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"A Amante Humilhou a Esposa Grávida do Mafioso… Até Ele Descobrir Que Ela Esperava Gêmeos!" Capítulo 4 — A Esposa Que Ele Perdeu

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Dante passou a noite diante da porta do quarto, sem pedir para entrar. Pela primeira vez, compreendia que esperar uma resposta era diferente de exigir obediência.

Na manhã seguinte, a médica Helena informou que os exames não mostravam uma emergência imediata, mas Marina continuaria sob acompanhamento. O trauma, a dor e as contrações exigiam cautela.

— Quero saber quando ela poderá ir para casa — Dante perguntou.

— A decisão de alta depende da evolução clínica — explicou Helena. — E o destino depois da alta será escolhido por Marina.

Enquanto isso, Rafael supervisionava a retirada dos pertences de Verônica da mansão. Ela apareceu no hall usando o mesmo colar de diamantes que Marina reconhecera no dia da queda.

— Você não pode me expulsar assim — protestou, ao encontrar Dante na entrada.

— Seus acessos foram cancelados. A equipe vai registrar tudo que sair daqui.

— Depois de tudo o que vivemos?

Dante observou o colar.

— Tire isso. Pertence à Marina.

Verônica segurou as pedras junto ao pescoço.

— Você me deu presentes muito mais caros. Não finja que eu era apenas uma funcionária.

— Não vou fingir. Eu traí minha esposa. Isso é responsabilidade minha.

A resposta pareceu irritá-la ainda mais.

— Você me procurava quando ela ficava em casa esperando! Passou o aniversário de casamento comigo em Ibiúna. Esqueceu?

Dante não esqueceu. Lembrou-se da mensagem de Marina naquela noite: Guardei seu jantar. Volte quando puder. Ele respondera apenas amanhã conversamos.

— Saia da casa — disse, sem levantar a voz.

— Vai implorar para ela voltar? — Verônica provocou. — Uma mulher que já não consegue olhar para você?

Dante não respondeu. A equipe de segurança acompanhou a saída dela, sem violência e sem impedir que recolhesse seus bens pessoais documentados.

No hospital, Marina recebeu uma chamada de Renata. A advogada havia encontrado um apartamento temporário em Moema, com elevador, acesso fácil ao atendimento médico e segurança independente da equipe de Dante.

— Quero conhecer as condições antes de aceitar — Marina disse.

— Naturalmente. Também preparei uma lista de documentos e despesas que ficarão sob seu controle.

Dona Rosa chegou com uma pequena bolsa contendo roupas limpas. Ficou emocionada ao ver a patroa sentada, tomando água.

— Me perdoe por ter demorado a falar — pediu a empregada.

Marina segurou sua mão.

— Você chamou ajuda quando eu precisei. E disse a verdade.

— Eu devia ter dito antes.

— Nós duas estávamos com medo.

Quando Rosa saiu, Dante apareceu carregando flores brancas e uma sacola de roupas para os bebês. Pediu autorização à enfermeira e aguardou a resposta de Marina.

— Pode entrar por alguns minutos — ela disse.

Ele colocou os presentes numa cadeira, sem se aproximar da cama.

— Comprei duas mantas. Não sabia que havia duas crianças. Sei que isso não desculpa nada.

Marina observou as peças pequenas. Uma era amarela, a outra verde.

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— São bonitas.

— Pode deixar as mantas. Leve as flores.

— Você não gosta delas?

— Gosto. Mas não quero flores no lugar de respostas.

Ele abaixou os olhos.

— Pergunte o que quiser.

Marina apertou o lençol.

— Você passou nosso aniversário em Ibiúna com Verônica?

O silêncio confirmou antes da resposta.

— Passei.

— E quando eu liguei naquela noite?

— Vi a mensagem. Escolhi não voltar.

Marina fechou os olhos. Já suspeitava, mas ouvir a verdade doía de outra maneira.

— Você a amava?

— Não vou usar uma palavra bonita para justificar o que fiz. Eu a procurei. Mantive o caso. Menti para você.

