localização atual: Novela Mágica A Menina Escondia Algo no Ônibus Escolar Todos os Dias… Até Que o Motorista Descobriu a Verdade! Capítulo 4 — A Mãe Que Não Acreditou na Própria Filha
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"A Menina Escondia Algo no Ônibus Escolar Todos os Dias… Até Que o Motorista Descobriu a Verdade!" Capítulo 4 — A Mãe Que Não Acreditou na Própria Filha

正文开头

Patrícia abriu a gaveta onde guardava desenhos antigos de Larissa. Encontrou um cartão de aniversário feito à mão, com as duas abraçadas sob um sol amarelo.

No verso, a filha escrevera que a mãe era seu lugar seguro. Patrícia segurou o papel por muito tempo. Perguntou-se, profundamente angustiada, quando deixara de ser esse lugar.

No hospital, Patrícia sempre ensinava às famílias que ouvir era parte do cuidado. Agora, diante da própria filha, percebia como o medo de descobrir uma verdade dolorosa podia atrapalhar até uma pessoa acostumada a lidar com sofrimento.

A pergunta de Larissa continuava ecoando: você vai acreditar em mim? Patrícia desejou voltar àquele instante e responder sem hesitar.

Antes de conhecer Roberto, Patrícia e Larissa moravam num apartamento pequeno perto do centro. As duas cozinhavam aos domingos e inventavam nomes para as plantas da janela. A menina costumava esperar a mãe acordada, mesmo quando o plantão terminava tarde.

Depois do casamento, mudaram-se para a casa grande do Jardim Chapadão. Havia piscina, jardim e um quarto que parecia cenário de revista. Patrícia acreditou ter oferecido à filha uma vida mais confortável.

Com o tempo, as conversas entre as duas diminuíram. Roberto passou a organizar horários, passeios e atividades. Dizia que Patrícia precisava descansar e que ele cuidaria de tudo. Ela aceitou a ajuda sem perceber quantas decisões deixava de acompanhar.

Naquela madrugada, ao ouvir o choro, Patrícia se lembrou do antigo apartamento. Larissa costumava correr para sua cama depois de um pesadelo. Agora chorava sozinha, atrás de uma porta quase fechada.

Patrícia percebeu que não bastava perguntar se a filha estava bem. Precisava oferecer condições para que a resposta pudesse ser verdadeira, sem medo de interrupções ou punições.

Patrícia Almeida saiu do plantão com os pés doloridos e o telefone cheio de mensagens do marido. Trabalhava como enfermeira no Hospital Santa Clara e havia passado doze horas acompanhando pacientes. Queria chegar em casa, abraçar a filha e dormir.

Roberto a esperava na sala, diante de duas taças de vinho que ninguém tocara.

— Precisamos conversar sobre Larissa — anunciou.

Patrícia largou a bolsa.

— Aconteceu alguma coisa?

— Ela anda inventando histórias sobre mim na escola. Um motorista está alimentando essas fantasias.

A enfermeira franziu a testa. A filha sempre fora reservada, mas não mentirosa. Roberto percebeu a dúvida e mudou de tom.

— Você sabe como adolescentes são. Ela nunca aceitou nosso casamento. Agora quer nos separar.

— Larissa não é assim.

— Então explique por que o colégio está recebendo reclamações.

Patrícia tentou telefonar para a filha, mas Roberto informou que ela estava estudando. Disse também que retirara temporariamente o celular da menina por causa de notas baixas.

— Você deveria ter falado comigo antes — respondeu Patrícia.

— Estou tentando educá-la enquanto você trabalha.

A frase atingiu o ponto mais sensível da mulher. Desde que ficara viúva, anos antes, Patrícia se culpava por passar tantas horas longe de casa. Roberto costumava transformar esse sentimento em argumento para tomar decisões sozinho.

正文1

Na manhã seguinte, Patrícia encontrou Larissa diante do espelho do corredor, ajeitando o uniforme. A menina parecia mais magra. Quando a mãe tentou abraçá-la, ela se encolheu involuntariamente.

— Filha, seu padrasto disse que você anda triste.

— Estou cansada, mãe.

— Aconteceu alguma coisa entre vocês?

Larissa apertou os lábios. Por um instante, Patrícia acreditou que finalmente ouviria a verdade.

