localização atual: Novela Mágica A Menina de Três Anos Que Me Fez Dormir Capítulo 3
标题上

"A Menina de Três Anos Que Me Fez Dormir" Capítulo 3

正文开头

A porta que não existia

"Ela está com medo de mim?", Vicente perguntou.

Raquel não obrigou Lia a cumprimentá-lo.

"Ela passou uma noite agitada. Vou levá-la para tomar café na cozinha."

"Podem usar a varanda", eu disse. "Está mais agradável lá."

Esperei as duas saírem.

Meu irmão pousou a xícara no pires com cuidado.

"Você tem alguma coisa para me dizer?"

Eu tinha perguntas suficientes para ocupar o dia. Não faria nenhuma delas antes de verificar a história da menina.

"Vou passar por uma avaliação com outra médica. Quero os contatos de todos os profissionais que me atenderam."

"O Sérgio tem seus prontuários. Basta pedir a ele."

"Vou pedir. Quero também uma cópia de tudo que ficou com você."

Seu rosto ganhou aquela expressão de paciência que me irritava desde menino.

"Você está cansado. Não é uma boa hora para mudar o tratamento por conta própria."

"Por isso vou procurar uma médica, Vicente. Não uma opinião sua."

Ele recuou no assento. Eu raramente falava assim com ele. Em geral, era mais fácil deixar que organizasse as coisas.

Naquela manhã, percebi quanto da minha vida havia entregado em troca dessa facilidade.

Otávio me esperava na sala de segurança.

Revisamos as imagens da noite. Lia aparecia no corredor. Depois, Vicente. Nada mostrava visitas anteriores entrando pela porta principal nas datas em que meu irmão alegava ter vindo conferir como eu estava.

"Não quero que você me dê uma explicação antes de olhar", avisei.

Otávio virou a cadeira.

"Eu falhei na conferência da obra. Se houver um acesso aberto, a responsabilidade pela segurança é minha. Não vou inventar uma desculpa."

Eu o conhecia havia dezesseis anos. Sua franqueza não o inocentava, mas permitia que continuássemos trabalhando.

No arquivo, encontramos a planta antiga. A casa fora construída muito antes de minha família comprá-la. Uma passagem ligava a escada de serviço a um armário de roupa de cama junto ao meu closet.

A reforma marcava o trecho como fechado. Vicente assinara a aprovação final.

Fomos primeiro ao armário.

Otávio retirou as prateleiras vazias. A parede do fundo tinha a mesma pintura das laterais, mas uma faixa junto ao rodapé não acumulava poeira. Quando ele pressionou a borda, ouvi um clique.

O painel abriu para dentro.

Fiquei parado diante do vão.

Eu havia passado noites observando a câmera da porta, convencido de que saberia se alguém entrasse. A outra entrada ficava a menos de quatro metros da minha cama.

"Deixe que eu vá primeiro", Otávio pediu.

Acendi a lanterna do celular e o acompanhei.

A passagem tinha cheiro de madeira úmida. Havia marcas recentes no pó e, junto a um desnível, uma faixa nova de borracha para abafar os passos. Do outro lado, uma porta estreita dava para o corredor de serviço, disfarçada por um painel decorativo com uma pintura de cavalos.

A escada próxima à cozinha ficava logo adiante.

Da altura de uma criança nos primeiros degraus, era possível enxergar a passagem aberta.

正文1

Otávio respirou fundo.

"Ela viu exatamente o que disse."

Toquei a borracha recém-colocada. Não era uma ruína esquecida. Alguém mantinha aquele caminho em uso.

Instalamos uma câmera no trecho central. O acesso ao closet ficou bloqueado por dentro, e eu continuei usando a suíte de hóspedes. Se alguém voltasse à passagem, chegaria apenas até uma porta fechada.

Quando saímos, Dona Rosa estava no corredor com uma bandeja.

"A Raquel disse que o senhor não tomou café direito. Fiz pão na chapa."

Olhei para o copo ao lado do prato.

Ela percebeu.

"É água. Quer outra coisa?"

"Hoje não quero nenhuma bebida preparada."

O rosto dela mudou. Dona Rosa trabalhava para nós desde antes de a barba de Vicente ficar grisalha. Sua dignidade era tão conhecida quanto sua mania de alimentar quem discutia com ela.

"Aconteceu alguma coisa na cozinha?"

"Não é uma acusação à senhora. Estou verificando uma questão de saúde."

Ela me estudou por um instante, deixou o prato e levou o copo sem insistir.

Mais tarde, fui encontrá-la. Não queria transformar toda a casa num lugar de suspeita.

"Quem prepara as bebidas que o doutor Sérgio recomenda?"

"O concentrado da manhã? Eu. Vem naquela caixa da farmácia, com a orientação impressa. À noite, seu irmão cuida da outra parte."

"E se eu não quiser tomar?"

"Eu tiro da bandeja, ora. O senhor é adulto."

Aquilo, vindo dela, quase me fez rir.

Pedi que separasse as embalagens sem descartar nada.

À tarde, a médica me examinou. Chamava-se Beatriz. Fez perguntas sobre meus sintomas, conferiu as receitas que consegui reunir e pediu os resultados diretamente ao laboratório que Otávio acionara.

Não prometeu uma noite inteira de sono. Organizou os próximos passos e pediu que eu não interpretasse uma melhora breve como solução de tudo.

Quando o resultado preliminar chegou, ela me telefonou.

"Encontraram na água uma substância que favorece o estado de vigília. Isso precisa ser confirmado e comparado aos outros produtos da casa. Mas não corresponde ao que consta na sua prescrição atual."

Eu estava no jardim. Lia tentava convencer o coelho a ficar sentado num banco.

"Então eu vinha bebendo algo que podia piorar a insônia?"

"Sim. Ainda não posso afirmar por quanto tempo nem explicar todos os seus sintomas a partir disso. Quero que você entenda essa diferença."

Entendi. Uma descoberta não respondia a tudo.

Mas respondia ao suficiente para eu precisar me sentar.

Raquel percebeu de longe. Veio até mim, sem soltar os olhos da filha.

"Quer que eu chame alguém?"

"Não. Só fique aqui um minuto."

Ela ficou. Não pediu detalhes que eu ainda não conseguia dizer.

Às cinco e meia, Otávio apareceu na porta do jardim.

"A câmera registrou uma entrada."

No monitor, vi Vicente atravessar o painel dos cavalos. Ele não estava sozinho.

A mulher que o seguia tirou um frasco da bolsa, ergueu-o à altura dos olhos e devolveu a ele.

Reconheci a postura, o cabelo preso, o anel que ela girava quando eu demorava a responder.

Era a doutora Elisa, a especialista que me atendia desde a morte do meu pai.

Otávio aumentou o volume.

"Você me disse que ele dormiu", ela falou.

Vicente guardou o frasco.

"Dormiu. E começou a fazer perguntas."

"Sobre aquela noite?"

Meu irmão olhou para a entrada bloqueada do closet.

"Ainda não. Mas, se descobrir o que nosso pai queria contar, vai querer saber por que deixamos isso continuar."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部