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"Ela Gastou Seus Últimos Reais no Natal da Filha… Sem Saber Que Um Milionário Observava Tudo!" Capítulo 3 — A Empregada Que Perdeu Tudo

正文开头

— Seu currículo é bom, Marina. Mas temos uma informação preocupante.

A diretora da creche fechou a pasta sobre a mesa. Marina reconheceu aquela expressão antes mesmo de ouvir o restante.

— Que informação?

— O Instituto Helena Monteiro registrou uma ocorrência interna. Desaparecimento de materiais e quebra de confiança.

— Eu não roubei nada.

— Não estou acusando você. Só não posso colocar nossa escola numa situação delicada.

Marina saiu da entrevista com os olhos ardendo. Era a terceira oportunidade perdida pelo mesmo motivo.

Marina recordou a última conversa com a diretora do instituto. Pedira apenas uma reunião para apresentar sua versão. Recebera uma caixa com seus pertences e a ordem de deixar o prédio. Sofia esperava no portão naquele dia, segurando um desenho que nunca chegou a entregar à mãe.

Na calçada, Sofia esperava com Dona Célia, que se oferecera para cuidar dela durante a entrevista.

— Conseguiu, mamãe?

Marina se abaixou para ajeitar o laço do vestido amarelo.

— Ainda não, meu amor. Mas a gente continua tentando.

Célia percebeu o tremor em sua voz.

— Venham almoçar comigo. Fiz feijão fresquinho.

Marina quis recusar, mas Sofia já perguntava se poderia ajudar a pôr a mesa.

No restaurante, Célia ouviu parte da história. Marina trabalhara dois anos como auxiliar de atividades infantis no instituto.

Ajudava crianças a aprender a ler, organizava oficinas e acompanhava famílias que dependiam de cestas básicas.

Certo mês, as entregas começaram a diminuir. O sistema indicava compras de alimentos que ninguém recebera.

— Perguntei pelas notas — contou Marina. — Primeiro disseram que era atraso. Depois, que eu estava criando confusão.

— E você denunciou?

— Entreguei uma cópia dos registros à dona Helena. Ela prometeu investigar.

Poucas semanas depois, Helena morreu. O novo administrador chamou Marina e apresentou uma acusação de desvio de materiais.

A primeira vez que Marina questionara as entregas, uma avó chorara diante dela. O neto precisava de leite especial, prometido pelo projeto, mas o caminhão chegara vazio. Marina anotara o nome da família num caderno e prometera buscar respostas. Nunca esqueceu a expressão daquela mulher.

— Eu pedi para ver as provas. Não mostraram nada. Só disseram que, se insistisse, chamariam a polícia.

Marina perdeu o emprego, atrasou o aluguel e foi despejada meses depois, apesar de procurar serviços temporários.

— Eu só queria que as crianças recebessem o que era delas — murmurou.

Célia colocou a mão sobre a sua.

— Você não fez nada errado em perguntar.

Naquela tarde, Augusto chegou ao restaurante com uma proposta inesperada.

— Gostaria que vocês fossem almoçar na minha casa amanhã.

Marina endireitou a postura.

— Por quê?

— Minha família vai se reunir. É uma oportunidade de conhecer Sofia melhor. E quero conversar sobre o instituto, se você aceitar.

— Sua família sabe quem eu sou?

Augusto hesitou.

— Sabe que nos conhecemos na noite de Natal.

Marina pensou na recusa da creche e no nome que continuava perseguindo sua vida.

正文1

— Não quero ser apresentada como uma mulher que o senhor encontrou na rua.

— Então vou apresentá-la pelo seu nome e pela profissão que exerceu. O resto é assunto seu.

Sofia ergueu a cabeça.

— Tem árvore de Natal na sua casa?

Augusto sorriu.

— Uma bem grande.

— Com estrela?

Antes de sair para a mansão, Marina lavou o vestido amarelo de Sofia à mão. Secou o tecido diante do ventilador e costurou uma pequena bainha solta. A filha quis usar uma fita vermelha no cabelo. Era o jeito delas de transformar uma visita difícil em ocasião especial.

— Com estrela.

— Mamãe, a gente pode ver só a estrela?

Marina aceitou, impondo uma condição: iriam por conta própria e poderiam sair quando desejassem.

Augusto concordou imediatamente.

No dia seguinte, o portão do condomínio Gramado se abriu diante do táxi. Sofia encostou o nariz no vidro.