— Eu queria... — começou a menina.

Roberto surgiu atrás delas.

— O ônibus está chegando. Não façam a garota se atrasar.

Larissa pegou a mochila e saiu sem terminar a frase. Patrícia permaneceu no corredor, olhando para o marido. Ele sorriu e beijou sua testa, como se tivesse apenas interrompido uma conversa banal.

No hospital, Patrícia não conseguiu se concentrar. Uma colega percebeu seu cansaço e perguntou se estava tudo bem. Ela respondeu automaticamente que sim, depois se surpreendeu com a semelhança entre sua resposta e a da filha.

Durante a pausa, telefonou para a escola. Helena confirmou que havia preocupações sobre o comportamento de Larissa, mas evitou explicar o teor dos relatos. Sugeriu uma conversa com o casal.

— Com nós dois? — perguntou Patrícia.

— É o procedimento habitual.

Patrícia desligou insatisfeita. Se havia algo sério acontecendo com sua filha, por que ninguém lhe falava diretamente? Não percebeu que a resposta exigia avaliar primeiro se o ambiente familiar era seguro.

Naquela tarde, Roberto chegou mais cedo e insistiu em buscar Larissa pessoalmente. A menina viu o carro no portão da escola e parou no meio do pátio. Camila, que observava a saída, aproximou-se sem tocar nela.

— Quer que eu fique aqui enquanto conversamos com a equipe responsável?

Larissa fez que não. Roberto acenou de longe, sorrindo para outros pais. Diante de todos, parecia um homem atencioso.

Em casa, Patrícia preparou o jantar favorito da filha. Roberto falou durante quase toda a refeição, contando sobre contratos e reuniões. Larissa mal tocou na comida. Quando a mãe perguntou se estava doente, o padrasto respondeu por ela.

— Está fazendo drama por causa das provas.

Patrícia pousou o garfo.

— Eu perguntei a ela, Roberto.

O silêncio que se seguiu foi curto, mas estranho. Ele ergueu as mãos num gesto teatral de rendição.

— Como quiser.

Depois do jantar, Patrícia bateu à porta do quarto da filha. Larissa estava sentada na cama, segurando um caderno fechado.

— Podemos conversar sem ninguém interromper?

A menina olhou para a porta.

— Ele sabe que você está aqui?

Patrícia sentiu um arrepio.

— Por que isso importa?

Larissa não respondeu. A mãe se sentou ao lado dela, mas tentou obter respostas depressa demais.

— Você disse alguma coisa na escola sobre Roberto? Está tentando me contar algo?

— Você vai acreditar em mim?

A pergunta deveria ter sido suficiente. Patrícia, porém, ouviu a voz do marido na própria cabeça: fantasias, ciúme, adolescência difícil.

— Eu preciso entender o que aconteceu antes de tirar conclusões.

Larissa baixou os olhos.

— Então esquece.

Patrícia tentou segurar sua mão. A filha a retirou delicadamente. Não havia raiva naquele gesto; havia uma tristeza que a mãe não soube suportar.

Mais tarde, Roberto entrou no quarto do casal e encontrou Patrícia acordada.

— Ela tentou te manipular de novo?

— Não fale assim da minha filha.

Ele ficou imóvel por um instante. Depois assumiu a expressão ferida que costumava usar quando era contrariado.

— Faço tudo por vocês, e recebo desconfiança.

Patrícia não respondeu. Pela primeira vez, percebeu que todas as conversas difíceis terminavam com a necessidade de consolá-lo, nunca com respostas sobre Larissa.

Na madrugada, levantou-se para beber água. Ao passar pelo corredor, ouviu um soluço abafado. A porta do quarto da filha estava entreaberta.

Larissa chorava sentada no chão, abraçada aos joelhos. Não parecia perceber que alguém a escutava.

— Mãe, eu tentei te contar... — repetia baixinho. — Eu tentei.

Patrícia levou a mão à boca. Quis entrar, mas parou quando ouviu passos atrás de si. Roberto estava na outra ponta do corredor, observando-a na penumbra.

— O que você está fazendo acordada? — perguntou ele.

Patrícia olhou novamente para a porta da filha. Pela primeira vez, teve medo da resposta que poderia encontrar dentro daquela casa.

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