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"A Empregada Parabenizou a Noiva do Mafioso… Mas Ele Viu Suas Lágrimas!" Capítulo 4 — O Mafioso Escolheu Acreditar na Empregada

正文开头

A caixa aberta permaneceu sobre a cama de Marina. Ninguém parecia disposto a tocá-la. Verônica cruzou os braços, satisfeita com o silêncio que se instalara no quarto. Beatriz perguntou se a polícia já fora avisada. Teresa apertou as mãos diante do avental.

Marina olhava para o colar como se ele tivesse surgido de um pesadelo antigo.

— Eu não coloquei isso aqui — disse ela.

Verônica soltou uma risada seca.

— Toda ladra diz a mesma coisa.

Dante ergueu a mão, pedindo silêncio.

— Ninguém vai chamar Marina de ladra sem provas de como essa joia chegou ao quarto.

— Está diante dos seus olhos! — protestou Verônica.

Dante observou a caixa, a disposição das roupas e o rosto assustado de Marina. Não era uma perícia; ele sabia disso. Também sabia que encontrar um objeto num quarto não demonstrava quem o colocara ali. A reputação de uma pessoa não poderia depender da pressa de quem desejava puni-la.

— Eu acredito nela — afirmou.

Beatriz pareceu não compreender.

— Dante, você precisa pensar no nome da família.

— É exatamente o que estou fazendo. Nesta casa, ninguém será condenado para facilitar a vida dos outros.

Marina baixou a cabeça. Não queria chorar diante de Verônica, mas aquela confiança atingiu o lugar onde a antiga acusação ainda doía.

Beatriz encontrou o filho no corredor e perguntou se ele compreendia a gravidade da situação. Dante respondeu que compreendia perfeitamente. Uma mulher perdera o trabalho por uma acusação antiga e estava prestes a sofrer o mesmo destino. O nome Montenegro não seria preservado por meio de uma injustiça.

Rafael isolou a caixa e pediu que os funcionários não comentassem o episódio até a revisão dos registros. Teresa acompanhou Marina até a cozinha. Ofereceu água, depois sentou-se diante dela.

— Você não precisa provar coragem o tempo inteiro.

— Preciso provar que não sou o que dizem.

— A verdade não fica menor porque alguém grita mais alto.

No escritório, Dante exigiu acesso às câmeras internas. Rafael identificou uma entrada de Verônica no corredor dos empregados, embora a câmera não mostrasse o interior do quarto. Outra pessoa passara por ali carregando uma sacola. Era uma pista, não uma conclusão.

Dante ordenou que todas as imagens fossem preservadas sem alterações.

Dante percebeu que sua palavra tinha peso, mas não substituía provas. Dizer que acreditava em Marina era necessário; demonstrar a armação seria indispensável. Ele não queria que a inocência dela dependesse eternamente da proteção de um homem rico.

Queria que a verdade pudesse sustentá-la mesmo quando ele não estivesse por perto.

— Quero saber quem tocou naquela caixa — disse.

— Vou conferir horários, depoimentos e acessos — respondeu Rafael.

Dante olhou para o relógio. A acusação contra Marina já circulava pela casa. Mesmo que a verdade aparecesse, o dano não desapareceria por completo. Lembrou-se da maneira como ela pronunciara a palavra empregada na noite anterior.

正文1

No fim da tarde, Marina recebeu uma ligação do setor de faturamento do hospital.

Um procedimento de Lúcia continuava indicado pelos médicos, mas havia uma divergência administrativa na autorização de cobertura. Precisariam apresentar documentos e discutir o pagamento da parte não coberta.

Marina anotou as informações enquanto tentava controlar o tremor das mãos.

Teresa ofereceu acompanhá-la. Marina agradeceu, mas disse que precisava resolver aquilo sozinha.

A combinação da acusação com o problema no hospital tornou a permanência na mansão insuportável. O salário era necessário. Contudo, cada corredor agora parecia conter olhos à espera de outro erro.

Marina examinou os recibos do hospital sob a luz amarelada do quarto. Cada número parecia maior depois daquela tarde. Pensou em pedir um empréstimo, mas sabia que não conseguiria pagá-lo rapidamente.

