"A Amante Humilhou a Esposa Grávida do Mafioso… Até Ele Descobrir Que Ela Esperava Gêmeos!" Capítulo 1 — Onze Ligações Ignoradas
A primeira contração veio enquanto Marina Montenegro esfregava uma mancha inexistente na mesa de mármore. Ela parou, apertou a barriga de oito meses e esperou a dor passar. Do outro lado da sala, Verônica Albuquerque examinava o próprio reflexo numa bandeja de prata.
— Você deixou marcas no vidro, Marina. Comece de novo.
A mulher usava um vestido champanhe e um colar de diamantes que Dante havia dado à esposa no segundo aniversário de casamento. Marina reconheceria aquelas pedras até de olhos fechados.
— Esse colar é meu — disse, apoiando a mão na mesa.
Verônica sorriu.
— Era. Dante acha que combina melhor comigo. Agora tire essa expressão. Temos convidados para o almoço beneficente.
Marina olhou para o uniforme preto que a amante do marido a obrigara a vestir. Seis meses antes, aquela casa no Jardim Europa ainda parecia sua. Depois, Verônica passou a escolher as flores, controlar os empregados e abrir as correspondências. Dante chamava aquilo de eficiência.
— Preciso me sentar — Marina murmurou.
— Você está grávida, não inválida.
Dona Rosa surgiu da cozinha com uma jarra de água. Seus olhos se fixaram no rosto pálido da patroa.
— Dona Marina, a senhora está suando frio. Vou buscar o Joaquim.
— Ninguém vai buscar ninguém — interrompeu Verônica. — O motorista está ocupado.
Marina tirou o celular do bolso do avental. A tela mostrava três chamadas sem resposta. Tentou novamente. O telefone tocou até cair na caixa postal.
— Dante, por favor. Estou com dor. Preciso falar com você.
No escritório da Montenegro Logística, na Faria Lima, Dante analisava contratos de transporte. O aparelho permanecia no silencioso, virado para baixo. Verônica lhe dissera naquela manhã que Marina estava nervosa por causa de um evento e que não havia motivo para interromper reuniões.
Marina tentou a quinta ligação quando outra pontada atravessou seu ventre. Segurou a beirada da mesa. Dona Rosa aproximou uma cadeira, mas Verônica a afastou com o pé.
— Não quero empregados assistindo a esse espetáculo.
— Eu não estou fingindo — Marina respondeu, com a voz falhando.
— Então chame um táxi. Não vou disponibilizar o carro da família para cada capricho seu.
Marina sabia que Joaquim a levaria sem hesitar. Na semana anterior, porém, Verônica havia recolhido as chaves e ameaçado demiti-lo caso obedecesse à esposa de Dante sem autorização.
Ela ligou de novo. E de novo. Na nona tentativa, gravou outra mensagem, ofegante.
— Dante, eu estou com medo. Por favor, pelos bebês.
Verônica ergueu uma sobrancelha.
— Bebês? Você continua insistindo nessa história? Dante mal se interessa por um filho. Imagine dois.
Marina ergueu o rosto.
— Não fale dos meus filhos.
— Seus? Você tem certeza de que conseguirá ficar com eles?
A amante abriu a bolsa e retirou uma pasta branca. Sobre a primeira página, em letras formais, aparecia a palavra DIVÓRCIO. A assinatura no rodapé parecia exatamente a de Dante Montenegro.
— Ele já decidiu — Verônica anunciou. — Depois do parto, vai pedir a guarda. Você ficará com uma pensão e nada mais.
Marina sentiu o chão vacilar. Durante meses, perguntara ao marido por que Verônica ocupava seu lugar à mesa. Dante sempre respondera que estava cansado demais para discutir ciúmes.
Agora aquela assinatura parecia transformar cada desculpa numa sentença.
— Quero falar com meu advogado — Marina disse.
— Você não tem advogado.
— Vou encontrar um.
Marina fotografou rapidamente a primeira página. Verônica avançou para arrancar o aparelho, mas Marina o escondeu contra o peito.
— Não toque em mim.
— Você está esquecendo quem manda nesta casa.