— E ainda deixou que ela mandasse na minha casa.

— Sim.

Marina ficou em silêncio por alguns instantes. Depois apontou para a cadeira.

— Eu me lembro de quando você preparava café para mim antes de sair. Você dizia que não confiava em ninguém para acertar a quantidade de açúcar.

Dante sorriu tristemente.

— Duas colheres rasas.

— Você se lembrava do açúcar. Mas esqueceu de perguntar se eu estava bem.

A frase o fez desviar o rosto. Ele não tinha defesa possível.

— Não vou pedir que me perdoe hoje — disse.

— Ainda bem. Porque eu não conseguiria.

Marina explicou que desejava morar separada, consultar uma advogada sobre o casamento e administrar pessoalmente os bens deixados pela mãe. Também queria que qualquer contato sobre os filhos respeitasse sua saúde e suas decisões médicas.

Dante ouviu tudo.

— Vou colaborar — respondeu.

— Não faça isso esperando uma recompensa.

— Vou fazer porque deveria ter feito antes.

Ela olhou para ele com uma mistura de tristeza e cansaço.

— Eu amei o homem que você era quando nos casamos. Não sei se aquele homem ainda existe.

Dante se levantou lentamente.

— Eu também não sei. Mas vou descobrir sem obrigar você a esperar.

Na saída, encontrou Joaquim sentado no corredor. O motorista segurava o boné entre as mãos.

— Patrão, tentei tirar o carro. Dona Verônica disse que o senhor me mandaria embora.

— Eu sei, Joaquim.

— Dona Marina pediu ajuda. Eu devia ter ido mesmo assim.

Dante sentou ao lado dele.

— Eu criei uma casa onde você tinha medo de socorrer minha esposa. Isso não pode continuar.

— O senhor vai me demitir?

— Não. Quero seu depoimento verdadeiro. E quero que nunca mais ninguém precise escolher entre ajudar uma pessoa e conservar o emprego.

No quarto, Marina assinou a autorização para Renata consultar os documentos de sua herança. Não assinou qualquer papel de divórcio naquele dia. Queria entender seus direitos antes de decidir.

A advogada voltou no início da noite com uma pasta de registros obtidos em Santos.

— Encontramos uma movimentação preocupante — disse, acomodando-se junto à cama.

— Sobre a empresa da minha mãe?

— Sobre o terreno onde funciona a Casa da Esperança. Há uma tentativa de transferência e um pedido para desocupar parte do imóvel.

Marina empalideceu.

— Minha mãe criou aquele lugar para mulheres que não tinham dinheiro para consultas. Não podem simplesmente expulsá-las.

— Estamos verificando a validade dos documentos. Mas há urgência.

Renata abriu uma página e mostrou a data.

— O pedido foi protocolado antes da sua queda. E a pessoa que aparece como representante autorizada é Verônica Albuquerque.

Marina levou a mão à barriga. Os bebês se moveram, lembrando-a de que precisava respirar devagar.

— Ela queria meu marido, minha casa e agora a obra da minha mãe?

Renata hesitou.

— Talvez Verônica seja apenas uma parte do plano. O beneficiário da operação é uma empresa ligada a Marcelo Vasconcelos.

Marina fitou a assinatura impressa no documento. Não era dela.

— Então alguém decidiu vender o que minha mãe construiu sem me perguntar.

— E teremos de impedir isso legalmente — respondeu Renata.

Na última página, uma cláusula chamou a atenção da advogada. Caso a transferência fosse contestada, a instituição poderia sofrer uma suspensão provisória de atividades enquanto o conflito fosse analisado.

Marina ergueu o rosto.

— Quantas mulheres estão sendo atendidas lá?

— Vinte e três gestantes nesta semana, segundo a administração.

Marina respirou fundo e estendeu a mão.

— Me dê a pasta. Quero ler cada linha. Ninguém vai usar meu silêncio para fechar a Casa da Esperança.

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