A decisão de sair não resolvia o dinheiro. Resolvia apenas a sensação de ser julgada todos os dias.

Naquela noite, Dante procurou Marina perto da lavanderia.

— Rafael está investigando.

— Obrigada.

— Você não precisa agradecer por justiça.

Ela segurou uma pilha de toalhas.

— Não é apenas a acusação. Aqui, tudo o que sinto parece errado.

Dante deu um passo, mas parou quando percebeu que ela precisava de espaço.

— Quero ajudá-la com sua mãe.

— Minha mãe precisa de tratamento, não de uma dívida de gratidão que nunca conseguirei pagar.

— Não seria uma dívida.

— Para o senhor, talvez. Para mim, cada favor tem um peso.

Ele não insistiu. Marina viu a decepção nos olhos dele e sentiu vontade de voltar atrás.

Marina imaginou a mãe lendo uma notícia sobre outra acusação. Sentiu vergonha de algo que não fizera, reação que a irritou profundamente.

A injustiça conseguia isso: colocava nas vítimas a obrigação de explicar até o que nunca acontecera.

Decidiu que, se fosse embora, levaria consigo a vontade de limpar seu nome.

No quarto, ela retirou uma folha de caderno da bolsa. Escreveu a carta de demissão devagar. Agradeceu a Teresa, pediu o pagamento dos dias trabalhados e explicou que precisava cuidar da mãe. Releu o texto. Parecia uma justificativa profissional, mas não dizia por que realmente precisava partir.

Acrescentou então uma última frase, sabendo que talvez nunca tivesse coragem de pronunciá-la diante dele. Dobrou o papel e o deixou na cozinha, ao lado da xícara que Dante costumava usar nas madrugadas. Depois começou a separar as roupas. Cada peça guardada na mala parecia confirmar uma perda.

Teresa passou pela porta e viu a mala aberta. Não tentou convencer Marina a ficar. Ajudou a dobrar uma blusa e ofereceu seu número pessoal. Era uma pequena forma de dizer que o afeto entre elas não dependia do endereço onde a jovem dormisse.

Rafael pediu uma lista de pessoas que possuíam chaves e acesso ao corredor. Algumas funcionárias temiam falar por receio de perder o emprego.

Ele explicou que nenhuma delas seria punida por relatar horários ou movimentos observados. A confiança precisava ser construída antes de produzir testemunhos confiáveis.

Marina tentou recordar quando vira o colar pela última vez. Não conseguia. A própria tentativa de reconstruir detalhes a fazia sentir como suspeita. Respirou fundo e repetiu mentalmente que não precisava inventar explicações. Bastava contar o que sabia, mesmo que a verdade parecesse insuficiente diante da encenação de Verônica.

Dante guardou a carta no bolso interno do paletó. Pensou em todas as ocasiões em que chamara Marina pelo nome sem perceber quanto ela esperava por uma atitude.

Não queria responder à confissão com outra frase ambígua. Precisava primeiro desfazer o compromisso que tornara aquele amor doloroso.

Beatriz permaneceu sozinha na sala depois da discussão. O filho nunca desafiara sua opinião com tamanha firmeza por causa de uma funcionária. Ela se perguntou se estava protegendo a família ou apenas defendendo costumes que jamais precisara questionar. A dúvida a incomodou mais que o escândalo.

Dante encontrou a carta pouco depois. Leu o pedido formal e a referência ao hospital. A última linha o fez sentar.

— Eu não posso continuar amando um homem que pertence a outra mulher.

Por alguns instantes, ele apenas encarou a caligrafia. Marina o amava. E ele permitira que ela acreditasse não existir lugar para esse amor.

Do lado de fora, um motor foi ligado. Dante levantou-se de repente e atravessou a cozinha. A porta principal estava aberta. Além do jardim iluminado, viu Marina caminhando com uma mala. Pela primeira vez em muito tempo, não pensou no que poderia perder ao contrariar Ricardo.

Pensou apenas em quem já estava perdendo.

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