"O Bilionário Humilhou a Garçonete na Frente de 500 Convidados… Sem Saber Que Ela Era Campeã de Dança!" Capítulo 4 — O Herdeiro Milionário Se Apaixonou Pela Mulher Que Seu Pai Humilhou
Na manhã seguinte, Marina descobriu que a fama podia chegar antes do café e ser menos agradável que a pobreza.
Seu celular vibrava sem parar. Havia mensagens de antigos colegas, convites para entrevistas e comentários cruéis de pessoas que jamais a tinham conhecido.
Helena Almeida estava sentada à mesa da cozinha, com o telefone nas mãos. A costureira de sessenta e dois anos olhava repetidamente para a imagem da filha dançando.
— Você não me contou que ia fazer isso.
— Nem eu sabia, mãe.
Helena ampliou o vídeo e tocou a tela perto dos pés de Marina.
— E sua perna?
— Está dolorida. Vou marcar uma consulta.
— Prometa que não vai esconder se piorar.
Marina segurou a mão da mãe. Aquelas mãos haviam passado noites inteiras massageando seus dedos quando ela não conseguia sequer levantar da cama.
— Prometo.
O telefone tocou novamente. Era Sônia, a supervisora do buffet. Sua voz soava desconfortável.
— Marina, a gerência pediu para suspender suas escalas até a situação se acalmar.
— Suspender? Eu fiz meu trabalho.
— Eu sei. Disseram que é para evitar exposição da empresa.
Marina encerrou a chamada tentando controlar a raiva. Não receberia pelas festas canceladas. O aluguel venceria em quatro dias, e Helena precisava comprar material para terminar uma encomenda.
— Vou procurar outro buffet — anunciou.
Helena conhecia aquele tom. A filha nunca aceitava que alguém a visse derrotada, mesmo quando o cansaço ameaçava derrubá-la.
Na sede do Grupo Montenegro, Rafael assistia à mesma gravação. Não se concentrava na dança, mas no momento em que Marina apoiara o peso na perna esquerda para esconder a dor.
Sua assistente entrou com um relatório.
— A empresa de eventos suspendeu a funcionária. Recebeu uma orientação informal do departamento de relações institucionais.
— De quem partiu?
— O pedido foi encaminhado pela equipe de Otávio Ferraz.
Rafael franziu a testa. Não havia motivo comercial para um executivo do grupo interferir na escala de uma garçonete.
— Solicite que a empresa cumpra o contrato e explique a suspensão por escrito. Não quero favor. Quero procedimento correto.
Horas depois, Marina recebeu a notícia de que poderia voltar ao trabalho. Descobriu também que Rafael havia questionado a decisão.
Ela foi até o prédio do grupo sem avisar. Encontrou-o saindo de uma reunião.
— Pedi que ninguém resolvesse minha vida por mim — disse, antes mesmo de cumprimentá-lo.
Rafael dispensou o assessor que o acompanhava.
— Não consegui seu emprego de volta por caridade. Perguntei por que estavam descumprindo o contrato.
— Para você, basta uma ligação. Para mim, cada ligação pode custar uma semana de salário.
Ele ouviu sem interromper.
— Tem razão. Eu deveria ter explicado antes.
Marina esperava uma defesa arrogante. A admissão a desarmou por um instante.
— Não quero ser um projeto seu, Rafael.
— E eu não quero que seja. Gostaria de conhecer você fora daquela festa, se permitir.
Ela olhou para a gravata impecável e para o elevador privativo atrás dele.
— Nossos mundos não combinam.
— Talvez. Mas podemos conversar sem decidir o resto da vida hoje.
Marina não respondeu. Saiu com passos firmes, embora a perna reclamasse depois de tanto tempo em pé.
Antes da visita a Campinas, Rafael precisou enfrentar outra conversa desagradável. Augusto o convocou ao escritório e mostrou uma reportagem que chamava Marina de possível nova celebridade.
— Ela vai aproveitar essa atenção até conseguir alguma coisa de você — afirmou.
— O senhor não sabe nada sobre ela.
— Sei que trabalhava servindo champanhe e agora tem meu filho defendendo seu nome.
Rafael apoiou as mãos na mesa.
— E eu sei que ela recusou seu dinheiro. Isso deveria lhe dizer alguma coisa.
