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"O Mafioso Desafiou uma Menina de Três Anos a Abrir Seu Cofre — Até Ela Reconhecer a Marca do Pai" Capítulo 3

正文开头

O QUE ESTAVA ATRÁS DA PORTA

Helena conhecia a resposta. Mesmo assim, ouvi-la deixou sua boca seca.

"Então era para o senhor que eu escrevia."

Alexandre ergueu os olhos.

"Escrevia quando?"

"Depois do acidente. Sete cartas. Liguei também, mas nunca passei da sua equipe."

Ele soltou a borda da mesa.

"Eu não recebi nenhuma carta."

Helena esperara tanto por uma resposta que, agora, não sabia o que fazer com aquela.

"Na terceira, mandei uma fotografia dela. Na quinta, expliquei que não estava pedindo dinheiro. Queria saber se havia alguém da família que pudesse contar à minha filha como o pai era quando pequeno."

Sofia começou a balançar a mão que segurava.

"Mamãe, ele é meu tio?"

Helena olhou para a filha. Não havia como desfazer o que já fora dito.

"É, meu amor. Ele é irmão do papai."

Sofia estudou Alexandre.

"O papai tinha seu tamanho?"

Ele pareceu precisar de um momento para entender a pergunta.

"Era um pouco mais baixo."

"Mas ele era grande. Eu lembro."

"Era, sim", Helena respondeu.

Alexandre se aproximou da poltrona, mas não sentou.

"Recebi a notícia da morte dele no dia seguinte ao acidente. Disseram que estava sozinho. Eu pedi informações sobre o funeral. Depois me avisaram que seria reservado e que a família não queria a minha presença."

Helena sentiu o rosto esquentar.

"Eu não disse isso."

Ele baixou a cabeça.

"Quem lhe contou?", ela perguntou.

Alexandre olhou para a porta fechada.

Não precisava responder.

Sofia apontou para o compartimento aberto.

"Posso fazer o passarinho voltar para casa?"

Helena respirou fundo. Precisava de algo pequeno e concreto antes de enfrentar o restante.

"Você lembra da brincadeira?"

"Ele vai pra cá, depois pra lá. Depois olha pra cima."

Helena fechou os olhos por um segundo. Daniel sentado na ponta da cama, Sofia de pijama no colo, os dois inventando um caminho para uma ave que jamais ficava perdida por muito tempo.

"A andorinha foi passear", recitou devagar. "Virou para um lado, voltou pelo outro e olhou para casa."

Sofia completou o gesto com o dedo.

"A casa fica em cima."

Alexandre se ajoelhou diante do disco.

"Posso tentar?"

Helena assentiu. Manteve a filha ao lado, longe da borda de metal.

O disco girou primeiro para a esquerda. Houve um pequeno estalo. Depois voltou para a direita. Quando o bico da andorinha apontou para o alto, uma gaveta estreita se soltou dentro do compartimento.

Sofia bateu as mãos.

"Foi!"

Alexandre retirou uma chave, uma fotografia e uma folha dobrada.

Na fotografia, dois meninos estavam diante de um lago, abraçados a uma mulher de vestido claro.

Helena reconheceu Daniel pelo sorriso.

"É sua mãe?", perguntou.

Alexandre assentiu, passando o polegar pela borda gasta.

Sofia quis ver. Helena segurou a fotografia na altura dela.

"Seu pai é esse aqui."

"Ele era pequenininho também?"

"Todo mundo já foi."

Alexandre soltou uma respiração que quase pareceu uma risada.

A folha tinha instruções curtas, acompanhadas de um desenho. Helena reconheceu a letra do marido antes de ler a primeira palavra.

Alexandre leu em voz alta. Daniel explicava o acesso de emergência que instalara durante uma reforma do sistema. Recomendava mantê-lo reservado à família e terminava com uma provocação ao irmão: se ele preferisse chamar mais cinco especialistas antes de seguir um desenho simples, podia ficar à vontade.

"Ele falava assim com você?", Helena perguntou.

"Desde que aprendeu a falar."

Ela sorriu antes de conseguir evitar.

Seguindo a indicação, Alexandre introduziu a chave numa abertura atrás do disco e acionou uma alavanca interna. O mecanismo respondeu com uma sequência pesada de movimentos.

Helena recuou com Sofia.

Alexandre segurou a porta, testou seu peso e a puxou devagar.

O cofre abriu.

"Eu sabia da portinha!", Sofia anunciou.

"Sabia mesmo", Helena disse, beijando o alto da cabeça dela.

Nas prateleiras havia caixas, pastas e envelopes. Alexandre retirou um volume cinza, marcado como correspondência particular.

Quando levantou a tampa, Helena viu a própria letra no envelope de cima.

A fotografia que mandara estava presa a ele por um clipe.

Ela estendeu a mão.

"Essa é minha."

Alexandre colocou o envelope sobre a mesa. Debaixo dele havia outros, muitos outros, todos dirigidos ao mesmo destinatário.

Todos escritos por Daniel.

Alexandre abriu a porta do escritório.

Richard estava esperando perto do elevador.

"Entre."

Helena manteve a filha junto de si enquanto o homem voltava.

Alexandre ergueu a caixa.

"Quantas cartas meu irmão me mandou que você não entregou?"

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