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"A Empregada Que Salvou o Chefe da Máfia de Morrer Afogado" Capítulo 1 — A EMPREGADA QUE O MAFIOSO HUMILHOU

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Na manhã em que perdeu o emprego, Marina Oliveira ainda acreditava que a pior coisa que poderia acontecer seria voltar para casa sem dinheiro.

Estava enganada.

Antes do fim daquela noite, pisaria no fundo de uma piscina para divertir desconhecidos ricos e veria um homem ser lançado à morte diante de duzentas testemunhas.

O celular vibrou no bolso do uniforme. Era uma mensagem do hospital: a equipe precisava confirmar o pagamento da cirurgia de Rosa Oliveira.

Marina leu três vezes o valor de cento e oitenta mil reais. Seu salário na mansão Montenegro não pagaria sequer uma pequena parte, mas ela precisava começar de algum lugar.

Havia onze dias que trabalhava naquela propriedade no Morumbi. Onze dias aprendendo a caminhar em silêncio sobre mármore italiano, a não olhar diretamente para os convidados e a nunca contrariar Verônica Ferraz, a noiva do patrão.

— Você está pálida, menina — observou Teresa Nascimento, a governanta, enquanto ajeitava as flores do salão.

— Minha mãe vai precisar operar o coração. O hospital não pode esperar muito.

Teresa apertou discretamente sua mão.

— Depois da festa, conversamos. Talvez eu consiga um adiantamento.

Marina agradeceu. Era a primeira gentileza que recebia naquele lugar sem sentir que precisava pagar por ela.

Do alto da escadaria surgiu Verônica, num vestido de seda cor de vinho. Seus saltos marcavam o piso como pequenas ameaças. Ela observou a bandeja que Marina carregava e fez uma careta.

— Cuidado com essas mãos. Uma peça quebrada custa mais do que sua família ganha em um ano.

— Vou tomar cuidado, senhora.

— E pare de me chamar de senhora. Parece que está falando com uma velha.

Marina baixou os olhos. Discutir não salvaria Rosa.

No escritório, Dante Montenegro examinava relatórios de segurança.

Aos trinta e nove anos, controlava empresas de transporte, imóveis e negócios que a polícia investigava havia anos.

Tinha os ombros largos, tatuagens nos antebraços e olhos cinzentos capazes de encerrar uma conversa antes que ela começasse.

Sua cadeira elétrica preta e dourada avançou até a janela. Lá fora, funcionários montavam um palco ao lado da piscina.

Dante detestava festas. Aceitara aquela porque Verônica insistira que o noivado precisava ser celebrado diante dos investidores.

Dois anos antes, uma explosão na estrada o deixara com uma lesão medular. Desde então, o homem que assustava São Paulo aprendera a desconfiar até das próprias sombras.

— O relógio desapareceu! — gritou Verônica ao entrar no escritório.

Dante ergueu a cabeça.

— Que relógio?

— O seu, aquele de diamantes. Estava na gaveta. Só uma pessoa entrou aqui esta manhã.

Atrás dela, Marina apareceu carregando toalhas limpas. Parou ao ouvir o próprio nome.

— Foi essa garota — declarou Verônica. — Eu a vi rondando a mesa.

— Entrei para deixar as toalhas, como Teresa pediu — explicou Marina. — Não toquei em nenhuma gaveta.

Verônica abriu a bolsa da empregada, que havia mandado buscar no quarto. Entre um pente e um envelope de exames médicos, não encontrou nada. Mesmo assim, ergueu o queixo.

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— Deve ter escondido em outro lugar. Gente desesperada faz qualquer coisa.

— Eu não roubei nada!

Dante passou a mão pelo rosto. A dor nas costas o acompanhara durante toda a madrugada. O evento começaria em poucas horas, e ele não tinha paciência para escândalos.

— Você está demitida. Saia da minha casa.

Marina ficou imóvel.

— O senhor nem vai me ouvir?

— Já ouvi o suficiente.

— Não, ouviu a acusação dela. Não ouviu a verdade.

Verônica soltou uma risada curta.

— Está ensinando educação ao homem que paga seu salário?

Marina sentiu as lágrimas queimarem, mas não as deixou cair.

