"O Mafioso Desafiou uma Menina de Três Anos a Abrir Seu Cofre — Até Ela Reconhecer a Marca do Pai" Capítulo 8
A MÚSICA QUE FICOU
Helena se ajoelhou perto da cômoda.
Não queria responder depressa apenas para impedir o choro. Sofia fazia aquela pergunta olhando diretamente para ela, esperando que soubesse.
"Algumas coisas podem ficar difíceis de lembrar", disse. "A gente não escolhe todas as lembranças que guarda."
O queixo da menina tremeu.
"Eu quero guardar."
"Eu sei, meu amor. Eu também quero."
Sofia olhou de novo a fotografia.
"Ele me pegava assim?"
"Pegava. E andava com você pela sala quando não conseguia dormir. Às vezes, ele dormia antes."
"Eu não deixava?"
"Nem sempre."
Helena sorriu, e a filha encostou o dedo no sorriso dela, como fazia quando menor.
"Você conta pra mim?"
"Conto. Podemos olhar as fotos e ouvir as músicas de que ele gostava. Quando você lembrar de alguma coisa, me conta também."
Sofia ficou em silêncio por alguns segundos.
"Ele fazia a barba no meu pé."
Helena soltou uma pequena risada.
Daniel esfregava o queixo na sola dos pés da filha depois do banho. Sofia gritava pedindo que parasse, já oferecendo o outro pé.
"Fazia. Você ria muito."
Alexandre se abaixou a uma distância que permitia à menina escolher se queria olhar para ele.
"Posso contar coisas de quando ele era pequeno também. Mas algumas ele ia dizer que são mentira."
Sofia enxugou o nariz na manga.
"A da rã é verdade?"
"Essa é. E a rã era menor do que ele contava."
Helena tirou um lenço da bolsa antes que a manga servisse outra vez.
Depois de beber água e comer uma das bolachas destinadas ao tio, Sofia voltou a explorar o quarto com mais calma.
Helena abriu a pasta entregue por Ruth. Havia uma relação simples do que Daniel guardava ali. Entre ferramentas, livros e documentos, uma linha dizia: caixa de música, armário do quarto, prateleira central.
Ela leu a linha outra vez.
"Alexandre."
Ele se aproximou. Helena mostrou a folha, depois abriu o armário.
A caixa estava dentro de uma capa de tecido.
O mesmo risco na madeira, perto da dobradiça. A mesma pequena diferença de cor onde Sofia derramara água e Daniel tentara secar depressa demais.
Helena sentou na cama antes de terminar de tirar a capa.
"Eu achei que tinha perdido."
Sofia correu até ela.
"Minha caixinha!"
"Devagar. A gente vai abrir juntas."
Não havia outro enigma esperando por elas. Helena conhecia a trava, e Sofia conhecia o pássaro.
Com a ajuda da mãe, a menina virou a andorinha. Uma melodia hesitante começou a tocar. Faltou uma nota, depois outra, e o mecanismo recuperou o ritmo.
Sofia ficou muito quieta.
Helena sentiu as primeiras lágrimas caírem sem conseguir impedi-las.
"Mamãe, é essa."
"É essa, meu amor."
Alexandre sentou na cadeira junto à janela. Não disse nada. Helena viu que ele apertara os olhos e olhava fixamente para o chão.
Quando a música terminou, Sofia pediu de novo.
Helena deu corda, dessa vez com mais firmeza.
Sob o forro solto da tampa havia três envelopes. Os nomes estavam escritos com a letra de Daniel.
Um para ela. Um para Alexandre. Um para Sofia, acompanhado de uma indicação de idade futura.
"É meu?", a menina perguntou.
"É. Vamos guardar até você crescer mais um pouco."
"Até eu ter quatro?"
Alexandre levantou o rosto.
Helena sorriu no meio das lágrimas.
"Um pouco mais que quatro. Mas posso ver se tem alguma parte que já dá para contar."
Sofia aceitou a proposta e se acomodou encostada nela, satisfeita por ter a caixa de volta.
Helena abriu o próprio envelope. Nas primeiras linhas, Daniel dizia que preparara aquele lugar para elas e que esperava levá-las em breve.
Depois vinha o nome do irmão.
"Eu sei que você acha que eu devia telefonar de uma vez. Você tem razão. Escrever essas cartas foi mais fácil do que correr o risco de ouvi-lo me mandar embora."
Helena passou a mão sobre a folha para alisá-la.
Daniel continuava: "Mas quero tentar de novo. Quero que a Sofia tenha a chance de conhecer o meu irmão antes de decidir o que acha dele."
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