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"A Garçonete Grávida Que Entrou na Mansão do Mafioso" Capítulo 1 — O TAPA QUE SILENCIOU O SALÃO

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O tapa estalou no salão do Hotel Imperial Paulista antes que a orquestra terminasse a música. Marina Oliveira cambaleou, protegendo instintivamente a barriga de sete meses. A bandeja escapou de seus dedos e seis taças se despedaçaram no mármore.

Por um instante, ninguém se moveu. Os convidados da noite beneficente observavam a garçonete de uniforme preto, o rosto ardendo, enquanto Verônica Albuquerque examinava uma gota de champanhe na própria luva.

— Olha o que você fez com meu vestido!

Marina respirou fundo. Havia passado onze horas em pé e sentia as costas latejarem. Precisava daquele emprego. Precisava pagar o aluguel e comprar os medicamentos de sua mãe.

— Me desculpe, senhora. Vou limpar tudo.

— É o mínimo. Gente como você devia agradecer por estar aqui.

Uma mulher de pérolas desviou os olhos. Um empresário fingiu atender ao celular. Ninguém queria contrariar a filha de Otávio Albuquerque, o homem que financiava hospitais e campanhas políticas em São Paulo.

Marina se agachou com dificuldade. Um caco cortou a ponta de seu dedo. Ela não reclamou. Só procurou o crachá, que havia se desprendido quando caiu.

Um sapato preto parou diante do plástico rachado.

O salão pareceu prender a respiração. Dante Montenegro havia deixado a mesa dos patrocinadores. Aos trinta e sete anos, controlava hotéis, imóveis e operações portuárias. Sua fortuna era pública; os rumores sobre seus negócios, não.

Dante se ajoelhou para recolher o crachá. Os fotógrafos ergueram as câmeras. Aquele homem não se curvava diante de ninguém, muito menos durante um evento de gala.

Ele leu o nome duas vezes.

MARINA OLIVEIRA.

— Seu nome é Marina?

Ela levantou os olhos, desconfiada.

— Sim, senhor.

Dante observou seu rosto, como se buscasse alguma lembrança escondida entre os anos. Depois viu a marca vermelha em sua bochecha e a pequena mancha de sangue no dedo.

— Quem bateu em você?

Marina olhou rapidamente para Verônica. Não precisava responder.

— Dante, foi um acidente — disse a herdeira. — Essa funcionária quase derramou bebida em mim.

— Eu vi o que aconteceu.

Verônica abriu um sorriso impaciente.

— Então sabe que a direção precisa substituí-la.

Dante ignorou a sugestão. Pediu um prendedor novo a Rafael Costa, seu chefe de segurança, e devolveu o crachá à garçonete sem encostar na barriga dela.

— Consegue ficar de pé?

— Consigo.

Ele ofereceu a mão. Marina hesitou antes de aceitá-la. O gesto simples pareceu escandalizar mais os convidados do que a agressão.

Dante se voltou para Verônica.

— Peça desculpas.

— Como é?

— Você me ouviu.

A herdeira riu, olhando ao redor em busca de apoio.

— Não vou pedir desculpas a uma empregada.

— Ela é uma pessoa. E você acabou de agredir uma mulher grávida.

Otávio Albuquerque surgiu entre os convidados, acompanhado de dois diretores do hotel.

— Montenegro, podemos resolver isso discretamente.

— Discretamente foi como todos vocês assistiram ao tapa sem fazer nada.

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O silêncio ficou ainda mais pesado. Marina desejou desaparecer. Não estava acostumada a ser defendida, muito menos por alguém capaz de intimidar aquela multidão.

— Não precisa — murmurou. — Eu só quero terminar meu turno.

Dante a encarou com uma tristeza que ela não compreendeu.

— Há oito anos eu procuro você.

Verônica perdeu o sorriso. Otávio parou a poucos passos deles.

— Isso é absurdo — disse Marina. — Nós nunca nos encontramos.