— Mamãe, parece casa de filme!

Marina observou o jardim impecável e a fachada de vidro. Sentiu o contraste entre aquela mansão e o carro onde tinham dormido.

Um funcionário as recebeu com gentileza. No salão, uma árvore de quase quatro metros brilhava diante da escadaria.

Sofia parou, maravilhada.

— A estrela é maior que minha cabeça!

Augusto apareceu e se abaixou para ouvi-la contar quantas bolas vermelhas conseguira enxergar.

Marina percebeu que ele sorria sem esforço perto da menina.

A tranquilidade terminou quando Beatriz entrou no salão, usando um vestido elegante e joias discretas.

— Augusto, você não avisou que teríamos convidados.

— Beatriz, esta é Marina Oliveira. E esta é Sofia.

A mulher examinou as sandálias simples de Marina.

— Ah. As visitas do restaurante.

Marina estendeu a mão.

— Prazer em conhecê-la.

Beatriz demorou um segundo antes de corresponder.

Ricardo surgiu logo atrás, com uma taça na mão. Ao reconhecer Marina, perdeu o sorriso.

— Você trabalhava no instituto, não trabalhava?

Durante o trajeto, Sofia perguntou se pessoas ricas também ficavam tristes. Marina respondeu que tristeza não escolhia endereço. A menina olhou pela janela e concluiu que talvez uma casa grande servisse para esconder lágrimas maiores. Marina não soube como responder.

— Trabalhava.

— Que coincidência interessante.

Augusto notou a mudança de tom.

— Algum problema, Ricardo?

— Nenhum, tio. Só conheço o nome dela de alguns relatórios.

Durante o almoço, Sofia se esforçou para usar os talheres corretamente. Marina mantinha a mão perto da filha, pronta para ajudá-la.

Quando uma jarra de água ficou ao alcance da menina, Sofia tentou servir a mãe. O copo escorregou e a água se espalhou pela toalha.

— Desculpa! — ela exclamou.

Marina pegou um guardanapo.

— Não tem problema. Vamos limpar.

Beatriz largou os talheres com força.

— Tem gente que entra numa casa dessas e já acha que é dona de tudo.

Sofia ficou imóvel.

— Foi sem querer — disse Marina.

— Claro. Sempre é sem querer quando não se conhece o valor das coisas.

正文2

Augusto se levantou.

— Beatriz, basta.

— Estou apenas dizendo que existem maneiras de se comportar.

— E humilhar uma criança não é uma delas.

O salão mergulhou em silêncio.

Marina segurou a mão de Sofia.

— Agradeço o convite, Augusto. Mas vamos embora.

— Vocês não precisam sair.

Augusto acompanhou o táxi até a saída. Viu Marina manter a cabeça erguida apesar da humilhação. Lembrou-se de Helena enfrentando diretores arrogantes em reuniões beneficentes. Havia uma firmeza semelhante nas duas mulheres, e isso o perturbou mais do que queria admitir.

— Minha filha não precisa ficar onde não é respeitada.

Augusto olhou para a irmã.

— Quem desrespeitar essa menina não é bem-vindo na minha casa. Nem que seja da família.

Beatriz empalideceu de raiva. Sofia começou a chorar baixinho, tentando esconder o rosto na saia da mãe.

Augusto se aproximou, sem tocá-la.

— Sofia, acidentes acontecem. Você não fez nada de errado.

A menina fungou.

— Eu só queria dar água pra mamãe.

— Eu sei. E foi uma coisa bonita.

Marina decidiu ir embora mesmo assim. Precisava mostrar à filha que carinho não exigia suportar humilhações.

Enquanto Augusto chamava o táxi, Ricardo alcançou Marina perto do corredor que levava ao jardim.

— Você devia ter ficado longe do Instituto Helena — sussurrou.

Marina ergueu o rosto.

— Não tenho nada a esconder.

Ricardo inclinou a cabeça, sorrindo sem humor.

— Da próxima vez, sua filha pode pagar o preço.

Marina sentiu o sangue gelar.

Atrás deles, uma porta se abriu. Augusto apareceu no corredor.

— O que você acabou de dizer para ela, Ricardo?

Ricardo endireitou o paletó.

— Nada demais, tio. Só estávamos relembrando os velhos tempos.

Marina apertou a mão de Sofia. Pela primeira vez, compreendeu que sua demissão talvez não tivesse sido apenas uma injustiça.

Alguém ainda tinha medo do que ela sabia.

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