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"O Chefe da Máfia Provou a Torta da Empregada… E Descobriu o Segredo Que Ela Escondia Havia Três Anos!" Capítulo 4 — O Segredo da Confeitaria Azevedo

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A Rua dos Pinheiros estava movimentada quando Leonardo estacionou diante de um prédio em reforma. Uma placa anunciava lojas sofisticadas e escritórios. Ele comparou o endereço com a fotografia antiga da Confeitaria Azevedo e reconheceu a esquina.

A fachada de tijolos, as mesas de madeira e a pequena vitrine de bolos tinham desaparecido. Restava uma parede lateral escurecida, escondida por tapumes. Leonardo sentiu uma indignação que não conseguia atribuir apenas à curiosidade.

Rafael aproximou-se com uma pasta.

— A compra foi feita por uma incorporadora. O controlador indireto é Augusto Vasconcelos.

— Meu tio queria este terreno?

— Queria a quadra inteira. Quase todos venderam. Antônio Azevedo foi o último a resistir.

Leonardo examinou as datas. A proposta final de compra fora recusada duas semanas antes do incêndio. A transferência do imóvel ocorreu meses depois, quando a família já estava sufocada pelas dívidas.

— Quero os contratos de cada empresa envolvida — ordenou.

Enquanto isso, Clara atravessava o corredor do Hospital das Clínicas com uma sacola de frutas e uma caixa de doces. Visitava o pai sempre que podia, embora cada deslocamento consumisse horas do seu descanso.

Antônio estava sentado perto da janela. Seus movimentos eram lentos, e algumas palavras pareciam ficar presas antes de alcançar a boca. Quando viu a filha, tentou sorrir.

— Trouxe uma coisa — disse Clara.

Ela abriu a caixa. Havia um pedaço de torta de nozes, preparado com menos açúcar. O pai fechou os olhos ao sentir o aroma.

— Célia — murmurou.

Clara sentiu a garganta apertar.

— É a receita dela, pai. Lembra como eu sempre errava o ponto da calda?

Antônio segurou sua mão. Durante alguns instantes, pareceu tranquilo. Depois, ao ver a pequena queimadura no pulso da filha, começou a respirar depressa.

— Porta… homem… preto…

— Está tudo bem. Estamos no hospital.

Ele balançou a cabeça, desesperado para dizer algo que o corpo não obedecia.

Leonardo chegou pouco depois. Havia pedido a Rafael que verificasse os custos do tratamento, mas preferira falar pessoalmente com Clara antes de tomar qualquer iniciativa. Encontrou-a junto à porta do quarto.

— Não precisava vir — disse ela, surpresa.

— Eu precisava entender o que aconteceu com a confeitaria. E pedir sua autorização para continuar investigando.

Clara cruzou os braços.

— A investigação acabou há três anos. Para a polícia, a culpada fui eu.

Depois da visita, Clara permaneceu no jardim do hospital até recuperar a calma. Havia pacientes conversando nos bancos e famílias dividindo garrafas de água. Ela se lembrou de quando o pai lhe ensinava a fechar a loja, contando as moedas do caixa com paciência.

Antônio nunca fora um homem rico, mas conhecia cada cliente pelo nome. Quando a notícia do incêndio saiu, aquelas mesmas pessoas deixaram de cumprimentá-lo. Clara percebeu que precisava descobrir a verdade não apenas para recuperar um imóvel, mas para devolver ao pai a dignidade que lhe tinham roubado.

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Ainda não sabia se conseguiria confiar em Leonardo. Sabia, contudo, que não suportaria outra mentira.

No caminho de volta, Leonardo pediu a Rafael que não abordasse Antônio sem acompanhamento médico. O homem merecia proteção, não outro interrogatório. Também solicitou uma cópia legal dos documentos da aquisição do imóvel. Queria separar fatos de suspeitas antes de confrontar o tio.

Antes de sair do hospital, Clara ficou alguns minutos diante da janela do corredor. O trânsito de São Paulo seguia indiferente lá embaixo. Ela pensou em quantas pessoas carregavam histórias que ninguém escutava. Talvez seu pai tivesse tentado contar a verdade durante anos, enquanto todos interpretavam suas palavras como confusão.

Clara, por sua vez, telefonou à enfermeira para perguntar se o pai estava calmo. Ao desligar, percebeu que ainda segurava a fotografia de Augusto que Leonardo lhe mostrara. Não era mais possível fingir que o passado estava enterrado.

Cada resposta abria outra pergunta, e todas pareciam conduzir à mesma família.

— A conclusão pode estar errada.

— Pode? O senhor sabe o que é ouvir isso depois de perder tudo?

Leonardo aceitou a dureza da pergunta.

— Não sei. E não vou fingir que sei.

A resposta sincera a desarmou por um instante. Ela permitiu que ele entrasse. Antônio observou o visitante com cautela, até Leonardo receber uma chamada de Rafael.

Na tela apareceu a fotografia de Augusto, retirada de um documento empresarial. Antônio viu a imagem e tentou levantar-se de repente.

— Foi ele! — gritou, com uma clareza que surpreendeu a filha.

Clara segurou seus ombros.

— Pai, quem? O que ele fez?

Antônio apontava para o telefone. Seu rosto estava molhado de lágrimas. Leonardo mostrou a imagem novamente, agora sem aproximá-la demais.

— O senhor conhece esse homem?

O idoso assentiu várias vezes.

— Loja… vender… fogo…

Uma enfermeira entrou para avaliar a agitação. Leonardo afastou-se, permitindo que ela cuidasse do paciente. Clara permaneceu ao lado do pai até a respiração dele se estabilizar.

No corredor, a jovem encarou Leonardo.

— Quem é o homem da fotografia?

Ele não desviou os olhos.

— Meu tio, Augusto Vasconcelos.

Clara recuou um passo. O nome pareceu erguer uma parede entre eles.

— Então sua família comprou o lugar onde a minha vida acabou.

Clara pediu à equipe médica que anotasse as palavras do pai no prontuário. A enfermeira concordou e explicou que lembranças traumáticas podiam surgir em fragmentos. Era importante não pressioná-lo. Clara respirou fundo e prometeu voltar no dia seguinte.

Precisava aprender a ouvir Antônio sem transformar cada tentativa de fala numa nova dor.

Augusto recebeu um relatório sobre a visita de Leonardo à Rua dos Pinheiros. Amassou o papel e chamou um assessor. Queria saber quais arquivos ainda existiam e quem tinha acesso a eles. O assessor não respondeu imediatamente. Pela primeira vez, Augusto percebeu que o tempo podia trabalhar contra ele.

— Uma empresa ligada a ele comprou. Estou tentando descobrir como.

— E se descobrir algo terrível?

Leonardo pensou nos contratos, nas contas e no pai dela tremendo diante de uma imagem.

— Vou entregar a verdade a quem precisa conhecê-la, mesmo que ela destrua a reputação da minha família.

Clara não respondeu. Pela primeira vez em três anos, a culpa que carregava encontrou uma pequena fresta. Mas a esperança vinha acompanhada de um medo ainda maior: talvez o incêndio nunca tivesse sido um acidente.

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