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"A Amante Humilhou a Esposa Grávida do Mafioso… Até Ele Descobrir Que Ela Esperava Gêmeos!" Capítulo 2 — Dois Corações, Uma Traição

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— Gêmeos? — Dante repetiu, olhando da médica para a esposa.

Dra. Helena Carvalho conferiu o monitor.

— Dois bebês. Os batimentos estão presentes, mas precisamos acompanhar a possibilidade de sangramento, alterações da placenta e trabalho de parto prematuro. Sua esposa sofreu um impacto no abdômen.

Marina permanecia imóvel. A mão direita cobria a barriga. A esquerda trazia a marca dos dedos de Verônica.

— Quero os melhores médicos do país — Dante ordenou. — Reserve um andar inteiro, se for preciso.

— O atendimento será definido pelas necessidades clínicas — respondeu Helena. — E a senhora Marina decidirá quem permanece no quarto.

Dante abriu a boca, depois a fechou. Nunca alguém lhe impusera um limite com tamanha tranquilidade.

— Você quer que ele fique? — a médica perguntou à paciente.

Marina demorou a responder.

— Cinco minutos.

Helena concordou e pediu à enfermeira Patrícia que continuasse a observação. Quando ficaram sozinhos, Dante se aproximou da cama. Marina encolheu os ombros. Ele parou imediatamente.

— Há quanto tempo você sabe dos gêmeos?

— Quatro meses.

— Por que não me contou?

Marina soltou uma risada sem alegria.

— Eu contei. Deixei a ultrassonografia na sua mesa. Mandei mensagem. Pedi que viesse comigo à consulta.

Dante tentou lembrar. Naquele dia, assinara um contrato de distribuição. Verônica dissera que Marina estava irritada. À noite, ele havia dormido na casa de campo em Ibiúna, ao lado da amante.

— Eu não vi a foto.

— Não. Você também não viu quando passei a comer sozinha.

Ele observou o uniforme preto.

— Por que está vestida assim?

— Verônica disse que você queria que eu ajudasse no almoço beneficente. Os convidados não poderiam ver a dona da casa de chinelos.

— Eu jamais ordenei isso.

— Mas deu a ela o poder de ordenar.

Dante respirou fundo.

— Vou tirá-la daquela casa hoje.

— Você ainda não entendeu. Não é só sobre ela.

Marina descreveu as correspondências abertas, os horários impostos, o colar usado pela amante e as refeições que lhe eram negadas quando os convidados chegavam. Contou que Joaquim recebera ordens para não levá-la ao hospital.

— Eu reclamei duas vezes, Dante. Você me chamou de ciumenta nas duas.

Ele abaixou a cabeça. Lembrava-se perfeitamente das conversas. Na época, achara que encerrar a discussão bastava para resolver o problema.

— Eu fui covarde — admitiu.

Uma contração interrompeu Marina. Ela fechou os olhos, respirando com dificuldade. Dante deu um passo instintivo, mas parou ao perceber que ela se afastava.

— Enfermeira! — chamou.

Patrícia entrou, verificou o traçado e avisou Helena. A dor cedeu depois de alguns instantes. A médica explicou que os exames continuariam e que qualquer mudança exigiria avaliação imediata.

Dante sentiu um medo que não conhecia. Nenhum inimigo havia conseguido fazê-lo sentir tão inútil.

— Verônica mostrou documentos de divórcio — Marina disse quando recuperou o fôlego. — Sua assinatura estava neles. Ela afirmou que você tiraria meus filhos depois do parto.

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— Eu não assinei nada.

— Você tem certeza de tudo o que autorizou?

A pergunta o atingiu. Nas últimas semanas, assinara pastas sem ler, confiando em Verônica para separar assuntos domésticos dos contratos empresariais.

— Vou pedir uma perícia.

— Peça. Mas não decida por mim.

Marina puxou debaixo do travesseiro uma fotografia de ultrassom. Dois perfis pequenos apareciam lado a lado. Dante a recebeu com cuidado, como se o papel pudesse se desfazer.

— Eles estavam aqui o tempo todo — disse ela.

— Eu deveria ter estado também.

— Sim.

