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"O Mafioso Desafiou uma Menina de Três Anos a Abrir Seu Cofre — Até Ela Reconhecer a Marca do Pai" Capítulo 9

正文开头

O LUGAR À MESA

Helena leu até o fim antes de entregar o outro envelope a Alexandre.

Daniel falava de coisas pequenas. Pedira que Ruth trocasse as cortinas do quarto da filha, mas ainda não escolhera a cor. Queria consertar uma cadeira da varanda antes da primeira visita. Achava que Helena odiaria os armários da cozinha.

Ele acertara.

Ela riu baixinho, cobrindo a boca com a mão.

"O que foi?", Alexandre perguntou.

"Os armários."

Ele olhou na direção da escada, como se pudesse vê-los dali.

"Minha mãe odiava também."

Sofia quis saber se podia escolher cortinas roxas.

"Podemos olhar as cores depois", Helena respondeu.

A filha ficou encarregada de organizar o coelho de pano e a mochila em cima da cama. Helena levou a caixa para a varanda, onde a luz era melhor. Alexandre acompanhou as duas.

Ele segurou a própria carta durante algum tempo antes de abrir.

"Não precisa ler na nossa frente", Helena disse.

"Eu gostaria que ficassem. Se não se importarem."

Ela se sentou. Sofia se acomodou no tapete da varanda, perto dos seus pés, desenhando com os lápis que trouxera.

Alexandre começou a ler em voz alta.

Daniel o provocava por ter seguido as instruções até o fim. Depois, sem abandonar o tom que Helena conhecia, admitia que havia sido mais fácil continuar zangado do que aceitar a possibilidade de também ter magoado o irmão.

Contava que comprara a casa antes de sair definitivamente dos negócios da família, usando o dinheiro do próprio trabalho. O pai o pressionara a revendê-la e depois dissera a Alexandre que ela pertencia a estranhos. Daniel deixara que a mentira permanecesse enquanto tentava resolver outras disputas.

"Achei que contar tudo de uma vez, quando a gente finalmente se encontrasse, seria melhor. Agora percebo a quantidade de coisas que estou deixando para uma conversa que nem marquei."

Alexandre parou.

Helena observou a mão dele sobre o papel. Lembrava-se de Daniel sentado à mesa da cozinha, escrevendo depois que a filha dormia. Às vezes, ela perguntava para quem era. Ele respondia que estava tentando desfazer uma besteira antiga.

Ela não imaginara quantas tentativas cabiam naquela resposta.

Alexandre continuou.

"Não quero que a Sofia ache que família é um grupo de pessoas que se conhece pelo que os outros contam. Se você vier, eu prometo tentar ouvir antes de discutir. Não prometo conseguir sempre. Você também não facilita."

Uma risada escapou dele. Helena reconheceu o som ainda estranho de um homem sem saber se podia rir naquele momento.

Podia. Ela sorriu para que ele percebesse.

O último trecho era mais curto.

"Não precisa chegar aqui sabendo ser tio. Eu também não sabia ser pai. Pode começar aparecendo. Só tenta não comprar a loja inteira na primeira vez. A Helena vai mandar devolver."

Alexandre baixou a folha.

"Ele me conhecia."

"Conhecia a mim também", Helena disse.

Sofia levantou o desenho.

"Eu aceito uma loja."

Helena soltou uma gargalhada antes de enxugar o rosto.

正文1

"Você aceita um sanduíche. Já está na hora de almoçar."

Foram para a cozinha. Alexandre procurou pratos, Sofia reclamou que ninguém lhe dava uma tarefa, e Helena a encarregou de distribuir guardanapos.

Enquanto a menina contava um para cada cadeira, Alexandre ficou ao lado da pia.

"Não espero que você confie em mim porque ele pediu."

Helena abriu a bolsa térmica.

"Que bom. Porque não seria assim."

Ele assentiu, sem se defender.

"Ainda quero conhecer vocês."

Helena colocou os sanduíches sobre uma travessa.

"Ela vai fazer perguntas difíceis. Vai querer ver você quando estiver ocupado. Pode ficar brava quando ouvir um não."

"Isso eu reconheço como uma característica de família."

Helena ergueu uma sobrancelha.

"Não tente me distrair."

"Estou prestando atenção."

Ela acreditou que estivesse.

"Se não puder vir, avise. Se prometer alguma coisa, lembre que ela acredita. E não use presente para pular a parte de conhecê-la."

"Posso fazer isso."

"Pode tentar. O resto a gente vai vendo."

Sofia arrastou uma cadeira com um ruído terrível.

"Tio, aqui é seu."

Alexandre foi até a mesa. Antes de sentar, ajudou a menina a subir na própria cadeira e perguntou a Helena onde preferia ficar.

Comeram com a porta aberta para a varanda.

Helena contou sobre a primeira palavra de Sofia, que Daniel insistia ter sido o nome dele, embora fosse claramente um pedido de água. Alexandre contou sobre o dia em que o irmão desmontara o relógio da mãe e escondera as peças numa caixa de biscoitos.

Sofia ouviu mastigando devagar, até se distrair com um pássaro no corrimão.

Mais tarde, enquanto Helena guardava os pratos, a menina se sentou ao lado do tio no sofá.

"Conta outra do papai. Mas sem a rã. Essa eu já sei."

Alexandre olhou para Helena.

Ela assentiu e continuou secando a louça.

Da cozinha, ouviu a filha rir.

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