"A Amante Humilhou a Esposa Grávida do Mafioso… Até Ele Descobrir Que Ela Esperava Gêmeos!" Capítulo 5 — O Segredo do Porto de Santos
O nome de Verônica Albuquerque aparecia no documento como se ela tivesse recebido de Marina uma autorização que jamais existira. Renata pousou a pasta sobre a mesa do quarto hospitalar e aguardou a reação da cliente.
— Ela não pode representar meus interesses — disse Marina. — Nunca assinei nada.
— É exatamente o que vamos demonstrar. Mas precisamos agir antes que a empresa peça uma decisão urgente para ocupar o terreno.
Marina olhou pela janela. A cidade seguia indiferente, com carros descendo a avenida e pessoas apressadas atravessando a manhã. No hospital, cada minuto parecia durar uma hora.
— Minha mãe trabalhou a vida inteira para construir aquele instituto.
— Conte como começou — pediu Renata.
Marina recordou a mãe, Lúcia Oliveira, chegando em casa com os sapatos molhados depois de uma visita ao Porto de Santos. Naquela época, o armazém era apenas um prédio antigo, com telhas quebradas e cheiro de madeira úmida.
Lúcia poderia ter vendido o imóvel. Em vez disso, reformara metade da construção para receber gestantes que não conseguiam atendimento regular. A outra metade sustentava financeiramente o projeto com contratos de armazenamento.
— Ela dizia que nenhuma mulher deveria escolher entre pagar uma consulta e comprar comida — explicou Marina.
Renata anotou a frase.
— O instituto tem escritura própria?
— O imóvel pertence à holding da família. Minha mãe deixou regras para impedir a venda sem aprovação expressa dos herdeiros.
— Então precisamos localizar essas regras originais.
Na sede da Montenegro Logística, Dante encarava fotografias do terreno. O armazém ficava numa área valorizada por novos projetos portuários. Marcelo Vasconcelos havia oferecido milhões pela propriedade em três ocasiões.
Dante recusara todas. Não porque conhecesse a história da Casa da Esperança, mas porque desconfiava da pressa de Marcelo.
Rafael entrou carregando um envelope.
— Encontramos pagamentos feitos pela Atlântico Empreendimentos a uma consultoria registrada no nome de um primo de Verônica.
— Pelo quê?
— Serviços administrativos. Só que não há relatórios, contratos de entrega nem funcionários suficientes para justificar os valores.
Dante examinou as datas. Os depósitos começaram pouco depois de Verônica assumir a administração da mansão.
— Ela recebeu para controlar minha casa.
— Ainda não podemos afirmar isso. Podemos provar que recebeu dinheiro de uma empresa ligada a Marcelo. O motivo exige investigação.
Dante deixou o papel sobre a mesa.
— Encaminhe tudo aos advogados. Quero os documentos preservados.
Rafael assentiu, mas permaneceu parado.
— Tem outra coisa. A autorização que você assinou para Verônica abrangia correspondências domésticas. Ela usou essa permissão para retirar cartas endereçadas a Marina.
— Cartas de quem?
— Do instituto, do cartório e do escritório que administrava a herança.
Dante sentiu o rosto queimar. Lembrou-se de Marina dizendo que nunca recebia respostas quando perguntava sobre os negócios da mãe. Ele chamara aquilo de preocupação excessiva.
— Eu disse a ela para confiar em Verônica — murmurou.
— Disse — confirmou Rafael.
Naquela tarde, Renata conseguiu uma reunião por vídeo com Teresa Nogueira, diretora da Casa da Esperança. A mulher apareceu diante de uma parede com desenhos infantis e fotografias de mães segurando recém-nascidos.
— Dona Marina, sua mãe estaria orgulhosa de saber que a senhora está lutando por nós.
Marina engoliu a emoção.
— Teresa, vocês receberam alguma ordem para sair?
— Um representante da Atlântico veio ontem. Falou de reformas e pediu acesso ao arquivo. Hoje apareceu um aviso dizendo que nosso contrato seria revisto.
— Não entreguem documentos sem falar com Renata — orientou Marina.