— Deveria ter atendido suas ligações.

— Sim.

— Deveria ter protegido você.

Marina balançou a cabeça.

— Eu não precisava de um mafioso para me proteger, Dante. Precisava de um marido que me escutasse.

A frase ficou suspensa entre eles. Dante era temido em São Paulo, mas não conseguia encontrar uma resposta que não soasse vazia.

Uma batida interrompeu o silêncio. Um segurança do hospital apareceu.

— Senhora Montenegro, Verônica Albuquerque está na recepção. Ela diz ter autorização para entrar.

— Não tem — Dante respondeu.

O segurança voltou o rosto para Marina, aguardando a decisão dela.

— Não quero vê-la. Só autorizo a entrada da minha advogada, quando chegar. E do Dante, por enquanto.

O homem registrou a orientação e saiu.

— Advogada? — Dante perguntou.

— Vou procurar uma que não trabalhe para você.

— Marina, por favor...

— Quando receber alta, não vou voltar para aquela mansão.

Dante sentiu o peito apertar.

— É a sua casa.

— Deixou de ser quando eu precisei pedir permissão para sair dela.

Ele olhou para o chão. Pensou em prometer que demitiria todos, compraria outra residência e colocaria seguranças em cada porta. Mas aquelas decisões continuariam sendo dele, não dela.

— Você escolherá onde quer ficar — disse finalmente. — Não vou impedir.

Marina o observou, desconfiada. Talvez fosse a primeira vez em meses que ele aceitava uma resposta sem transformá-la numa negociação.

Helena retornou e informou que, naquele momento, não havia confirmação de sangramento ativo. Ainda seriam necessários exames e monitoramento. Marina precisaria descansar.

— Seus cinco minutos terminaram — a paciente avisou.

Dante deixou a ultrassonografia na mesa, perto da mão dela, e saiu. No corredor, abriu a primeira mensagem de voz.

— Dante, a dor não passa. Me liga quando puder.

Na quarta, Marina dizia que Verônica não permitia a saída do motorista. Na nona, quase não conseguia falar.

— Por favor... pelos bebês.

A décima primeira continha um ruído seco, passos e um grito distante. Dante ouviu duas vezes, depois ligou para Rafael Moura, seu chefe de segurança.

— Preserve todas as gravações da mansão. Nenhum funcionário deve apagar mensagens ou mexer nas câmeras.

— E Verônica?

— Cancele os acessos dela. Não ameace ninguém. Se houve crime, quero provas para a polícia.

Rafael permaneceu em silêncio por um segundo.

— Isso é diferente das suas ordens habituais.

— Minha esposa quase perdeu nossos filhos dentro da minha casa. Não vou transformar isso numa vingança que destrua a verdade.

Quando desligou, Dante percebeu que Verônica lhe enviara uma mensagem: Marina exagerou. Podemos conversar a sós?

Ele não respondeu. Aproximou-se da janela do corredor e viu o reflexo de um homem que sempre acreditara controlar tudo.

Na realidade, nem sabia que seria pai de duas crianças.

Uma enfermeira saiu do quarto carregando uma sacola com os pertences de Marina. Sobre o tecido preto do uniforme, havia um pequeno crachá: SERVIÇO DOMÉSTICO.

Dante sentiu vergonha ao reconhecer o brasão de sua própria casa. O mesmo símbolo que usava nos portões, nos carros e nas festas estava preso ao peito de sua esposa como uma humilhação.

— Ela pediu que guardássemos a roupa — explicou Patrícia. — Pode servir como registro do que aconteceu.

Ele assentiu, sem tocar na sacola.

Pouco depois, Rafael retornou a ligação.

— Encontrei uma alteração nas regras de contato da residência. Foi aprovada com sua assinatura, seis semanas atrás.

— Quem solicitou?

— Verônica. Todas as emergências domésticas passaram a ser filtradas por ela.

Dante fechou os olhos.

— Envie a autorização.

— Há mais uma coisa. Joaquim tentou sair com o carro hoje. Alguém o ameaçou de demissão.

Dante encarou a porta do quarto, atrás da qual Marina descansava.

— Quem?

— A mesma pessoa que mandou bloquear suas ligações.

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