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"O Mafioso Desafiou uma Menina de Três Anos a Abrir Seu Cofre — Até Ela Reconhecer a Marca do Pai" Capítulo 4

正文开头

VINTE E TRÊS CARTAS

"Vinte e três."

Richard respondeu olhando para a caixa, não para Alexandre.

Helena apertou a mão de Sofia sem perceber. A menina reclamou baixinho, e ela afrouxou os dedos imediatamente.

"Desculpa, meu amor."

Alexandre colocou a caixa sobre a mesa.

"Você contou."

"Eu mantinha os registros."

"Dos oito anos em que achei que meu irmão não queria falar comigo."

Richard tirou os óculos. Dobrou uma haste, depois a outra.

"Seu pai me deu uma ordem. Daniel estava desafiando decisões importantes. Ele achou melhor interromper o contato até que as coisas se acalmassem."

"E depois que meu pai morreu?"

Richard passou o polegar pela armação.

"A situação já tinha ido longe demais."

"Para quem?", Helena perguntou.

Os dois homens olharam para ela.

"Para o senhor admitir o que fez? Ou para o meu marido voltar a ter um irmão?"

Richard recolocou os óculos.

"Eu não esperava que terminasse assim."

"Meu marido morreu achando que tinha sido rejeitado. Isso não aconteceu sozinho."

Sofia começou a esfregar um olho.

Helena a pegou no colo, embora as costas doessem depois de horas de trabalho. A menina apoiou o rosto em seu ombro, mas continuou olhando para Richard.

"E as minhas cartas?", Helena perguntou. "O pai dele também mandou esconder?"

"Não."

"O senhor leu?"

Richard assentiu.

"Li a primeira que chegou até mim. A que tinha a fotografia."

"Era a terceira que eu enviava. Naquela época, Sofia perguntava por que as outras crianças tinham avô, avó, tio. Eu escrevi isso. O senhor leu e guardou aqui?"

"Guardei."

Alexandre fechou os olhos por um instante.

"Foi você quem disse que eu não deveria ir ao funeral."

Richard demorou a responder.

"Temi que Helena contasse sobre as tentativas de contato. Que você começasse a procurar o resto."

Helena sentiu um tremor subir pelos braços.

Lembrava-se do homem da funerária perguntando se havia mais alguém para avisar. Lembrava-se de segurar a caneta sem conseguir preencher uma linha. Não havia pedido luxo, nem proteção, nem acesso àquele escritório. Quisera alguém que também tivesse conhecido Daniel antes do acidente.

Alexandre apertou o botão do telefone sobre a mesa.

"Martin, preciso que venha aqui."

Richard endireitou a postura.

"Alexandre, podemos resolver isso sem..."

"Você não decide mais como isso será resolvido."

A voz era baixa. Helena entendeu por que os fornecedores não o contrariavam e por que o nome Carter fazia algumas pessoas olharem para os lados antes de continuar uma conversa.

Um segurança apareceu à porta.

Alexandre pediu que acompanhasse Richard até o escritório dele, recolhesse os acessos administrativos e trouxesse todos os envelopes enviados por Helena. Nenhum arquivo deveria ser removido sem registro. Depois, Richard ficaria disponível para a revisão dos documentos.

"Eu servi a esta família durante quase trinta anos", Richard disse.

"E usou esse tempo para decidir quem podia fazer parte dela."

Helena ajustou Sofia no colo.

"Quero as fotografias também. Todas."

Richard olhou para a menina.

"Eu vou entregar."

"Entregue ao Martin", Alexandre disse. "Não volte a procurar Helena sozinho."

Quando a porta fechou, Sofia ergueu a cabeça.

"O moço escondeu a minha foto?"

Helena passou a mão pelo cabelo dela.

"Escondeu, meu amor. Mas nós encontramos."

"Eu posso pegar de volta?"

"Pode."

Alexandre soltou o clipe e entregou a fotografia a Helena. Nela, Sofia estava sentada num banco do parque, segurando um sorvete grande demais. Daniel tirara aquela foto semanas antes de morrer.

"Papai fez essa", a menina murmurou.

Helena beijou sua têmpora.

Alexandre puxou a primeira carta de Daniel. Pediu permissão com um olhar antes de começar a ler em voz alta.

O marido escrevera sobre um emprego novo, um apartamento com uma torneira impossível de consertar e o constrangimento de descobrir que não sabia usar a lavanderia do bairro.

Helena reconheceu a história. Daniel lhe contara que, naquela primeira semana, tingira de rosa todas as próprias camisas.

Ela contou isso. Alexandre baixou a folha e soltou uma risada curta, interrompida por uma respiração difícil.

No final, Daniel escrevera: "Não quero a vida que nosso pai escolheu. Isso não significa que não queira meu irmão."

Alexandre pousou a carta com cuidado.

Helena esperou. Pela primeira vez naquela noite, o silêncio não a obrigava a se defender.

Então ele retirou outro envelope. De dentro caiu uma pequena cópia da ultrassonografia de Sofia.

A voz dele falhou ao ler a frase seguinte.

"Quero que minha filha conheça o tio. Se você topar, ainda dá tempo de começar."

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