— Talvez você não se lembre de mim. Mas eu nunca esqueci o que fez pela minha família.

Dante respirou lentamente.

— Minha irmã sofreu um acidente numa rodovia durante uma tempestade. Tinha dezessete anos. Precisava de uma cirurgia urgente e de sangue compatível. Os médicos não encontravam doadores suficientes.

A palavra sangue fez Marina sentir um frio na nuca. De repente, lembrou-se do cheiro de antisséptico, da chuva contra as janelas e de uma enfermeira chorando junto ao telefone.

— Uma jovem apareceu no hospital — continuou Dante. — Fez os exames, doou sangue e recusou qualquer pagamento. Quando minha família chegou, ela já tinha ido embora.

Marina levou a mão à boca.

— Hospital Santa Aurora?

Os olhos de Dante brilharam.

— Sim.

— Eu estava acompanhando minha mãe. Uma enfermeira pediu ajuda porque meu tipo sanguíneo era compatível.

Dante assentiu, incapaz de disfarçar a emoção.

— A jovem que você ajudou era Helena Montenegro.

Uma mulher de cabelos escuros atravessou o salão. Helena tinha vinte e cinco anos, mas seus olhos estavam tão assustados quanto os da adolescente que Marina recordava numa maca.

— Você segurou minha mão — disse Helena, chorando. — Antes de me levarem, falou que eu ia ficar bem.

Marina reconheceu aqueles olhos.

— Você acordou? Eu achei que estivesse inconsciente.

— Eu ouvi sua voz.

Helena a abraçou com cuidado, desviando da barriga. Os convidados começaram a cochichar. Alguns que haviam ignorado a agressão agora se aproximavam com sorrisos constrangidos.

Marina sentiu uma mistura de alívio e vergonha. Não queria aplausos por ter feito o que considerava correto.

— Eu só ajudei porque podia.

— E por isso minha irmã está viva — respondeu Dante.

Verônica cruzou os braços.

— Uma doação não transforma ninguém em santa.

Helena se afastou do abraço, indignada.

— Nem dinheiro transforma você numa pessoa decente.

Otávio segurou o braço da filha. Seu rosto tinha perdido a cor. Dante percebeu e o observou por um instante prolongado.

— Senhor Albuquerque, nossa parceria beneficente termina hoje. Amanhã meus advogados formalizarão a decisão.

— Você está exagerando por causa de um mal-entendido — protestou Otávio.

— Não houve mal-entendido. Houve uma agressão diante de testemunhas.

Dante pediu a Rafael que preservasse as gravações do salão. O gerente do hotel, que até então permanecera escondido, prometeu colaborar imediatamente.

Marina tentou dar um passo, mas uma pontada atravessou sua barriga. Ela se apoiou numa cadeira. Helena percebeu primeiro.

— Marina, você está pálida.

— Deve ser cansaço.

Outra dor veio, mais forte. Marina apertou a borda da mesa. Dante se aproximou, alarmado.

— Chame uma ambulância — ordenou a Rafael.

— Não, por favor. Não tenho dinheiro para uma internação particular.

— Agora isso não importa.

— Importa para mim.

Dante se abaixou até ficar à altura de seus olhos.

— Então conversaremos sobre isso depois. Neste momento, precisamos saber se você e o bebê estão bem.

Marina tentou responder, mas sentiu um endurecimento doloroso na barriga. O salão girou diante de seus olhos.

Enquanto Rafael falava com a emergência, Otávio recuou para perto da saída. Verônica o seguiu, furiosa.

— Papai, você vai deixar ele me humilhar?

Otávio não olhou para ela. Observava Marina ser amparada por Dante, como se o nome no crachá tivesse despertado um medo antigo.

— Você não entende o que fez — sussurrou.

— Eu dei um tapa numa garçonete!

— Não. Você colocou aquela mulher diante de Dante Montenegro.

Verônica franziu a testa.

— E daí?

Otávio apertou o celular na mão.

— Se ele descobrir o que aconteceu naquela noite, estaremos acabados.

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