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"A Empregada Parabenizou a Noiva do Mafioso… Mas Ele Viu Suas Lágrimas!" Capítulo 5 — Não Vá Embora, Marina

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Marina alcançou o portão quando ouviu passos rápidos atrás dela. Não se virou imediatamente. A mala pesava pouco; tudo o que importava cabia em duas bolsas e num envelope com os exames da mãe.

Ainda assim, cada passo para longe da mansão parecia exigir uma força que ela já não possuía.

— Marina, espere.

Dante parou a poucos metros, sem bloquear sua passagem. A camisa estava sem gravata, e ele segurava a carta dobrada.

— Você leu — disse ela.

— Li.

— Então sabe por que preciso ir.

— Sei por que está sofrendo. Não aceito que pense que sua dor não importa para mim.

Marina finalmente o encarou.

— Importa tanto que o senhor anunciou um casamento diante de toda a cidade?

Dante recebeu a pergunta sem tentar interrompê-la.

— Eu nunca amei a Verônica.

Marina soltou uma risada triste.

— Então por que vai se casar com ela?

A resposta exigia mais coragem do que qualquer ameaça de Ricardo.

Ele explicou a operação portuária, os compromissos assumidos e a maneira como a família Albuquerque tentava transformar contratos em controle pessoal. Não apresentou a situação como desculpa. Admitiu ter acreditado que conseguiria resolver tudo discretamente, sem ferir ninguém. Marina escutou até o fim, abraçada ao próprio casaco.

O ar noturno estava úmido, e o perfume das flores do jardim misturava-se ao cheiro do asfalto depois da chuva. Marina lembrava-se de ter chegado àquela casa cheia de receio.

Agora saía com uma tristeza diferente: conhecera a ternura de Dante e precisava aprender a viver sem esperar por ela.

— O senhor decidiu sozinho que meu silêncio fazia parte desse plano.

— Eu errei.

— E agora quer que eu espere, enquanto ela me humilha dentro da sua casa?

— Não. Quero que saiba a verdade. Vou encerrar esse noivado e enfrentar as consequências.

Marina sentiu vontade de acreditar. Era justamente isso que a assustava.

— Eu não quero ser o segredo de ninguém — disse.

Dante se aproximou apenas o suficiente para que ela o ouvisse sem esforço.

— Você nunca deveria ter sido tratada assim.

— Mas fui.

Ele abaixou os olhos. Pela primeira vez, Marina viu o homem poderoso sem uma resposta pronta.

A cidade continuava acordada quando Marina chegou ao apartamento. De longe, as luzes da mansão pareciam pertencer a outro universo. Ali, no bairro antigo, as pessoas conheciam o barulho dos ônibus e o cheiro do pão da esquina.

Ela sentiu alívio ao reconhecer coisas que não precisavam de permissão para existir.

O motorista aguardava junto ao carro. Dante poderia ter dado uma ordem e impedido a partida, mas não o fez. Em vez disso, perguntou se Marina precisava de transporte até Santa Cecília. Ela aceitou somente porque já era tarde e precisava chegar em segurança. A decisão permaneceu inteiramente dela.

— Rafael vai continuar investigando a joia e o caso antigo — disse Dante.

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— Faça isso porque é justo, não para me convencer a voltar.

— É o que pretendo.

Marina assentiu. Quando entrou no carro, Dante não tentou beijá-la. Ficou junto ao portão, segurando a carta, enquanto as luzes traseiras desapareciam na rua.

No caminho, Marina observou a cidade pela janela. A Avenida Paulista ainda estava iluminada, indiferente às despedidas de desconhecidos.

Ela pensou nas mãos de Dante sobre o volante durante a tempestade e no modo como ele ficara diante dela no salão. Amor não apagava desigualdades. Tampouco pagava contas hospitalares.

No escritório, Rafael apresentou a Dante os primeiros horários coletados das câmeras. Havia lacunas a esclarecer, mas o acesso de pessoas próximas a Verônica merecia investigação. Dante ordenou que nada fosse apagado e que ninguém fosse pressionado a confirmar uma versão pronta.

