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"A Menina Escondia Algo no Ônibus Escolar Todos os Dias… Até Que o Motorista Descobriu a Verdade!" Capítulo 5 — O Homem Mais Respeitado da Cidade

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Na manhã seguinte, o lugar de Antônio na garagem permaneceu vazio. Alguns colegas evitaram comentar a suspensão; outros lhe enviaram mensagens discretas de apoio. Ele agradeceu sem transformar o caso numa campanha pessoal. A prioridade continuava sendo a segurança de Larissa.

Naquela noite, Célia colocou a pasta de documentos sobre a mesa e preparou sopa. Os irmãos comeram quase em silêncio. Antônio agradeceu a companhia. Célia respondeu que solidariedade não precisava de grandes gestos; às vezes, bastava permanecer por perto enquanto alguém fazia a coisa certa.

Ele decidiu descansar algumas horas antes de atualizar os registros. Precisaria de lucidez para não confundir sua indignação com fatos e para continuar cooperando com quem tinha autoridade para proteger a menina.

Antônio passou parte da tarde consertando uma bicicleta antiga na varanda. Era o tipo de serviço que costumava acalmar seus pensamentos. Mas, a cada giro da roda, imaginava o banco vazio do ônibus e a menina procurando alguém conhecido ao embarcar.

Um dos filhos, Marcelo, apareceu com pão e queijo. Perguntou por que o pai estava em casa naquele horário. Antônio explicou que fora afastado após relatar uma preocupação de segurança envolvendo uma estudante, sem revelar a identidade dela.

— Quer que eu fale com a empresa? — perguntou Marcelo.

— Ainda não. Preciso que tudo seja tratado pelos meios corretos.

Marcelo ficou em silêncio. Depois ofereceu ajuda para organizar os documentos e acompanhar o pai se ele precisasse prestar esclarecimentos. Antônio aceitou. Pela primeira vez, permitiu que alguém dividisse um pouco do peso.

Enquanto guardavam as ferramentas, Marcelo perguntou se o pai estava arrependido de ter se envolvido. Antônio olhou para a bicicleta, agora firme sobre as duas rodas.

— Arrependido eu ficaria se tivesse visto uma criança pedir ajuda e escolhido olhar para outro lado.

Na segunda-feira, Antônio encontrou o encarregado da garagem esperando ao lado de seu ônibus. O homem segurava uma pasta azul e evitava encará-lo.

— Preciso que venha à administração antes de sair.

Na sala, havia um advogado da empresa de transporte. Ele informou que o Colégio Santa Helena recebera uma reclamação formal de Roberto Vasconcelos, acusando o motorista de comportamento inadequado com uma estudante.

— Fiz uma comunicação de preocupação — respondeu Antônio. — Não cometi nenhuma falta contra a menina.

— O senhor precisa compreender que esse contrato sustenta dezenas de empregos — disse o advogado.

Antônio compreendia. Também compreendia que nenhum contrato valia o silêncio diante de sinais de perigo. Pediu uma cópia da reclamação e explicou que já havia procurado canais de proteção.

O advogado não gostou da resposta. Advertiu que novas conversas sobre a família poderiam resultar em afastamento. Antônio afirmou que não discutiria o assunto publicamente, mas cumpriria suas obrigações legais.

Quando finalmente saiu, encontrou Célia esperando no estacionamento. Ela trouxera café numa garrafa térmica e uma pasta com os registros organizados.

— Não quero que você enfrente esse homem sozinho — disse.

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— Eu não quero enfrentá-lo. Quero que Larissa esteja segura.

— Então continue fazendo a diferença entre as duas coisas.

Célia o acompanhou até um serviço de atendimento, onde Antônio atualizou o relato sobre as ameaças e as novas informações comunicadas pela escola. Recebeu orientações para preservar mensagens e procurar a polícia caso houvesse intimidação direta.

Enquanto isso, Roberto participava de um almoço beneficente no centro de Campinas. Fotografias dele com empresários e autoridades locais circulavam nas redes sociais. Seu nome aparecia ao lado de doações à educação e reformas de prédios comunitários.

