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"O Mafioso Desafiou uma Menina de Três Anos a Abrir Seu Cofre — Até Ela Reconhecer a Marca do Pai" Capítulo 2

正文开头

A ANDORINHA

Helena manteve a mão sobre a da filha.

"A caixa de música?"

Sofia assentiu.

"Ele apertava aqui. Depois o passarinho aparecia."

Havia quase um ano e meio que Daniel morrera. Algumas lembranças da menina já se misturavam às histórias que Helena contava. Mas a caixa existira. Madeira escura, uma melodia suave e uma andorinha de latão escondida sob uma tampinha.

Helena procurara aquele objeto durante semanas depois do acidente.

"Deixa eu ver primeiro", disse.

"Não mexa nisso."

Richard estava atrás delas.

Não falara alto. Mesmo assim, Sofia recolheu a mão e se escondeu parcialmente atrás do braço da mãe.

"Tem alguma coisa perigosa aqui?", Helena perguntou.

"É um equipamento de segurança, não um brinquedo."

"Foi isso que eu perguntei?"

Richard olhou para Alexandre.

"Precisamos chamar o fabricante antes de qualquer intervenção."

Alexandre se aproximou e se agachou do outro lado.

"Você acabou de passar quarenta minutos ouvindo o fabricante dizer que não conhecia esse sistema."

"E é justamente por isso que devemos ter cuidado."

Helena afastou Sofia um pouco. Não deixaria a filha tocar em algo desconhecido para satisfazer a curiosidade daqueles homens.

Alexandre passou a unha pela fenda. A placa cedeu um milímetro.

"É uma tampa", disse.

Sofia espiou por cima do braço da mãe.

"Eu falei."

Ele não respondeu. Introduziu os dedos sob a borda e levantou o pequeno painel.

Um disco de latão surgiu atrás dele. No centro, uma andorinha tinha as asas abertas.

Helena perdeu a força nos joelhos por um instante.

A asa direita do pássaro terminava em uma pequena marca curva. Daniel a acrescentava aos desenhos e às peças que fazia. Dizia que ninguém precisava de uma assinatura bonita quando podia desenhar uma asa torta.

Sofia abriu um sorriso.

"É o passarinho do papai!"

Alexandre ficou imóvel.

Richard levou a mão ao punho da camisa.

Helena pôs a filha atrás de si e tocou o relevo com a ponta do dedo. A marca estava ali. Pequena, irregular, familiar.

"De onde veio esse mecanismo?", perguntou.

Alexandre a encarou.

"Como ela conhece esse desenho?"

"Eu fiz uma pergunta."

"E eu preciso que responda à minha."

Sofia puxou a manga da mãe.

"Você também viu, mamãe?"

Helena se voltou para ela. Os olhos castanhos estavam acesos de uma alegria que fazia meses não aparecia quando falava do pai.

"Vi, meu amor. É parecido mesmo."

"É igual. A asa tá quebradinha."

Alexandre olhou de novo para a andorinha.

"Richard, saia."

"Não acho prudente deixar você sozinho com pessoas que..."

"Termine essa frase com muito cuidado."

Helena segurou a mão de Sofia. A menina olhava para a porta.

"Nós também podemos ir embora", disse Helena. "Se isso virou outro problema, nós vamos."

Alexandre se levantou devagar.

"Não virou um problema para vocês. Richard, espere lá fora."

Dessa vez, o homem obedeceu. Fechou a porta com cuidado excessivo.

Sem as conversas e as risadas, o escritório pareceu enorme. Helena viu um copo de café esquecido perto da janela e o pano que deixara no balde. Precisava terminar aquele serviço. Precisava jantar com a filha. Não sabia onde encaixar o pequeno pássaro que acabara de trazer Daniel para dentro daquela sala.

Alexandre permaneceu a alguns passos, como se temesse assustá-las.

"Qual era o nome do pai dela?"

Helena ergueu o queixo.

"Antes, me diga por que está perguntando."

Ele abriu a boca, mas não respondeu imediatamente.

Ela reconheceu a linha da sobrancelha. Daniel também a franzia quando uma resposta importava demais.

"O nome dele era Daniel Carter", disse. "Meu marido."

Alexandre apoiou a mão na mesa.

Sofia se encostou na mãe outra vez.

"Você conhecia meu papai?"

O homem olhou para a menina. Quando falou, sua voz já não tinha a segurança com que oferecera uma fortuna minutos antes.

"Daniel era meu irmão."

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