estou assustada, escreveu.

A resposta chegou quase imediatamente: Eu entendo. Amanhã vamos conversar sobre medidas de segurança. Você decide o que é melhor para sua família.

Marina encarou a tela por alguns segundos. Havia algo inesperadamente reconfortante em não receber uma ordem.

Na manhã seguinte, ela foi à consulta de retorno acompanhada de Camila. Beatriz avaliou o bebê e reforçou que Marina precisava reduzir o esforço físico. A gestante confessou que talvez perdesse o emprego.

— Vamos documentar as restrições médicas e conversar sobre seus direitos trabalhistas — disse a médica. — Você não deve enfrentar isso sozinha.

Marina saiu da consulta mais tranquila, mas encontrou Eduardo Ferraz esperando perto da recepção.

O antigo namorado usava uma camisa bem passada e um sorriso que ela conhecia demais.

— Marina. Precisamos conversar.

Ela parou a uma distância segura.

— Você desapareceu quando contei da gravidez.

— Eu estava confuso.

— Você bloqueou meu número.

Eduardo olhou para sua barriga.

— Sou o pai. Tenho direito de saber como meu filho está.

— Podemos tratar das suas responsabilidades de forma adequada. Mas não vou conversar aqui, nem sozinha.

Camila se colocou ao lado da amiga. Eduardo perdeu o sorriso por um instante.

— Andou fazendo amizade com gente poderosa, não é?

Marina franziu a testa.

— O que você sabe sobre isso?

— Todo mundo viu as notícias.

Ele se afastou antes que ela perguntasse mais. Camila acompanhou Marina até o carro, preocupada com a coincidência.

À tarde, Rafael ligou para Dante com o resultado preliminar da análise da câmera. O veículo usado para entregar a ameaça havia sido visto minutos antes na garagem de um prédio comercial de Otávio Albuquerque.

— Ainda precisamos confirmar quem dirigia — alertou Rafael.

— Confirme tudo. E envie o material à polícia.

Dante desligou e olhou pela janela de seu escritório na Faria Lima. A lembrança da mensagem de Otávio voltou com força.

O empresário Albuquerque não estava apenas tentando proteger a filha de um escândalo. Alguém queria impedir que Marina falasse sobre uma noite que ela mal compreendia.

Naquele momento, Dante tomou uma decisão. Não permitiria que ela continuasse exposta, mas também não repetiria o erro de tratar sua vontade como irrelevante.

Ele pegou o celular e ligou para Marina.

— Preciso fazer uma proposta. Você pode recusar.

— Que proposta?

— Um lugar seguro para você e sua mãe, enquanto a polícia investiga.

Marina olhou para o apartamento pequeno, para a porta frágil e para o berço desmontado no canto da sala.

— Onde?

Dante hesitou apenas um segundo.

— Na minha casa.

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