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"Meu Marido Me Deu Um Tapa Por Sua Ex… 12 Horas Depois, Eu Desapareci Com Nossa Filha!" Capítulo 5 — O Segredo do Escritório do Meu Marido

正文开头

Eduardo Sampaio entrou na sala de Marina sem o costumeiro cumprimento. Trazia uma pasta cinza e o rosto de quem preferia entregar notícias difíceis pessoalmente.

— O portal que publicou a acusação recebeu dinheiro de uma agência contratada por uma empresa ligada ao Grupo Ferraz.

Marina afastou a xícara.

— Isso prova quem pagou a campanha?

— Prova parte do caminho. Não prova quem ordenou a matéria.

— Então não vamos confundir suspeita com conclusão.

Camila fechou a porta. Desde que Marina voltara à presidência das operações estratégicas, as reuniões começavam cedo e terminavam tarde. Mas aquela investigação tinha outra dimensão. Tocava o homem com quem Marina dividira uma casa, uma cama e a criação de Lívia.

Eduardo espalhou os documentos sobre a mesa. Havia registros societários, notas de publicidade e contratos disponíveis em processos comerciais.

— O escritório Vasconcelos Advocacia aparece em várias operações do grupo — explicou. — Não são serviços ocasionais.

Marina leu a primeira página. Ricardo sempre dissera que sua banca crescera graças ao próprio esforço. Ela nunca duvidara disso. Agora via nomes que ele omitira em todas as conversas sobre clientes importantes.

— Há quanto tempo?

— Pelo menos três anos. Algumas contratações começaram pouco depois do casamento.

A data provocou uma pontada inesperada. Marina lembrou-se da lua de mel, quando Ricardo passara duas tardes atendendo chamadas que descrevera como urgências de um pequeno empresário.

— Quero saber exatamente o que ele fez — disse. — Trabalhar para o Grupo Ferraz não é crime. Esconder conflitos relevantes pode ser outra história.

— Já solicitei pareceres externos. Só usaremos material obtido legalmente.

Camila apontou para uma planilha.

— O valor dos honorários aumentou justamente quando Verônica voltou ao Brasil.

Marina cruzou as mãos.

— Essa coincidência merece exame, não manchete.

Naquela tarde, o Grupo Albuquerque publicou uma nota curta. Negou as acusações de desvio, anunciou auditoria independente e exigiu que o portal apresentasse evidências. Marina recusou a sugestão de gravar um vídeo chorando.

— Não transformarei minha filha nem meu casamento em espetáculo para defender um balanço — declarou.

Em Campinas, Ricardo assistiu à nota pelo celular. Sua secretária entrou com uma pilha de pastas.

— Doutor, o financeiro pediu sua assinatura para renovar o contrato da Ferraz Logística.

Ele ergueu a cabeça.

— Deixe aqui.

No documento, o nome de Augusto Ferraz aparecia acima de um valor que sustentava boa parte das despesas da firma. Ricardo recordou os primeiros anos difíceis, os empréstimos, a alegria quando conquistara aquele cliente. Não pensara muito no motivo de Augusto ter escolhido um escritório tão jovem.

O telefone tocou. Verônica.

— Você precisa impedir Marina de continuar com essa investigação — disse ela, sem saudação.

— Eu não mando mais nela.

— Você é o marido dela.

— Estamos nos divorciando.

Houve silêncio.

— Não seja dramático. Ela só quer assustar você.

Ricardo olhou para a cópia da petição inicial. A assinatura de Marina era firme. Não parecia a assinatura de alguém tentando assustá-lo.

正文1

— Por que seu pai nunca me contou que sua empresa disputaria diretamente o Projeto Aurora?

— Negócios são negócios, Ricardo.

— E por que me pediu para não mencionar nossos contratos à Marina?

— Porque ela sempre foi ciumenta.

A resposta, antes suficiente, agora soava pequena. Ricardo desligou sem prometer nada.

Na mansão do Jardim Europa, Helena esperava a filha para jantar. Lívia havia colocado três bonecas em volta do prato e insistia que todas precisavam de sopa.

— A vovó também? — perguntou Marina.