Em casa, Lúcia percebeu a mala e fez perguntas. Marina explicou que precisava de um tempo longe da mansão. A mãe não insistiu. Preparou chá e deixou uma coberta sobre o sofá. Depois segurou a mão da filha.

— Você não precisa aceitar qualquer sofrimento só porque alguém é importante.

Marina chorou em silêncio.

Na manhã seguinte, Dante reuniu Rafael e os advogados. Exigiu uma análise das alternativas legais para encerrar os compromissos com Ricardo sem abandonar trabalhadores e fornecedores. Também pediu que verificassem, pelos canais adequados, a situação administrativa do tratamento de Lúcia. Não queria comprar a confiança de Marina.

Queria impedir que alguém explorasse sua vulnerabilidade.

Dante releu a carta depois que o carro partiu. Não procurou justificativas nas palavras dela. A confissão de amor não era uma autorização para exigir espera. Se quisesse merecer outra oportunidade, teria de fazer escolhas concretas, mesmo que isso significasse enfrentar Ricardo sem o conforto das soluções fáceis.

Verônica descobriu a saída de Marina e acreditou ter vencido. Contudo, ao ouvir que Dante reunira advogados, percebeu o perigo. Ligou para Ricardo, exigindo que o pai pressionasse o noivo.

Ricardo respondeu que uma mulher pobre podia ser afastada com facilidade, desde que se descobrisse onde ela mais precisava de ajuda.

— A mãe — disse Verônica.

Ricardo ficou em silêncio por um instante.

— Não faça nada que deixe rastros evidentes.

Ela encerrou a chamada antes de responder. Não pretendia ferir Lúcia fisicamente. Pretendia assustá-la o bastante para recuperar documentos e garantir que a filha nunca voltasse à mansão.

Ricardo não gostou de saber que a filha visitaria o hospital. Recomendou cautela, sobretudo porque o nome Albuquerque já aparecia em registros antigos.

Verônica interpretou a advertência como permissão para agir com discrição.

O pai, por sua vez, começou a procurar documentos que julgava enterrados havia três anos.

Lúcia reconheceu no olhar da filha uma tristeza que não se explicava pelo trabalho. Preferiu esperar que Marina falasse.

Sabia como era difícil pedir ajuda quando cada despesa parecia ameaçar a casa inteira. Preparou o quarto de hóspedes, embora a filha dissesse que dormiria no sofá.

Dante pediu ao motorista que confirmasse a chegada de Marina sem segui-la depois. A linha entre cuidado e vigilância precisava ser respeitada.

Ele aprendera a dar ordens com facilidade; agora descobria que amar alguém exigia suportar a incerteza de não controlar sua resposta.

Marina separou os documentos médicos em pastas por data. A tarefa simples ajudou a organizar pensamentos que se atropelavam.

Não sabia se Dante cumpriria a promessa de romper o noivado. Sabia apenas que a própria dignidade não podia permanecer suspensa até que ele decidisse.

Verônica atravessou o estacionamento do hospital convencida de que havia recuperado vantagem. Não imaginava que sua visita produziria o efeito contrário.

Ao pressionar Lúcia, despertara lembranças e documentos que a família Albuquerque passara anos tentando manter fora do alcance de qualquer investigação.

Ela não sabia o que encontraria no hospital. Tinha apenas a certeza de que precisava proteger a mãe e continuar procurando a verdade, mesmo que isso significasse enfrentar pessoas acostumadas a jamais ouvir uma recusa.

Marina chegou ao hospital para conversar sobre a autorização do procedimento. O corredor cheirava a desinfetante e café.

Quando se aproximou do quarto, viu uma mulher elegante saindo com uma bolsa clara e um sorriso impecável. Era Verônica. Marina parou, incapaz de entender como ela descobrira o horário da visita.

— O que você fez aqui? — perguntou.

Verônica ajeitou o cabelo.

— Sua mãe acabou de me contar uma história muito interessante.

Marina sentiu o chão fugir sob os pés. Passou pela rival sem esperar resposta e abriu a porta do quarto. Lúcia estava acordada, mas apertava o lençol com as duas mãos.

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