— Temos vinte e três gestantes acompanhadas esta semana. Algumas vêm de bairros distantes. Se fecharmos, elas perderão consultas importantes.
Marina levou a mão à barriga. Sabia exatamente o medo que aquelas mulheres sentiriam ao perder assistência médica.
— O instituto não vai fechar por causa de uma assinatura falsa.
Quando a chamada terminou, Renata mostrou uma fotografia ampliada do formulário apresentado ao cartório.
— Veja esta linha. O documento autoriza Marcelo a oferecer o terreno como garantia de financiamento.
— Uma dívida usando a herança da minha mãe?
— Sim. E, se a operação avançar, o instituto poderá ficar preso numa disputa muito maior.
Marina respirou devagar.
— Peça uma medida urgente. Eu mesma confirmarei que nunca dei autorização.
No fim da tarde, Dante pediu para conversar com ela. Marina permitiu dez minutos, na presença de Renata.
Ele entrou sem flores. Trazia apenas uma pasta de documentos.
— Suspendi qualquer negociação da Montenegro Logística com Marcelo — anunciou. — Rafael identificou pagamentos suspeitos a pessoas ligadas a Verônica.
Marina permaneceu imóvel.
— Você sabia que minha mãe mantinha uma clínica em Santos?
Dante hesitou.
— Sabia que havia um projeto social. Não sabia que dependia daquela propriedade.
— Eu contei isso no nosso primeiro Natal juntos.
A lembrança o atingiu. Marina lhe mostrara fotografias da inauguração, enquanto ele atendia mensagens de negócios debaixo da mesa.
— Você tem razão — respondeu.
— Eu não quero que compre o instituto para parecer um herói.
— Não vou comprar nada. Quero entregar os registros que possam ajudar sua advogada.
Marina observou o homem que costumava resolver discussões com uma ordem. Pela primeira vez, ele aguardava uma resposta sem pressioná-la.
— Entregue a Renata. Não a mim.
Ele concordou.
Na mansão, Verônica abriu uma gaveta vazia e encontrou apenas a marca retangular deixada por uma pasta azul. Os documentos haviam desaparecido do escritório de Dante.
Ela telefonou para Marcelo.
— A segurança encontrou os pagamentos. Precisamos parar.
— Parar agora significa perder tudo — respondeu ele.
— Marina já contratou uma advogada.
— Então consiga a assinatura verdadeira. Ou descubra onde Lúcia guardou o livro original da holding.
Verônica ficou em silêncio.
— Você disse que aquele livro tinha sido destruído.
— Eu disse que ninguém sabia onde estava.
À noite, Teresa enviou a Marina uma fotografia de um armário antigo, escondido atrás de divisórias na sala administrativa do instituto. Dentro havia caixas com o nome de Lúcia.
Marina reconheceu imediatamente a caligrafia da mãe.
— Renata, precisamos proteger essas caixas.
A advogada ampliou uma etiqueta. Estava escrito: “Originais. Não retirar sem autorização de Marina.”
Antes da ligação, Marina pedira a Renata que explicasse como uma medida judicial poderia proteger as consultas sem interromper o atendimento. A advogada separou as providências em duas frentes: contestar os documentos e garantir que nenhuma ordem administrativa fosse executada sem análise.
— E se o juiz não decidir hoje? — perguntou Marina.
— Podemos pedir urgência, mas não controlar o prazo. Por isso estamos avisando a direção para manter registros de tudo.
Marina também pediu a Renata que verificasse os contratos de atendimento com clínicas parceiras. Não queria que uma disputa de propriedade interrompesse exames já marcados.
— Vamos procurar uma solução provisória, se for necessário — respondeu a advogada.
A conversa devolveu alguma calma a Marina. Ela não podia resolver tudo sozinha, mas podia fazer perguntas, reunir pessoas e impedir que outros falassem em seu nome.
Antes que respondesse, o telefone de Teresa tocou novamente. Sua voz surgiu trêmula na chamada.
— Dona Marina, tem dois homens aqui. Eles dizem que vieram buscar o arquivo por ordem da Atlântico.
Marina se ergueu na cama.
— Teresa, não abra a porta.
Do outro lado, ouviu-se uma pancada metálica.
E a ligação caiu.
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