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"Meu Marido Me Deu Um Tapa Por Sua Ex… 12 Horas Depois, Eu Desapareci Com Nossa Filha!" Capítulo 3 — Minha Rival Não Sabia Quem Eu Era

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— Você veio pedir emprego?

A voz de Verônica Ferraz ecoou pelo corredor de mármore do Grupo Albuquerque.

Marina acabara de sair de uma reunião com o departamento financeiro. Usava um conjunto azul-marinho e carregava uma pasta fina. Ao vê-la, Verônica parou diante do elevador, acompanhada por dois assessores.

— Que surpresa — continuou Verônica. — O Ricardo disse que você estava fazendo drama em São Paulo.

Marina manteve a expressão tranquila.

— Bom dia, Verônica.

— Não precisa fingir elegância comigo. Imagino que sustentar uma criança sem o dinheiro do marido seja complicado.

Um dos assessores desviou os olhos. O outro consultou o celular, visivelmente desconfortável.

Marina ajustou a pasta sob o braço.

— Você deveria se preocupar com a sua apresentação.

Verônica soltou uma risada curta.

— Querida, estou aqui para fechar um contrato bilionário. Você está aqui para quê? Entregar currículo?

— Tenho uma reunião.

— Então não se atrase. Pontualidade é importante para quem precisa de emprego.

Marina seguiu pelo corredor. Atrás dela, ouviu Verônica comentar que algumas mulheres confundiam casamento com plano de aposentadoria.

Na sala executiva, Camila já organizava os documentos. Eduardo revisava os critérios de avaliação com representantes jurídicos e técnicos.

— Ela chegou? — perguntou Marina.

— E parece muito confiante — respondeu Camila.

Marina deixou a pasta sobre a mesa.

— Confiança não substitui documentação.

A reunião não era uma licitação pública, mas uma análise privada de possíveis parceiros e fornecedores estratégicos do Projeto Aurora. Todos os participantes receberiam os mesmos critérios de integridade, capacidade financeira e execução.

Marina insistira nesse procedimento para evitar qualquer alegação de perseguição pessoal.

— A ata precisa registrar cada exigência — orientou. — Quero que a decisão seja defensável por fatos, não por sobrenomes.

Pouco depois, Verônica entrou acompanhada dos assessores. Seu sorriso desapareceu ao ver Marina sentada na cadeira central.

— Desculpem — disse, olhando ao redor. — Acho que houve um engano.

Camila levantou-se.

— Senhora Verônica Ferraz, apresento Marina Albuquerque, diretora executiva responsável pela avaliação estratégica do projeto.

O silêncio pareceu alongar o corredor inteiro.

— Albuquerque? — repetiu Verônica.

Marina abriu a apresentação.

— Podemos começar. Eu sou a presidente desta reunião.

Verônica apertou a alça da bolsa.

— Você é parente da Helena Albuquerque?

— Sou filha dela.

Um assessor deixou a caneta cair. Verônica lançou-lhe um olhar irritado antes de recuperar a compostura.

— Que coincidência extraordinária! Você nunca mencionou sua família.

— Minha vida pessoal não fazia parte das nossas conversas.

Eduardo indicou a primeira página do relatório.

— Podemos examinar a estrutura do consórcio Ferraz?

Verônica tentou recuperar o controle.

— Naturalmente. Temos experiência em operações complexas e uma rede internacional de investidores.

Durante vinte minutos, ela descreveu projeções otimistas, novos centros tecnológicos e supostas parcerias exclusivas.

Marina escutou sem interromper. Então apontou para uma tabela.

— A garantia financeira apresentada cobre apenas uma parte do compromisso anunciado. Onde está a comprovação do restante?

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Verônica folheou os papéis.

— Essa informação está sendo finalizada.

— O prazo para entrega terminou ontem.

— Podemos encaminhar depois.

— O mesmo prazo foi aplicado aos demais participantes.

Verônica forçou um sorriso.

— Certamente você pode abrir uma exceção. Nossas famílias se conhecem.

Marina ergueu os olhos.

— É justamente por isso que não farei nenhuma exceção.

Um dos técnicos pediu detalhes sobre uma empresa estrangeira incluída no consórcio. Verônica respondeu de maneira vaga, dizendo que a composição societária seria divulgada após a assinatura.

Eduardo anotou a ressalva.

