localização atual: Novela Mágica As Paredes Têm Ouvidos Capítulo 5 — A CASA PERTO DO MAR
标题上

"As Paredes Têm Ouvidos" Capítulo 5 — A CASA PERTO DO MAR

正文开头

A delegada Camila Nogueira chegou pouco depois das sete. Trazia uma pasta, olheiras e a expressão de quem passara a madrugada verificando informações. Rafael fechou a porta, depois de confirmar que os dispositivos encontrados no escritório haviam sido isolados pela perícia.

— Três números e uma cidade — disse Camila. — Pode ser parte de um endereço. Pode ser o número de uma casa. Não podemos decidir antes de conferir.

— Eu já decidi que vou a Santos — respondeu Dante.

— E eu decidi que ninguém vai avisar a pessoa que instalou microfones nesta casa. Se o senhor sair acompanhado de seis carros pretos, nossa investigação termina antes de começar.

Helena entrou com café e uma informação que não constava dos arquivos. Marina costumava visitar uma tia em Santos quando conseguia folga. A mulher morrera havia alguns anos, mas a sobrinha mantivera contato com uma vizinha chamada Dona Celeste.

— Ela dizia que perto do mar conseguia respirar — recordou Helena. — Aqui dentro, nos últimos meses, parecia que tinha medo até do próprio passo.

Dante pediu que a empregada se sentasse. Helena recusou por hábito. Ele puxou uma cadeira, e o gesto simples pareceu deixá-la mais desconcertada que qualquer pergunta.

— Eu devia ter ouvido vocês três anos atrás — disse.

— Devia, senhor Dante. Mas hoje ainda dá tempo de ouvir.

Na sala de jantar, Verônica apareceu vestida para um compromisso beneficente. Seus brincos brilhavam sob a luz da manhã. Ela perguntou onde o marido passaria o dia, usando aquele tom despreocupado que ele conhecia havia anos.

— Tenho assuntos pendentes na empresa — respondeu Dante.

— E aquela criança? Espero que a polícia finalmente encontre um lugar adequado para ela.

— O lugar adequado é onde ela esteja segura.

Verônica sorriu, mas a mão que segurava a bolsa apertou o couro com força. Dante observou sem demonstrar nada. Agora sabia que uma expressão elegante podia esconder uma ameaça.

— Você vai procurar minha mãe? — perguntou, antes que ele dissesse bom-dia.

— Vou procurar uma pista. É diferente de uma promessa de encontrá-la hoje.

Sofia pensou, muito séria.

— Minha mãe dizia que mentira bonita continua sendo mentira.

— Sua mãe tinha razão.

— Então volta mesmo se não achar nada?

Dante se agachou diante dela.

— Volto. E vou contar o que eu puder contar.

Camila organizou a viagem com dois investigadores. Dante seguiu em um veículo discreto, sem escolta ostensiva. A estrada até o litoral estava coberta por uma névoa fina. Ele passou a maior parte do percurso olhando fotografias antigas de Marina no telefone.

Em Santos, os investigadores localizaram Dona Celeste em um prédio antigo, a poucas quadras da praia. A senhora abriu a porta com desconfiança. Quando ouviu o nome de Marina, levou a mão ao peito.

— Finalmente alguém veio perguntar por ela de verdade.

Celeste guardara uma chave de um pequeno apartamento que Marina alugara por alguns meses. O imóvel ficava nos fundos de uma casa geminada, numa rua estreita. O número na fachada terminava com os três algarismos escritos no papel.

正文1

— Ela me pediu que guardasse a chave — explicou Celeste. — Disse que, se um dia aparecesse uma pessoa procurando pela menina, eu deveria ouvir primeiro o que ela tinha a dizer.

— Por que não procurou a polícia? — perguntou Camila.

— Procurei. Falaram que Marina tinha ido embora por vontade própria. Depois um homem apareceu aqui e disse que eu devia cuidar da minha vida. Eu moro sozinha, doutora.

