"Meu Marido Me Deu Um Tapa Por Sua Ex… 12 Horas Depois, Eu Desapareci Com Nossa Filha!" Capítulo 2 — A Mulher Que Ele Nunca Conheceu
O carro preto aguardava Marina na área executiva do aeroporto de Congonhas. Ao lado dele, Helena Albuquerque permanecia imóvel, usando um casaco claro sobre o vestido escuro.
Camila correu primeiro para abraçar a antiga chefe. Helena só se aproximou quando viu a neta dormindo no colo da mãe.
— Minha menina — sussurrou.
Marina tentou sorrir. A luz do estacionamento revelou a marca avermelhada em sua bochecha.
O rosto de Helena mudou.
— Foi o Ricardo?
Marina assentiu.
A mãe estendeu a mão, mas não tocou no ferimento.
— Eu vou acabar com ele.
— Não, mãe.
— Ele levantou a mão contra você!
— E eu fui embora. Agora preciso que me ajude a continuar longe.
Helena respirou lentamente. Depois abriu a porta do carro.
— Então vamos para casa.
A mansão da família Albuquerque, no Jardim Europa, estava iluminada. Marina reconheceu o jardim de jabuticabeiras, a escada de pedra e a janela do quarto onde estudava quando adolescente.
Uma funcionária preparara o antigo quarto de Marina e um espaço para Lívia, com livros infantis e cobertores macios.
— Vovó tem uma casa enorme! — exclamou a menina ao acordar.
Helena ajoelhou-se para recebê-la.
— E tem espaço para todos os seus brinquedos, meu amor.
Quando Lívia voltou a dormir, Marina encontrou a mãe na biblioteca. Sobre a mesa havia chá, água e uma pasta de documentos.
— Não vou te pressionar a contar nada — disse Helena. — Mas preciso saber se você está ferida.
Marina mostrou o registro médico.
— Fui examinada. Amanhã quero conversar com um advogado.
Helena apertou os lábios.
— Você poderia ter voltado antes.
— Eu sei.
— Por que não voltou?
Marina olhou a fotografia de seu pai, Otávio, diante da primeira sede da empresa.
— Porque achei que, se me esforçasse o suficiente, ele voltaria a ser o homem por quem me apaixonei.
Aos vinte e três anos, Marina dirigia projetos internacionais do Grupo Albuquerque. Havia negociado contratos em Lisboa, Santiago e Buenos Aires, coordenando equipes que admiravam sua precisão.
Conhecera Ricardo numa conferência jurídica em São Paulo. Ele era inteligente, ambicioso e encantador. Não sabia que a jovem com quem conversava era herdeira do grupo patrocinador.
Marina gostara daquela ignorância. Pela primeira vez, alguém parecia interessado nela sem pensar no sobrenome Albuquerque.
Quando decidiu casar, pediu à família que preservasse sua privacidade. O grupo tinha uma estrutura societária complexa, e sua atuação internacional raramente aparecia em reportagens brasileiras.
Ricardo sabia que seus pais possuíam negócios, mas nunca perguntou a dimensão deles. Marina tampouco explicou. Depois, a rotina doméstica ocupou o espaço que antes pertencia ao trabalho.
— Eu queria que ele me amasse sem o cargo — confessou.
Helena segurou sua mão.
— Você nunca precisou diminuir quem era para merecer amor.
Na manhã seguinte, Marina acordou antes do sol. Passou alguns minutos observando Lívia dormir e telefonou para a pediatra da família, pedindo orientação para ajudá-la a atravessar a mudança.
Depois abriu o armário que Helena preservara. Escolheu uma calça de alfaiataria, camisa de seda e blazer azul-marinho.
Diante do espelho, viu uma mulher cansada, com o rosto marcado. Mas também reconheceu alguém que julgara perdida.
Camila a esperava com um tablet.
— Reunião de retorno às dez. Eduardo Sampaio estará presente. A diretoria já recebeu o comunicado.
— E o escritório?
— Ninguém ocupou a sua sala. Sua mãe insistiu nisso.
Marina engoliu a emoção.
No edifício do Grupo Albuquerque, na Avenida Faria Lima, a recepcionista levantou-se tão depressa que quase derrubou o telefone.
