"Ela Gastou Seus Últimos Reais no Natal da Filha… Sem Saber Que Um Milionário Observava Tudo!" Capítulo 4 — O Presente Que Ninguém Esperava
— Repita o que disse a Marina.
Augusto não elevou a voz. Isso tornou sua pergunta ainda mais ameaçadora.
Ricardo abriu um sorriso calculado.
— Eu disse que ela devia tomar cuidado com certas companhias. O senhor entendeu errado.
Marina encarou o homem.
— Você falou da minha filha.
— Está vendo, tio? Qualquer conversa vira acusação.
Augusto deu um passo à frente.
— Minha casa não é lugar para ameaças. Se houve alguma, vou descobrir.
Ricardo se afastou sem responder. Marina pediu que Augusto não discutisse na frente de Sofia.
No táxi, a menina permaneceu calada até o portão da mansão desaparecer.
— A moça não gostou de mim porque derramei água?
Marina sentiu o coração apertar.
— Não, filha. Ela escolheu falar de um jeito cruel. Isso não é culpa sua.
— O senhor Augusto ficou bravo.
— Porque ninguém merece ser tratado assim.
Sofia apoiou a cabeça no colo da mãe.
— Eu queria que todo mundo fosse amigo no Natal.
Naquela noite, Augusto mandou chamar Rafael Almeida, advogado da construtora e profissional em quem confiava havia anos.
— Quero uma revisão independente das contas do Instituto Helena Monteiro.
Rafael fechou o caderno de anotações.
— Independente de Ricardo?
Rafael advertiu que uma auditoria séria exigiria preservar arquivos originais. Augusto determinou cópias verificáveis, acesso restrito e registro de cada documento consultado. Não queria uma disputa de versões. Queria fatos capazes de resistir ao escrutínio de qualquer autoridade.
— Principalmente de Ricardo.
— Isso pode provocar uma guerra dentro da família.
Augusto olhou para a fotografia da esposa sobre a escrivaninha.
— Se alguém usou o nome de Helena para prejudicar crianças, essa guerra já começou.
Rafael pediu acesso aos contratos, pagamentos e relatórios de distribuição de alimentos. Augusto autorizou tudo por escrito.
No dia seguinte, Marina voltou a procurar emprego. Uma escola ofereceu entrevista, mas pediu referências recentes.
Ela sabia que o instituto seria novamente mencionado.
À tarde, Augusto telefonou para Célia e pediu permissão para conversar com Marina no restaurante.
Quando chegou, encontrou Sofia desenhando estrelas numa folha de papel pardo.
— Vim com uma proposta — disse ele.
Marina cruzou os braços, desconfiada.
— Outra diária de hotel?
— Não. Um trabalho.
Ele explicou que a construtora financiava projetos comunitários e precisava contratar profissionais com experiência em atividades infantis.
— Você conhece as famílias. Sabe organizar oficinas. Poderia participar da equipe.
Marina ouviu com atenção, mas não respondeu imediatamente.
— Quero fazer a seleção como qualquer candidata.
— Posso pedir que avaliem seu currículo.
— Sem recomendar que me escolham. Se eu conseguir, quero que seja pelo meu trabalho.
Augusto concordou.
— Você tem razão.
Marina respirou fundo.
— E preciso que investiguem o que escreveram sobre mim. Não quero carregar essa mentira para sempre.
— Já comecei a procurar respostas.
Marina passou a manhã ajudando Célia a organizar as doações de alimentos recebidas depois do Natal. Sofia separou guardanapos por cor e anunciou que um dia teria uma cozinha onde ninguém precisaria fingir que já tinha comido. Célia virou o rosto para esconder as lágrimas.
Ela ergueu os olhos, surpresa.
— O senhor acredita em mim?
— Acredito que você merece uma investigação justa. E que ninguém deve ser condenado por um relatório que não pode contestar.
A resposta era menos grandiosa do que uma promessa de vingança. Por isso mesmo, Marina conseguiu acreditar nela.
Sofia se aproximou, escondendo uma caixinha atrás das costas.
— Senhor Augusto, posso fazer uma pergunta?
— Quantas quiser.
— Você ganhou presente de Natal?
Ele sorriu tristemente.
— Ganhei alguns.
— Mas algum feito com a mão?
Augusto pensou na gravata entregue pelo motorista e nos chocolates enviados por parceiros comerciais.