Na mesa principal, comentou que um funcionário ressentido tentava difamar sua família. Os convidados ouviram com simpatia. Para eles, Roberto era o homem que financiava bolsas de estudo e patrocinava eventos escolares.

Camila viu uma dessas publicações no intervalo e sentiu indignação. Sabia que popularidade não provava inocência nem culpa. Mas também sabia como a reputação do empresário influenciava a disposição da direção para escutar uma adolescente.

A professora procurou novamente Helena e pediu confirmação de que a comunicação anterior fora encaminhada aos órgãos competentes. Helena disse que o assunto estava sob controle, sem apresentar qualquer protocolo.

— Não podemos confundir prudência com silêncio — respondeu Camila.

— Você está colocando sua carreira em risco.

— Prefiro enfrentar uma advertência a ignorar um pedido de ajuda.

Naquela tarde, a direção convocou Camila. O diretor declarou que ela estaria causando instabilidade entre funcionários e pais. A professora manteve a calma e explicou que suas preocupações estavam registradas e haviam sido encaminhadas formalmente.

— O senhor pode avaliar meu trabalho pedagógico — disse. — Não pode me pedir que desconsidere sinais de risco para uma aluna.

Ao sair, Camila encontrou uma mensagem de Patrícia solicitando uma conversa reservada. A mãe escrevera que Larissa estava diferente e que precisava entender o que vinha acontecendo na escola.

Camila respondeu que poderia orientá-la sobre os canais de atendimento, mas que seria importante priorizar a segurança da menina e evitar confrontos precipitados em casa. Não compartilhou detalhes que pudessem comprometer a proteção da estudante.

Na mansão dos Vasconcelos, Roberto percebeu que Patrícia andava distante. Perguntou sobre o trabalho, ofereceu uma viagem e tentou convencê-la a pedir demissão do hospital.

— Você vive exausta. Larissa precisa de uma mãe presente — afirmou.

— Ela precisa que eu a escute — respondeu Patrícia.

Roberto deixou o copo sobre a mesa com força.

— Quem colocou isso na sua cabeça?

Patrícia sustentou o olhar, embora sentisse medo.

— Ninguém. É minha filha.

Ele se afastou sem responder. Pouco depois, telefonou ao diretor do colégio e exigiu providências contra Antônio e Camila. Também pediu que todas as informações sobre Larissa fossem encaminhadas diretamente a ele.

Na manhã seguinte, Antônio recebeu uma notificação de suspensão temporária enquanto a empresa avaliava a reclamação. Entregou as chaves do ônibus, assinou o recebimento do documento e saiu sem discutir com os colegas.

Do lado de fora, encontrou alguns pais esperando. Uma mulher se aproximou e contou que o filho falava com carinho do motorista. Outro ofereceu ajuda para escrever uma manifestação de apoio. Antônio agradeceu, mas pediu que ninguém divulgasse o nome de Larissa.

— A menina não precisa virar assunto de bairro — explicou. — Precisa de proteção.

Célia o levou para casa. Durante o trajeto, Antônio observou os ônibus escolares cruzando a cidade. Pela primeira vez em anos, não estaria ao volante na manhã seguinte.

À noite, Camila telefonou. A voz estava tensa.

— Larissa faltou hoje. A escola recebeu uma justificativa assinada pelo padrasto.

— Patrícia sabe disso?

— Ainda estou tentando confirmar pelos canais adequados.

No segundo dia, Larissa também não apareceu. Patrícia não atendeu às chamadas da escola durante o plantão, e Roberto informou à secretaria que a menina estava indisposta.

Antônio abriu o caderno e encarou a última anotação. O homem que ameaçara sua vida conseguira tirá-lo do ônibus. Agora a adolescente também desaparecera da rotina escolar.

Quando Célia entrou na sala, encontrou o irmão com o telefone na mão.

— Vou comunicar imediatamente a ausência e o histórico aos responsáveis pela proteção — disse ele.

Antes que completasse a ligação, uma mensagem de Camila chegou à tela: havia surgido uma informação sobre a última viagem de Larissa. E ela precisava falar com Antônio com urgência.

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