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"O Mafioso Desafiou uma Menina de Três Anos a Abrir Seu Cofre — Até Ela Reconhecer a Marca do Pai" Capítulo 7

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A CASA AZUL

Sofia quis ir naquele mesmo dia.

"A gente termina o pão e vai."

Helena limpou a manteiga do canto da boca dela.

"Primeiro os adultos precisam combinar algumas coisas."

"Então combina rápido."

Alexandre abaixou o rosto para esconder um sorriso. Helena o viu e quase sorriu também.

Ele não trouxe formulários para ela assinar no café da manhã. Trouxe o contato da mulher que cuidava da casa e cópias dos documentos para a profissional que Helena escolhera examinar.

Enquanto ele e Sofia discutiam se uma casa sem moradores precisava de escova de dentes, Helena ligou para a antiga vizinha de Daniel, que lhe indicara uma advogada anos antes. Pediu o número de novo.

Nas duas semanas seguintes, recebeu informações que deveriam ter chegado muito antes. Daniel continuara proprietário da casa, com manutenção paga por uma reserva separada. Os registros relacionados aos bens familiares ainda usavam um endereço antigo dele e passavam pela administração da qual Richard cuidava. Havia providências a tomar, mas não eram coisas que precisassem resolver dentro de um carro ou diante de uma criança.

Helena guardou as cópias numa pasta própria.

Só então aceitou a visita.

Na manhã da viagem, Sofia usou os tênis amarelos que escolhera sozinha e carregou uma mochila de joaninha com uma muda de roupa, um coelho de pano e três bolachas, embora Helena já tivesse preparado comida para todos.

"É se o tio tiver fome", explicou.

Alexandre recebeu a informação com seriedade.

"Vou tentar não comer as três de uma vez."

Helena sentou atrás com a filha. Durante a primeira parte do trajeto, Sofia quis saber onde o pai dormia, se havia patos no lago e se a casa tinha banheiro. Depois adormeceu com a testa apoiada no coelho.

Quando chegaram, Helena demorou a abrir a porta do carro.

A casa era menor que as propriedades que imaginara pertencerem aos Carter. Tinha pintura azul desbotada, varanda de madeira e uma árvore cujos galhos roçavam o andar de cima.

Daniel a desenhara quase exatamente assim.

Uma mulher de cabelos brancos veio recebê-los. Apresentou-se como Ruth, mostrou onde estavam as chaves de reserva e ofereceu um abraço a Helena, perguntando antes se podia.

"Ele falava de vocês", disse. "Estava preparando o quarto da menina."

Helena assentiu, incapaz de responder imediatamente.

Ruth não insistiu. Entregou uma pequena lista de cuidados da casa e voltou para a propriedade vizinha, deixando-os à vontade.

Alexandre ficou diante da fechadura com a chave de latão.

"Foi aqui que vocês cresceram?", Helena perguntou.

"Passávamos os verões. Minha mãe vinha antes e ficava depois. Ela sempre arrumava uma desculpa para prolongar a temporada."

Sofia puxou a mão dele.

"Abre, tio. Quero ver o banheiro."

A solenidade do momento não resistiu à urgência da menina.

Helena a levou até o fim do corredor. Ao voltar, encontrou Alexandre parado na cozinha, diante de riscos de lápis na parede.

Dois nomes, duas idades, alturas diferentes.

Sofia encostou as costas na madeira, embaixo das marcas.

"Eu caibo aqui?"

"Cabe", Alexandre respondeu.

Ela esticou o pescoço.

"Não vale levantar o queixo", Helena avisou.

Alexandre procurou um lápis numa gaveta. Antes de riscar, olhou para Helena.

Ela assentiu.

Ele escreveu o nome da menina e a data com cuidado. Sofia se virou imediatamente para conferir.

"O papai era menor que eu?"

"Quando tinha dois anos, sim. Depois ficou muito maior. E achou que já podia pegar qualquer bicho que encontrasse."

No caminho até a sala, Alexandre contou sobre uma rã que Daniel tentara capturar no lago. O irmão caíra numa parte rasa e gritara tanto que ele correra para puxá-lo, molhando também os próprios sapatos.

Sofia riu e exigiu saber o destino da rã.

"Foi embora sem agradecer pelo trabalho", Alexandre respondeu.

Helena reconheceu o humor do marido naquela resposta. Doeu, mas dessa vez a dor veio acompanhada de uma vontade de ouvir mais.

Sofia pegou a mão do tio para subir a escada. Helena foi logo atrás.

No quarto de Daniel havia livros, um avião de madeira e uma fotografia emoldurada sobre a cômoda.

Helena parou na porta.

Tinha tirado aquela foto no hospital. Daniel segurava Sofia recém-nascida, com a camisa amarrotada e um sorriso exausto.

A menina apontou para o próprio rosto no retrato.

"Eu não lembro disso."

"Você era muito pequenininha", Helena disse.

Sofia tocou o vidro.

"Mamãe, eu vou esquecer o papai também?"

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