A delegada anotou tudo, sem censurar o medo da testemunha. Dante olhou para a porta descascada do apartamento. Uma mulher sem recursos tentara construir ali um esconderijo para a filha. Ele, dono de uma mansão inteira, não percebera o que acontecia a poucos metros de seu quarto.

O apartamento cheirava a madeira úmida. Não havia móveis, apenas marcas claras nas paredes e um gancho enferrujado onde talvez tivesse ficado um calendário. No piso, um desenho infantil desbotado mostrava uma casa azul, uma mulher e uma menina de mãos dadas.

— Sofia desenhava assim? — Dante perguntou.

— Crianças desenham de muitos jeitos — respondeu Camila. — Não vamos transformar lembrança em prova.

— Ela dizia que não iria sem a filha — relatou a vizinha. — Um deles respondeu que a menina já estava sendo observada. Depois Marina entrou no carro.

Dante sentiu o sangue subir ao rosto.

— E ninguém fez nada?

Celeste sustentou o olhar dele.

— Eu tentei. O senhor tinha dinheiro, segurança e advogados. Eu tinha uma porta de madeira e medo de morrer.

Ele não encontrou resposta. Camila pediu que Celeste descrevesse os homens e o veículo, depois solicitou buscas em registros de pedágio e câmeras antigas. O tempo decorrido tornava tudo difícil, mas não impossível.

No fundo do apartamento havia um pequeno armário embutido. Uma das tábuas soava oca. O perito retirou os parafusos e encontrou, atrás da madeira, uma embalagem impermeável contendo um cartão de memória.

Dante deu um passo à frente. Camila ergueu a mão.

— Ninguém toca. Primeiro documentamos onde estava. Depois analisamos uma cópia.

Enquanto o material era lacrado, o telefone de Verônica vibrou na mansão. Na tela aparecia uma mensagem enviada por um contato salvo apenas como A.F.: “Soube que estão em Santos. Precisamos conversar.”

Ela se trancou no banheiro e ligou imediatamente para Augusto Ferraz. O empresário atendeu irritado.

— Eu avisei que aquele apartamento precisava ser esvaziado — disse ela.

— Foi esvaziado.

— Então por que a polícia está lá?

— Porque seu marido parou de ser o homem distraído que você conhecia.

Verônica olhou para o próprio reflexo. Pela primeira vez, não gostou do que viu.

— A Marina continua no mesmo lugar?

Houve uma pausa.

— Por enquanto.

— Tire-a de lá. Hoje.

— Você está me dando ordens sobre um problema que criou sozinha.

— E você recebeu por cada segredo que eu entreguei. Não finja inocência agora.

Na volta para São Paulo, Camila recebeu a primeira leitura técnica do cartão. O arquivo mais antigo tinha a voz de Marina, baixa e apressada, descrevendo conversas gravadas sem autorização. Havia também uma gravação incompleta de Verônica falando com um homem.

“Ela copiou demais”, dizia Verônica. “A menina não pode chegar perto do Dante.”

O restante estava corrompido. Dante pediu para ouvir de novo, mas Camila desligou o áudio.

— Temos uma pista séria. Não temos licença para condenar ninguém sem verificar o contexto.

— Eu conheço aquela voz.

— Conhecer uma voz não substitui o trabalho que precisamos fazer.

Quando chegou à mansão, Sofia estava acordada, esperando na escada. Dante contou que encontrara uma casa perto do mar, mas não sua mãe. A menina apertou a boneca contra o peito.

— Ela esteve lá?

— Há sinais de que sim.

Sofia assentiu, tentando ser corajosa. Dante sentou-se ao lado dela no degrau. Pela primeira vez, não teve pressa de preencher o silêncio.

Na delegacia, naquela mesma noite, um técnico recuperou os segundos finais do arquivo danificado. A voz de Verônica reapareceu, mais nítida, seguida de uma instrução que fez Camila chamar imediatamente sua equipe:

— Se descobrirem a casa de Santos, mudem a Marina antes que cheguem até ela.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部