"O Bilionário Humilhou a Garçonete na Frente de 500 Convidados… Sem Saber Que Ela Era Campeã de Dança!" Capítulo 3 — O Bilionário Foi Obrigado a Pedir Perdão à Garçonete
O vídeo da dança ainda não havia terminado de circular entre os convidados quando Augusto Montenegro tentou recuperar o microfone.
— Muito bem, tivemos uma surpresa agradável. Agora podemos continuar nossa festa.
Marina, sentada ao lado da pista, ergueu a cabeça. A dor na perna diminuía lentamente, mas o desconforto de ouvir aquela voz permanecia.
— O senhor esqueceu uma coisa — disse ela.
Augusto fingiu não ouvir. Rafael tomou a palavra antes que o pai se afastasse.
— A condição dela. O pedido de desculpas.
A multidão voltou a se aproximar. Alguns convidados haviam transmitido a dança ao vivo. Outros acompanhavam comentários que surgiam em velocidade surpreendente nas redes sociais.
Augusto tentou sorrir.
— Naturalmente, podemos oferecer uma compensação. Cinco mil reais devem resolver qualquer mal-entendido.
Marina levantou-se devagar, apoiando uma mão na cadeira.
— Não pedi dinheiro.
— Dez mil, então. Não vamos prolongar isso.
— O senhor está fazendo exatamente o que fez antes: tentando decidir quanto vale o respeito de outra pessoa.
O empresário estreitou os olhos. Na vida inteira, poucas pessoas haviam respondido daquela maneira diante de sua família.
— Cuidado com o tom, senhorita Almeida.
— Meu tom é o mesmo desde que o convidado derrubou a bandeja. O senhor só começou a escutar quando descobriu que eu tinha um troféu.
Lucas observava perto da cozinha. Sônia segurava o braço do rapaz, preocupada com a possibilidade de todos perderem o trabalho.
Marina apontou discretamente para os colegas.
— Eles não precisam vencer campeonatos para merecer educação. Trabalham honestamente. Foi por eles que aceitei dançar.
Cecília cruzou os braços. Rafael permaneceu ao lado de Marina, sem interrompê-la. A decisão cabia à mulher que havia sido humilhada.
Augusto percebeu os celulares apontados para seu rosto. O constrangimento público que planejara impor a Marina voltava-se contra ele.
— Peço desculpas pelo episódio — declarou, finalmente.
Marina não se moveu.
— A quem?
O empresário respirou fundo.
— Aos funcionários desta noite. Minha atitude foi inadequada. Vocês merecem respeito.
O silêncio foi seguido por aplausos. Lucas enxugou discretamente os olhos. Sônia soltou o ar que parecia prender desde o começo da confusão.
Marina agradeceu com um aceno. Não sorriu para Augusto nem pediu uma fotografia. Voltou à área de serviço para terminar o turno, apesar dos pedidos dos convidados.
No corredor, a supervisora a alcançou.
— Você está louca? Poderia ter sido demitida!
— Eu sei.
— E agora todo mundo quer falar com você.
Marina olhou para as mãos sem luvas.
— Amanhã eles encontrarão outra história. Eu ainda terei contas para pagar.
Antes de voltar à copa, Marina passou pelo salão quase vazio. Uma funcionária da limpeza recolhia guardanapos abandonados entre as cadeiras. Quando reconheceu Marina, ergueu o polegar e sorriu.
— Minha filha viu você no celular — contou. — Disse que quer aprender a dançar.
Marina se emocionou. Não imaginava que um gesto feito por indignação pudesse chegar a uma menina desconhecida.
— Diga a ela para começar com a música de que mais gosta — respondeu. — E para nunca deixar ninguém rir dos sonhos dela.
Na copa, Lucas deixou um copo de água ao lado dela.
— Nunca vi ninguém enfrentar aquele homem assim.
— Não faça isso por impulso, Lucas. Eu também estava com medo.
— Mas fez mesmo com medo.
A frase a atingiu mais profundamente que os aplausos. Marina bebeu um gole de água e tentou se levantar. Uma pontada na perna a obrigou a sentar novamente.
Lucas se assustou.
— Quer que eu chame alguém?
— Não. Preciso descansar alguns minutos.
Rafael apareceu à porta. Não entrou imediatamente, respeitando o espaço dos funcionários.