Augusto mudou de assunto e mencionou Beatriz Sampaio, filha de um antigo parceiro comercial. Os dois haviam crescido frequentando as mesmas festas, e o pai sempre tratara aquela amizade como uma futura união de empresas.
— Beatriz é uma mulher adequada ao nosso círculo — insistiu.
— Não vou escolher uma companheira como quem assina uma fusão.
Rafael saiu antes que a discussão piorasse. No elevador, percebeu que nunca havia questionado com tanta clareza o mundo em que crescera. Marina não o havia pedido para enfrentar ninguém. Ainda assim, depois de conhecê-la, certas concessões pareciam impossíveis.
Dois dias depois, Rafael apareceu na pequena loja de costura de Helena, em Campinas. Levava uma encomenda simples: precisava ajustar o paletó que usara na inauguração.
Helena examinou a peça e percebeu imediatamente que o serviço não justificava a viagem.
— Um homem com seu dinheiro certamente conhece alfaiates em São Paulo.
— Conheço. Mas disseram que a senhora faz um trabalho excelente.
Helena ergueu uma sobrancelha.
— Quem disse?
Rafael sorriu, sem resposta convincente. Marina entrou pela porta dos fundos carregando uma sacola de mantimentos e parou ao vê-lo.
— Você atravessou a estrada para consertar uma manga?
— Ela realmente precisa de ajuste.
Helena riu pela primeira vez naquela semana. Marina tentou permanecer séria, mas o sorriso escapou.
Enquanto a mãe media o tecido, Rafael observou as fotografias penduradas na parede. Uma delas mostrava Marina jovem, de vestido azul, segurando um troféu nacional.
Ao lado havia outra imagem, tirada num centro de reabilitação. Marina aparecia entre barras paralelas, com o rosto concentrado e o corpo sustentado por aparelhos.
— Ela levou meses para dar os primeiros passos sem ajuda — contou Helena, percebendo seu olhar.
— Mãe...
— Ele precisa entender que aquela dança não foi uma brincadeira.
Rafael permaneceu em silêncio. Na fotografia, a jovem campeã segurava as barras com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.
Depois do ajuste, Marina acompanhou Rafael até a rua. Uma chuva forte começou de repente, prendendo os dois sob a pequena cobertura da loja.
— Minha mãe gostou de você — disse ela.
— Isso é bom?
— É perigoso. Ela já está perguntando quando você volta.
Rafael riu. O som era diferente do tom formal que usava no escritório.
— E você? Quer que eu volte?
Marina observou a chuva escorrer pela calçada. Havia anos que ninguém lhe fazia uma pergunta tão simples e tão difícil.
— Não sei se quero complicar minha vida.
— Não vou prometer que tudo será fácil.
Ele hesitou antes de continuar.
— Mas penso em você desde aquela noite. Não porque era campeã. Porque foi a única pessoa naquele salão que se recusou a fingir que a humilhação era normal.
Marina sentiu o peito apertar. Queria acreditar. Também sabia que o sobrenome Montenegro vinha acompanhado de portas que se fechavam para pessoas como ela.
— Seu pai nunca aceitaria.
— Meu pai não decide por mim.
Os dois ficaram próximos, separados apenas por um pequeno espaço. Rafael não tentou beijá-la. Esperou, e Marina percebeu o cuidado.
Ela tocou de leve a manga do paletó.
— Pode voltar para buscar a roupa amanhã.
— Sua mãe disse que fica pronta hoje.
— Então talvez eu esteja inventando uma desculpa.
Rafael sorriu. Pela primeira vez, Marina não se afastou quando ele segurou sua mão.
Naquela noite, Beatriz Sampaio encontrou Verônica no jardim da mansão Montenegro. A jovem estava furiosa com as fotografias de Rafael saindo da loja de costura.
— Augusto prometeu conversar sobre nosso noivado. Agora Rafael está correndo atrás daquela mulher.
Verônica abriu uma pasta antiga e retirou uma fotografia de um carro destruído pela chuva.
— Se quer afastá-la dele, precisa conhecer o passado dessa garçonete.
Beatriz examinou a imagem.
— O que aconteceu?
Verônica respondeu sem sorrir:
— Uma tragédia que deveria ter permanecido esquecida.
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