— Não. Feito com a mão, não.
A menina colocou a caixa sobre a mesa. Era de papelão, decorada com recortes de revistas e um laço torto de fita vermelha.
— Então esse é seu.
Marina ficou surpresa.
— Sofia, você fez isso quando?
— Enquanto você falava com a dona Célia.
Augusto abriu a tampa cuidadosamente. Dentro havia uma estrela de papel e outra versão do desenho da casa.
Dessa vez, a árvore ocupava quase toda a folha. Três pessoas estavam sentadas à mesa, diante de pratos coloridos.
— É a gente? — perguntou Augusto.
— É. Só que agora todo mundo está comendo.
Marina levou a mão à boca.
Ao chegar em casa, Augusto colocou a estrela de papel ao lado da fotografia de Helena. Não substituiu uma lembrança pela outra. Pela primeira vez, percebeu que podia conservar o amor pela esposa e ainda abrir espaço para novas pessoas em sua vida.
Sofia apontou para o homem de cabelos grisalhos.
— Você também. Porque ninguém devia jantar sozinho no Natal.
Augusto baixou a cabeça. Durante anos, assinara cheques para festas de caridade e comprara presentes caros que não significavam nada.
Uma criança que dormira num carro acabava de lhe oferecer algo que dinheiro nenhum podia comprar.
— Eu adorei — conseguiu dizer.
— Você está chorando?
— Um pouquinho.
— Mas é choro triste?
Augusto enxugou o rosto.
— Acho que é um choro de saudade misturado com alegria.
Sofia refletiu por um instante.
— Então pode chorar. Minha mãe diz que às vezes o coração precisa.
Marina olhou para o homem, percebendo que a solidão dele não era menor apenas porque sua casa era enorme.
Augusto prometeu guardar o presente na própria escrivaninha.
Enquanto isso, na sede da construtora, Ricardo recebeu um aviso de que Rafael solicitara acesso aos arquivos financeiros do instituto.
— Meu tio autorizou? — perguntou.
— Sim. A ordem veio diretamente dele.
Ricardo desligou o telefone e foi até a sala de Beatriz.
— Precisamos agir agora.
— O que aconteceu?
— Augusto mandou auditar as contas de Helena.
Beatriz fechou lentamente a revista que lia.
— Ele nunca se interessou por aqueles números.
— Agora se interessa. Por causa daquela mulher.
Beatriz escolheu pessoalmente a lista de convidados. Queria testemunhas respeitadas, gente que repetiria a história nos corredores da construtora. Não buscava esclarecer nada. Pretendia transformar uma acusação antiga em sentença pública antes que Augusto pudesse examinar os documentos.
— Então vamos mostrar quem ela é.
Ricardo abriu uma pasta antiga. Dentro havia um relatório disciplinar com o nome de Marina e uma assinatura digitalizada.
— Esse documento ainda está no sistema — explicou. — Posso anexar uma declaração complementar.
Beatriz observou a página.
— Você tem certeza de que isso não vai se voltar contra nós?
— Se ela for desacreditada primeiro, ninguém ouvirá suas denúncias.
Na tarde seguinte, Beatriz convidou parentes e diretores para uma pequena reunião na mansão. Disse a Augusto que desejava pedir desculpas a Marina.
O convite surpreendeu o irmão.
— Espero que seja sincero.
— Quero reparar o mal-entendido.
Marina aceitou comparecer por poucos minutos, acompanhada de Sofia e Célia. A menina acreditava que finalmente poderia mostrar a árvore à senhora que a tratara mal.
Ao entrar no salão, porém, Marina percebeu que havia gente demais para um pedido de desculpas.
Ricardo permanecia perto da lareira, segurando uma pasta azul.
Beatriz pediu silêncio e se voltou para Augusto.
— Antes de qualquer reconciliação, precisamos falar sobre confiança.
Marina sentiu o estômago se contrair.
— Que história é essa?
Beatriz retirou um documento da pasta.
— Esta mulher não é a vítima que está fingindo ser.
Augusto se levantou.
— Beatriz, o que você está fazendo?
A irmã ignorou a pergunta e lançou a folha sobre a mesa, diante de todos.
— Agora todo mundo vai saber quem você realmente é, Marina Oliveira.
Sofia segurou a mão da mãe.
E Marina reconheceu, no alto da página, a mesma acusação falsa que destruíra seu emprego.
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