— A vovó é a rainha — explicou a menina, muito séria.

Helena sorriu. Por alguns minutos, Marina conseguiu esquecer relatórios e advogados. Depois Lívia perguntou quando voltariam para a casa de Campinas.

Marina ajoelhou-se ao lado da cadeira.

— Nós vamos morar aqui por enquanto, meu amor.

— E o papai?

— O papai mora em outra casa. Vocês vão conversar com cuidado, quando estiver tudo organizado.

— Ele está bravo?

Marina respirou fundo.

— Os adultos precisam aprender a resolver seus problemas sem machucar ninguém. Você não fez nada errado.

Helena observou a conversa em silêncio. Mais tarde, quando Lívia adormeceu, abraçou a filha na cozinha.

— Você não precisa provar força o tempo inteiro.

— Se eu parar, tenho medo de desabar.

— Pode desabar aqui. Amanhã você volta a trabalhar.

Marina encostou a testa no ombro da mãe. Não chorou pelo casamento perdido. Chorou pelos anos em que confundira paciência com amor.

No dia seguinte, Gabriel Monteiro participou da reunião com a auditoria. Apresentou um mapa de riscos contratuais e pediu acesso controlado aos documentos de Projeto Aurora.

— Nosso objetivo é proteger a empresa, não perseguir pessoas — afirmou.

Marina aprovou o plano. Pediu também que os funcionários não comentassem o divórcio durante o expediente.

À tarde, Beatriz Vasconcelos telefonou. A voz da sogra veio carregada de reprovação.

— Você está destruindo a carreira do meu filho para se vingar daquela discussão.

— Não estou investigando Ricardo por ter sido meu marido. Estou verificando contratos que podem afetar minha empresa.

— Você sempre foi orgulhosa demais.

— E a senhora sempre confundiu silêncio com respeito.

Beatriz ameaçou procurar a imprensa. Marina respondeu que qualquer declaração falsa seria tratada pelos meios adequados e encerrou a chamada.

Às seis, Eduardo voltou com uma descoberta.

— Localizamos um processo arbitral antigo. Há referências a uma autorização emitida em nome de uma empresa do Grupo Albuquerque.

— Que autorização?

— Ainda não temos o documento integral. O escritório de Ricardo aparece entre os consultores jurídicos da operação.

Marina sentiu o estômago apertar.

— Peça acesso pelo procedimento correto. E verifique quem podia assinar naquela época.

Eduardo hesitou.

— Marina, há outra coisa. Um dos anexos menciona seu nome pessoalmente.

Ela ficou imóvel. Durante três anos, imaginara que abandonar a carreira significava apenas deixar de participar das decisões. Agora descobria que seu nome talvez tivesse continuado circulando em contratos que nunca vira.

Na sexta-feira, Marina encontrou o pai, Otávio, na biblioteca. Ele estava em São Paulo para uma reunião de família e não perguntou primeiro pelo dinheiro ou pela investigação.

— Você dormiu? — quis saber.

— Pouco.

— Então começa por aí. Nenhuma diretora consegue decidir bem se esquecer que é humana.

Marina sentou-se diante dele. Otávio lembrou como ela negociara seu primeiro contrato internacional, aos vinte e dois anos, enfrentando executivos que insistiam em tratá-la como filha do dono.

— Você não venceu porque era minha filha — disse. — Venceu porque estudou mais do que todos naquela sala.

Em Campinas, uma funcionária antiga da banca procurou Ricardo. Disse que Marcelo solicitara a retirada de caixas do arquivo e que o procedimento parecia fora do padrão.

— Não quero colocar meu emprego em risco — explicou.

— Não vou pedir que faça nada irregular — respondeu ele. — Apenas registre o que observou pelos canais internos.

Ricardo enviou orientação para preservar os documentos e suspender descartes. A funcionária saiu mais tranquila, mas ele permaneceu inquieto. Se o escritório guardava algo comprometedor, sua responsabilidade não desapareceria por ter preferido não enxergar.

— Traga tudo o que conseguir — disse. — Não quero suposições. Quero saber o que fizeram enquanto eu acreditava estar fora desse mundo.

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