— Doutora Marina? Bem-vinda de volta!
Os elevadores abriram no andar executivo. Antigos colegas interromperam conversas e se aproximaram, sorrindo com surpresa.
Marina cumprimentou cada um pelo nome. Havia acompanhado suas carreiras à distância, mesmo quando dizia a Ricardo que não pensava mais em negócios.
Seu escritório estava intacto. A mesa de madeira escura, os livros de estratégia e uma planta verde perto da janela permaneciam onde os deixara.
Camila percebeu seu olhar.
— Eu cuidei dela.
— Durante três anos?
— Algumas coisas merecem esperar.
Marina abraçou a amiga rapidamente. Depois sentou-se e ligou o computador.
— Quero os relatórios financeiros dos últimos três exercícios, contratos estratégicos, processos de auditoria e riscos regulatórios.
— Todos?
— Todos. Amanhã reunimos os chefes de departamento.
Eduardo Sampaio entrou carregando duas pastas. Era um homem discreto, conhecido por desconfiar de negócios que pareciam fáceis demais.
— É bom ter você de volta, Marina.
— Me diga o que mudou.
— O grupo cresceu. Mas também assumiu riscos. Um deles é o Projeto Aurora.
Ele abriu uma apresentação sobre infraestrutura digital, logística inteligente e centros de processamento de dados. O investimento previsto chegava a seis bilhões e oitocentos milhões de reais.
Marina examinou as projeções.
— Quem são os principais concorrentes?
Eduardo hesitou.
— O Grupo Ferraz está montando um consórcio agressivo.
— Augusto Ferraz?
— Ele mesmo. A filha está liderando as negociações.
Na tela surgiu a fotografia de Verônica, sorrindo diante de um painel empresarial.
Marina permaneceu em silêncio.
Camila observou a expressão da amiga.
— É a mesma Verônica?
— Sim.
Eduardo fechou a apresentação.
— Se houver conflito pessoal, podemos designar outro executivo.
Marina endireitou a postura.
— Justamente por existir um histórico pessoal, quero um processo transparente. Nada de decisões sem registro. Nada de favorecimento.
— Entendido.
Ela examinou o calendário de reuniões.
— Convide todos os concorrentes para apresentar documentação atualizada. Inclusive o Grupo Ferraz.
Camila sorriu de leve.
— Verônica não faz ideia de quem vai encontrá-la.
Marina não sorriu.
— Isso não é uma vingança. É o meu trabalho.
À tarde, o advogado André Ribeiro ouviu o relato da agressão e recebeu os documentos médicos. Explicou os procedimentos para divórcio, guarda, convivência e proteção patrimonial.
— Quero que a Lívia continue tendo um pai, se isso puder acontecer com segurança — disse Marina. — Mas não quero voltar a ser esposa dele.
André anotou suas instruções.
Quando voltou para casa, Lívia correu para abraçá-la.
— Mamãe, você foi trabalhar igual à vovó?
— Fui, meu amor.
— Gostou?
Marina a ergueu com cuidado.
— Gostei muito.
Naquela noite, Ricardo enviou uma mensagem de um número desconhecido: “Precisamos conversar. Você não pode simplesmente desaparecer.”
Marina mostrou o texto ao advogado e não respondeu.
Minutos depois, Camila enviou a pauta da reunião seguinte. O nome de Verônica Ferraz aparecia no topo da lista de visitantes.
Marina fechou a tela.
A mulher que destruíra sua paz estava prestes a descobrir quem ela realmente era.
Antes do almoço, Helena apresentou à filha uma proposta de retorno formal, sujeita à aprovação dos órgãos competentes do grupo. Marina recusou qualquer anúncio precipitado. Queria responsabilidades claras, metas verificáveis e supervisão independente. Não desejava que alguém confundisse seu sobrenome com competência automática.
Eduardo concordou e sugeriu uma revisão dos projetos herdados da gestão anterior. A primeira tarefa seria ouvir os diretores sem lhes prometer proteção. Marina também pediu que nenhuma informação sobre Lívia fosse divulgada à imprensa. Sua filha não era símbolo de uma disputa empresarial.
Era uma criança que precisava continuar brincando, dormindo tranquila e ouvindo histórias antes de dormir.
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