— Posso conversar com você?
Lucas se afastou. Marina tentou disfarçar a dor.
— Se veio oferecer outro cheque, perdeu a viagem.
— Vim perguntar se precisa de atendimento médico.
— Já conheço médicos suficientes.
Rafael notou uma cicatriz antiga acima do tornozelo, visível porque a barra da calça havia subido. Não fez perguntas sobre ela.
— Meu pai errou. Eu também deveria ter interrompido aquilo antes.
— Você tentou.
— Não foi suficiente.
Marina observou o homem à sua frente. Na pista, ele parecera apenas mais um herdeiro elegante. Agora estava sozinho numa copa apertada, sem fotógrafos, pedindo desculpas por algo que não fizera.
— Não quero que sinta pena de mim — respondeu.
— Não sinto pena. Sinto vergonha da maneira como você foi tratada.
Ela desviou o olhar.
— A diferença importa.
Rafael assentiu. Antes de sair, deixou um cartão com o número de seu escritório, caso o hotel tentasse puni-la pelo episódio. Marina guardou o cartão sem prometer que ligaria.
Na saída da copa, Sônia chamou Marina de volta. A supervisora carregava a lista de funcionários escalados para a madrugada e parecia dividida entre a gratidão e o medo.
— O buffet pode perder o contrato por causa do que aconteceu — confessou.
Marina sentiu uma pontada de culpa. Não havia pensado nas consequências para quem dependia das mesmas escalas.
— Se tentarem descontar as taças do salário de alguém, me avise — pediu. — Tenho o vídeo e testemunhas do que aconteceu.
Sônia assentiu, emocionada.
— Meu marido está desempregado. Eu fiquei quieta porque não podia arriscar esse trabalho.
— Eu entendo. Não estou pedindo que ninguém faça o que fiz.
Lucas apareceu com um saco de lixo reforçado. Tinha ouvido a conversa.
— Mas agora a gente sabe que pode contar a verdade — disse.
Marina olhou para os dois e percebeu que sua vitória não estava na quantidade de aplausos. Estava naquele pequeno corredor, onde pessoas acostumadas a pedir desculpas por existir começavam a falar sem baixar a cabeça.
Enquanto isso, no andar superior, Verônica entrou no escritório reservado da família e trancou a porta. Procurou um contato antigo no celular.
Otávio Ferraz atendeu depois de quatro chamadas.
— Não costumo receber ligações suas durante eventos públicos.
— Marina Almeida está viva, trabalhando em São Paulo. Acabou de dançar na inauguração da torre.
Houve uma pausa longa.
— Tem certeza de que é ela?
— Cecília Duarte a reconheceu diante de todo mundo.
Otávio soltou uma palavra áspera. Verônica caminhava de um lado para outro.
— Descubra onde mora, com quem fala e se ainda mantém contato com Gabriel.
— Você disse que esse assunto estava encerrado.
— Estava. Até hoje.
No salão, Augusto tentava conversar com investidores, mas as pessoas só comentavam o vídeo. Uma assessora lhe mostrou a gravação que já acumulava milhares de visualizações.
— O senhor precisa emitir uma nota amanhã — recomendou.
Augusto desligou a tela.
— Não admito que uma funcionária temporária prejudique a reputação do meu grupo.
Rafael ouviu a frase ao se aproximar.
— A reputação foi prejudicada quando o senhor decidiu humilhá-la.
— Está encantado pela moça?
— Estou decepcionado com o senhor.
Pai e filho se encararam. Augusto reconheceu uma determinação que não via em Rafael desde a adolescência.
Marina terminou o turno mais cedo por orientação de Sônia. Ao sair pelos fundos, encontrou chuva fina sobre a calçada. O celular estava cheio de mensagens desconhecidas.
Uma delas era de sua mãe: “Filha, por que você está aparecendo na televisão?”
Marina sentou-se no ponto de ônibus e finalmente chorou. Não por vergonha, mas porque a música havia aberto uma parte de sua vida que ela acreditava perdida.
No mesmo instante, Otávio recebeu de Verônica uma fotografia da apresentação. Ampliou o rosto da garçonete e ficou pálido.
— Verônica — disse ao telefone, com a voz baixa. — Aquela mulher é a mesma do acidente de doze anos atrás.
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