"O Mafioso Desafiou uma Menina de Três Anos a Abrir Seu Cofre — Até Ela Reconhecer a Marca do Pai" Capítulo 1
A PORTINHA QUE NINGUÉM VIA
"Por que vocês não abrem a portinha de baixo?"
Helena largou o pano dentro do balde.
Sofia já não estava na cadeira junto à porta. Estava agachada diante do enorme cofre, com uma mão no joelho e a outra apontando para a base de aço.
Ao redor da mesa, seis homens de terno olharam para ela.
"Sofia, vem aqui, meu amor."
Antes que Helena chegasse à filha, um homem de cabelos grisalhos soltou uma risada.
"Finalmente encontraram alguém mais qualificado que os técnicos."
O rapaz com a maleta aberta no chão ficou vermelho. Outro homem ergueu o celular.
Sofia olhou para os adultos, sem entender a graça.
"Tem uma portinha ali", insistiu. "Bem pequenininha."
Helena atravessou o escritório. A sola do seu tênis fez um ruído no mármore, alto demais naquele lugar onde até o ar parecia caro.
Tinha aceitado cobrir a colega doente porque precisava das horas extras. A supervisora permitira que levasse Sofia, desde que a menina permanecesse na antessala. O apartamento da vizinha, onde costumava deixá-la, estava sem aquecimento naquela noite.
Tudo parecia administrável até cinco minutos antes.
"Desculpem", disse Helena, estendendo a mão para a filha. "Ela ouviu vocês conversando. Nós já estamos saindo."
"A menina nem sabe ler", comentou o homem grisalho. "E vai abrir uma coisa que três empresas não conseguiram abrir?"
Sofia se levantou depressa e encostou na perna da mãe.
Helena sentiu os dedinhos procurando a costura da sua calça.
"Ela fez uma pergunta. Não precisa rir dela."
O celular continuou apontado para as duas.
"Pode guardar isso, por favor", pediu.
O homem que filmava olhou para a cabeceira da mesa, esperando uma autorização que Helena não tinha poder para dar.
Alexandre Carter estava de pé ao lado do cofre, sem casaco, com as mangas da camisa dobradas. Não rira alto como os outros. Seu sorriso discreto, porém, não era melhor.
Helena reconhecera o nome na placa da porta antes de entrar. O marido falava do irmão, mas nunca lhe mostrara uma fotografia recente. Durante alguns segundos, ela considerara perguntar. Depois ouvira Richard Blake tratá-lo por Alexandre e perdera a coragem.
Era aquele o homem a quem escrevera sete vezes.
Tinha prometido a si mesma terminar o serviço, levar Sofia para casa e pensar com calma no que fazer. Não pediria explicações diante de estranhos, com a filha sonolenta ao seu lado.
Agora ele observava a menina como quem avaliava uma distração conveniente.
"Você acha que consegue abrir?", perguntou.
Sofia apertou mais a calça da mãe.
"Eu vi a portinha."
"Se abrir esse cofre, eu lhe dou cem milhões de dólares."
O homem com o celular assobiou. Richard cruzou os braços.
"Alexandre, ela vai pedir tudo em bala."
Helena puxou Sofia para junto de si.
"Minha filha não é uma brincadeira para a sua reunião."
O sorriso de Alexandre diminuiu.
"Foi ela quem disse que sabia."
"Ela disse que viu uma portinha. O resto vocês inventaram."
Por um instante, Helena só ouviu o motor do aquecimento. Pensou na supervisora, no aluguel, na conta que vencera na terça-feira. Ainda assim, não soltou a mão da filha.
Sofia levantou o rosto.
"Mamãe, você vai ficar sem o trabalho?"
"Não fez nada errado, meu amor."
"Mas o moço ficou bravo."
Alexandre olhou da menina para Helena.
"Guardem os telefones."
O homem obedeceu imediatamente.
Alexandre apontou para a equipe técnica.
"Por hoje chega. Richard, acompanhe os fornecedores."
"Ainda temos a documentação da manutenção."
"Ela pode esperar."
Richard não se moveu. Helena conhecia aquele nome. Estava no cartão de uma assistente que, meses antes, lhe garantira que os assuntos da família passavam por ele.
Alexandre deu um passo para o lado, deixando o cofre à vista.
"Ninguém vai perder o emprego por causa disso. Pode me mostrar o que viu, Sofia."
"Não precisa provar nada", Helena disse à filha.
A menina olhou o cofre, depois a mãe.
"Eu só quero mostrar. Você vem comigo?"
Helena se agachou ao seu lado.
De perto, a porta parecia ainda maior. Havia um teclado apagado, um leitor biométrico e etiquetas deixadas pelos técnicos. O sistema normal falhara meses antes, ela ouvira um deles explicar. O dono não autorizava cortar a estrutura porque havia documentos antigos lá dentro.
Sofia não olhou para nada disso.
Passou a ponta do dedo pela parte de baixo, onde um risco fino se perdia na sombra.
"Aqui, ó."
Helena inclinou o rosto.
A linha parecia continuar por baixo de uma placa retangular.
"Por que você acha que isso abre?"
Sofia respondeu baixinho, perto do ouvido dela, como se finalmente estivessem de novo sozinhas.
"Porque é igual à portinha da caixa do papai."
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