— Sem identificação completa dos beneficiários, não podemos concluir a análise de integridade.

Verônica se inclinou para a frente.

— Vocês estão tentando nos excluir?

— Estamos pedindo documentos — respondeu Marina. — Se forem apresentados dentro das regras, serão avaliados.

A reunião prosseguiu. Nenhuma proposta foi aprovada naquele dia. O Grupo Ferraz recebeu uma notificação formal das pendências, como receberia qualquer outro interessado.

Quando os participantes se levantaram, Verônica pediu para falar a sós com Marina.

Camila permaneceu perto da porta, mas Marina consentiu.

— Você armou isso para me humilhar — acusou Verônica.

— Você me humilhou no corredor por iniciativa própria.

— Ricardo nunca me contou que você era rica.

— Ricardo não sabia a dimensão dos negócios da minha família.

Verônica cruzou os braços.

— Então você enganou seu marido.

Marina sentiu uma pontada de cansaço.

— Eu escondi um cargo. Não escondi outra pessoa dentro do meu casamento.

O rosto de Verônica endureceu.

— Você acha que pode comprar respeito?

— Não. Por isso não tentei comprá-lo durante três anos.

Verônica se aproximou.

— Ricardo vai ficar furioso quando souber que você está usando sua posição contra mim.

— Ele pode conversar com meu advogado. Você pode conversar com o departamento de compliance.

Marina abriu a porta.

— A reunião terminou.

Verônica saiu com passos rápidos. Dentro do elevador, ligou imediatamente para Ricardo.

— Você sabia que a Marina é herdeira do Grupo Albuquerque?

Do outro lado, houve silêncio.

— Do que você está falando?

— Ela presidiu uma reunião para nos prejudicar! Está se vingando de mim por causa daquela noite.

Ricardo estava em seu escritório em Campinas. Aproximou-se da janela.

— Marina não entende de negócios desse tamanho.

— Então abra o jornal, Ricardo!

A ligação caiu.

Ele pesquisou o nome completo da esposa. Encontrou registros de conferências internacionais, entrevistas antigas e comunicados empresariais. Uma fotografia mostrava Marina, aos vinte e três anos, negociando ao lado de executivos estrangeiros.

Outra notícia anunciava seu retorno à direção estratégica do Grupo Albuquerque.

Ricardo leu a reportagem duas vezes.

A mulher que ele chamava de desinteressada havia coordenado operações que seu escritório jamais alcançara.

Seu telefone tocou. Era Beatriz.

— Ricardo, estão dizendo que a Marina é milionária! Você sabia?

Ele não respondeu.

Lembrou-se de quantas vezes reclamara que ela gastava demais com livros. De quando dissera que seu trabalho era apenas cuidar da casa.

Lembrou-se, sobretudo, da expressão dela depois do tapa.

Não havia surpresa naquele olhar. Havia despedida.

— Preciso ir a São Paulo — disse finalmente.

— Para buscar sua esposa?

Ricardo encarou a fotografia de Marina na tela.

— Para descobrir se ainda tenho uma.

Enquanto isso, na Faria Lima, Marina recebeu a confirmação de que a análise do consórcio continuaria sob supervisão independente.

Camila colocou uma xícara de café diante dela.

— Ele já deve ter descoberto.

— Provavelmente.

— Está com medo de que venha?

Marina pensou por um instante.

— Tenho medo de muitas coisas. Mas não de dizer a verdade.

Seu celular vibrou com uma mensagem de Ricardo: “Estou indo. Precisamos conversar pessoalmente.”

Marina encaminhou o texto para André Ribeiro.

Depois voltou aos relatórios. Naquela tarde, não permitiria que o passado ocupasse a cadeira que havia acabado de recuperar.

Na hora do almoço, Marina recebeu uma fotografia de Lívia pintando com a avó. A menina segurava um pincel amarelo e tinha tinta no nariz. Marina riu sozinha, surpresa por ainda conseguir rir. Respondeu com uma mensagem de voz, prometendo chegar antes da história da noite.

Não queria trocar a prisão doméstica por uma prisão corporativa. Trabalharia com intensidade, mas construiria uma rotina em que sua filha não precisasse disputar atenção com relatórios e telefonemas. Aquela decisão, silenciosa e concreta, valia tanto quanto a cadeira na sala de reuniões.

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