— Eu sou a esposa de Dante. E, mesmo que não fosse, ninguém manda no meu corpo.
Uma voz masculina surgiu no corredor.
— Estamos perdendo tempo, Verônica.
Marcelo Vasconcelos apareceu perto da escada. Era alto, trazia uma cicatriz na sobrancelha e segurava uma pasta azul. Marina o reconheceu imediatamente. Duas semanas antes, vira aquele homem discutindo com Verônica do lado de fora da clínica de obstetrícia.
— O que ele está fazendo aqui? — perguntou.
Marcelo ignorou a pergunta.
— Entregue o celular, senhora Montenegro. Precisamos esclarecer um mal-entendido.
Marina recuou.
— Não conheço você. Saia da minha frente.
O homem estendeu a mão. Marina desviou e tentou alcançar a escada, onde o sinal do telefone costumava funcionar melhor. A décima ligação caiu antes que Dante atendesse.
— Joaquim! — gritou. — Preciso ir ao hospital!
Verônica agarrou seu pulso.
— Pare de fazer escândalo!
Marina tentou se soltar. Marcelo avançou para tomar o aparelho. O salto baixo de Marina prendeu na borda do degrau. Ela perdeu o equilíbrio, bateu o abdômen no corrimão e caiu de joelhos.
A dor foi tão intensa que lhe roubou o ar.
— Meus bebês... — conseguiu dizer.
Dona Rosa deixou a jarra cair. A água se espalhou pelo mármore enquanto a empregada corria até Marina.
— Chame a ambulância! Agora!
— Ela só tropeçou — Verônica retrucou, mas a própria voz denunciava o susto.
Dona Rosa não obedeceu. Pegou o telefone fixo da cozinha e discou para o socorro. Joaquim apareceu à porta, alertado pelos gritos, e se ajoelhou ao lado de Marina.
— Não tente levantar, dona Marina. A ajuda está chegando.
Marina apertava o celular com a última força que possuía. A décima primeira chamada permanecia registrada como não atendida. Seus olhos buscaram a tela uma vez mais.
— Dante... — sussurrou.
Verônica tentou recolher os documentos espalhados. Marcelo, entretanto, percebeu uma câmera apontada para a escada. Seu rosto perdeu a cor. Guardou a pasta azul debaixo do braço e desapareceu pelo corredor de serviço.
Na ambulância, Marina ouviu a paramédica perguntar sobre os movimentos dos bebês. Respondeu com dificuldade. O profissional avisou à equipe do hospital que a paciente estava grávida de gêmeos e sofrera um trauma abdominal.
Enquanto isso, no escritório, Dante encerrou a reunião e virou o telefone. Onze chamadas de Marina. Três mensagens de voz. Um número desconhecido, identificado como hospital, ligava naquele instante.
— Senhor Montenegro? Sua esposa sofreu uma queda. Precisamos que venha imediatamente.
Dante levantou tão depressa que a cadeira bateu na parede.
— Ela está viva?
— Está recebendo atendimento. Não podemos discutir o quadro por telefone.
Ele saiu sem pegar o paletó. Durante o trajeto ao Morumbi, tentou ouvir as mensagens. Na primeira, Marina pedia ajuda. Na quarta, sua voz tremia. Na nona, falava dos bebês. Dante apertou o telefone até os dedos doerem.
Antes da chegada de Dante, Patrícia havia perguntado se Marina queria avisar alguém da família. Marina pensou na mãe, que já não estava viva, e no telefone que permanecera mudo durante toda a manhã. Pediu apenas que Dona Rosa soubesse que ela havia chegado ao hospital.
Ao entrar no quarto, encontrou Marina deitada, usando ainda o uniforme de empregada. Havia marcas roxas em seu pulso. O monitor ao lado da cama emitia sinais regulares.
— Quem fez isso com você? — perguntou, sem reconhecer a própria voz.
Marina virou o rosto. A médica, Helena Carvalho, se aproximou com a prancheta.
— Senhor Montenegro, estamos acompanhando os batimentos dos bebês. O trauma exige observação cuidadosa.
Dante franziu a testa.
— Bebês?
Helena o encarou.
— Sim. Sua esposa está esperando gêmeos.
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