localização atual: Novela Mágica A Menina de Três Anos Que Me Fez Dormir Capítulo 4
标题上

"A Menina de Três Anos Que Me Fez Dormir" Capítulo 4

正文开头

O nome que meu pai deixou

"Eu não vou aumentar dose nenhuma", Elisa disse na gravação. "Há muito tempo esse acompanhamento deixou de fazer sentido."

Vicente passou a mão no rosto.

"O Sérgio afirma que interromper de repente pode piorar as crises."

"Então ele precisa explicar isso ao paciente. E precisa entregar o que está administrando. Domenico não sabe nem que você continua entrando aqui."

"Você também não contou que estava naquela casa quando nosso pai morreu."

Elisa recuou um passo.

"Eu cheguei depois que chamaram a ambulância. E devia ter contado o resto assim que ele pôde conversar. Não vou mais sustentar a sua versão."

Vicente olhou para a câmera sem enxergá-la.

"Ele não perdeu apenas nosso pai naquela noite."

O vídeo seguiu com uma discussão em voz baixa sobre prontuários. Eu deixei Otávio terminar de ouvir e fui até a janela.

Do lado de fora, um jardineiro recolhia galhos caídos. A banalidade daquilo me atingiu. A casa continuava funcionando enquanto eu descobria que as pessoas que cuidavam de mim discutiam às escondidas o que eu podia saber.

"Quer que eu chame os dois?", Otávio perguntou.

"Ainda não. Quero uma cópia da gravação com a médica e com meu advogado. E quero saber o que meu pai tentou me contar."

Eu não havia entrado no antigo escritório dele desde a última vistoria da casa.

Havia uma razão prática para mantê-lo fechado: não o usávamos. Essa fora a explicação que aceitei durante três anos. Na porta, com a mão na maçaneta, percebi que minha relutância era maior do que a falta de utilidade do cômodo.

O cheiro de couro ainda estava lá.

Na escrivaninha, encontrei os óculos de leitura dentro do estojo e um bloco com a primeira folha arrancada. Abri gavetas. Contratos antigos, cartões de visita, um abridor de cartas.

Meu pai não guardava o que importava nos lugares mais óbvios. Quando eu era pequeno, escondia os presentes dentro de caixas de vinho, porque Vicente inspecionava os armários.

Procurei na estante baixa, onde ele guardava os álbuns de rótulos. Dentro de um deles havia um envelope com meu nome.

Sentei-me antes de abrir.

Era a letra dele. A mesma inclinação apressada que corrigia meus exercícios quando ainda tinha paciência para ensinar.

"Domenico,

Hoje vou tentar reparar uma coisa que devia ter reparado há muitos anos. Se eu recuar, ou se seu irmão tentar adiar outra vez, procure Helena Valença. Ela sabe onde sua mãe está.

Você tem o direito de ouvir isso de mim. Não aceite que digam que estou fazendo o melhor por você se eu voltar a me calar.

Seu pai."

Li a frase sobre minha mãe até as letras perderem o sentido.

Eu tinha nove anos quando ele nos contou que Sofia morrera. Minha irmã havia desaparecido pouco antes. Daquele período, eu guardava portas fechadas, conversas interrompidas e a voz de meu pai pedindo que eu parasse de perguntar.

正文1

A certeza da morte viera dele. Nunca de uma despedida.

Helena fora sua enfermeira nos últimos anos. Tinham uma intimidade tranquila que eu confundira com os hábitos de uma profissional antiga: ela sabia quando ele queria companhia e quando precisava ficar sozinho.

Otávio encontrou seu número entre os contatos da antiga equipe de cuidados.

Quando atendeu, reconheceu minha voz.

"Faz tempo, Domenico."

"Encontrei uma carta do meu pai. Ele me mandou perguntar onde minha mãe está."

Do outro lado, ouvi o arrastar de uma cadeira.

"Você pode vir conversar pessoalmente?"

Apertei o papel.

"Vou. Mas não me peça para passar outra noite sem responder a uma pergunta simples. Minha mãe está viva?"

Helena demorou apenas o suficiente para respirar.

"Está. Mora numa residência assistida perto de Campinas. Eu a visitei no mês passado."

Fechei os olhos.

Não senti alegria de imediato. Senti raiva. Depois, uma espécie de desamparo que me fez querer chamar alguém sem saber quem.

"Ela sabe de mim?"

"Sabe. E pergunta por você."

Minha mão começou a tremer.

Helena me deu seu endereço em Santos. Eu sairia na manhã seguinte, acompanhado por Otávio. Antes de desligar, pedi que avisasse Sofia de que eu queria vê-la, se ela aceitasse.

Ouvi minha própria formalidade e tive vontade de quebrar alguma coisa. Eu precisava pedir autorização para visitar minha mãe porque, para ela, eu talvez fosse um homem quase desconhecido.

À noite, Raquel me encontrou na varanda da suíte de hóspedes. Lia dormia no colo dela, o livro aberto de cabeça para baixo sobre a barriga.

"Ela insistiu em trazer. Eu não achei que fosse uma boa hora, mas ela disse que o senhor podia ficar triste sem a história."

Levantei-me para ajudá-la a acomodar a menina numa poltrona larga. Raquel ajeitou o coelho junto ao rosto da filha.

"Estou tentando entender uma coisa sobre minha família", contei. "Ainda não consigo explicar."

"Não precisa explicar para mim."

"Talvez eu precise explicar para alguém. Só não hoje."

Ela puxou uma cadeira e se sentou.

Lia abriu os olhos por um instante.

"O senhor está chorando?"

Eu não havia percebido.

Enxuguei o rosto com a palma da mão.

"Um pouco."

"Está doendo onde?"

Olhei para Raquel. Seus olhos ficaram úmidos, mas ela deixou que eu respondesse.

"É uma saudade antiga."

Lia se esforçou para manter os olhos abertos.

"Então amanhã o senhor visita. Quando eu tenho saudade da mamãe, eu vou até ela."

Pousei a mão de leve sobre seu cabelo.

"É isso que vou fazer."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部