— Eu precisava desse emprego. Não precisava ser tratada como ladra.

Dante desviou os olhos para o relatório. Aquela indiferença doeu mais do que o insulto.

No corredor, Teresa encontrou Marina dobrando o uniforme extra dentro de uma sacola.

Tentou consolá-la, mas a jovem apenas pediu que entregasse sua última diária. Precisava correr ao hospital antes que a equipe encerrasse o expediente.

Antes de sair, Marina telefonou para Rosa. Mentiu que tudo estava bem, ouviu a mãe perguntar se havia almoçado e prometeu visitá-la naquela noite. Desligou sentindo uma culpa que não cabia no peito. Precisava parecer forte, mesmo quando não era.

A festa começou quando ela atravessava o jardim. Lustres iluminavam o salão, garçons serviam espumante e carros importados paravam diante da entrada principal. Marina ouviu seu nome ser chamado.

Verônica vinha acompanhada de duas amigas que usavam joias enormes.

— Já vai embora? Que falta de espírito esportivo.

— Fui demitida. Preciso ir ao hospital.

— Sei da sua mãe. Uma cirurgia cara, não é?

Marina apertou a alça da sacola.

— Não fale dela.

Verônica sorriu como quem acabara de encontrar a ferida certa.

— Posso pagar o tratamento inteiro. Basta fazer uma apresentação para os meus convidados.

Ela apontou para a piscina iluminada. No fundo, a quase quatro metros de profundidade, uma barra prateada fora instalada para uma exibição aquática. Um mergulhador profissional supervisionara a montagem, mas já não estava ali.

— Uma dança debaixo d'água — explicou Verônica. — Com esse uniforme. Vai ser inesquecível.

— Eu não sou uma atração de circo.

— Então vá embora. E tente encontrar um hospital particular em São Paulo que aceite tratar sua mãe depois de uma ligação minha.

Marina sentiu o estômago gelar.

— A senhora não pode fazer isso.

— Quer apostar a vida dela?

As amigas trocaram olhares. Uma delas desviou o rosto, constrangida. Nenhuma interveio.

Marina abriu a última mensagem do hospital. Havia um prazo, um valor e a lembrança da mãe sorrindo apesar da dor. Não sabia se Verônica tinha poder para cumprir a ameaça. Sabia apenas que não suportaria descobrir.

— Quanto tempo? — perguntou, quase sem voz.

— O suficiente para os convidados se divertirem.

Teresa tentou impedir a apresentação ao saber do plano. Verônica respondeu que a moça havia concordado e ameaçou demitir também a governanta. Marina pediu que Teresa não arriscasse seu sustento.

Minutos depois, a jovem entrou na água. O tecido do uniforme grudou em sua pele. Acima da superfície, taças tilintavam e pessoas apontavam celulares. Ela prendeu o ar e

Quando voltou à superfície, ouviu risadas. Verônica aplaudia com entusiasmo cruel.

— Mais uma vez! Os convidados ainda não viram direito!

Marina procurou Dante com os olhos. Ele estava próximo à borda, sentado na cadeira elétrica, conversando com um investidor. Parecia irritado com o espetáculo, mas não se aproximou.

Por um segundo, Marina imaginou arrancar o uniforme, atravessar o jardim e nunca mais voltar. Mas lembrou das mãos magras da mãe segurando as suas no hospital. A escolha que Verônica lhe oferecera não era escolha alguma.

A jovem respirou fundo e mergulhou novamente. Sob a água, tudo ficou distante: a música, as risadas, a humilhação. Por um instante, pensou apenas em Rosa, esperando por ela numa cama de hospital.

Então viu, distorcido pela superfície, Verônica inclinar a cabeça na direção de Marcelo Farias, um dos seguranças. A mulher sussurrou alguma coisa e apontou discretamente para a cadeira de Dante.

Marcelo se afastou da festa e caminhou por trás do patrão. Agachou-se junto ao mecanismo da cadeira, escondido pelas sombras dos vasos ornamentais.

Marina soltou a barra e começou a subir. Algo naquela cena estava errado. Muito errado.

Antes que alcançasse a superfície, ouviu um ruído agudo de motor.

A cadeira de Dante avançou sozinha.

E não havia ninguém entre ele e a piscina.

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