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"O Chefe da Máfia Se Vestiu de Papai Noel Para Uma Criança Que Não Queria Presente" Capítulo 5 — O Nome de Dante na Ordem

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Dante ampliou a imagem no celular até o galão de combustível ocupar toda a tela.

O vídeo mostrava Marcelo entrando no depósito às duas e treze da madrugada. Minutos depois, ele saía pelo portão lateral e seguia na direção do Morro da Esperança.

“Onde ele está agora?”, Dante perguntou.

Rafael consultou a equipe.

“O carro voltou para o escritório central há vinte minutos.”

Joana tomou o celular das mãos de Dante.

“Isso não prova que ele incendiou nada.”

“Ainda não houve incêndio.”

“Então por que trouxe combustível?”

Dante olhou para a cozinha comunitária, para os arquivos salvos da demolição e para o caderno de Paulo.

“Porque há alguma coisa aqui que ele precisa destruir.”

Ele ordenou que dois homens vigiassem a cozinha e que ninguém entrasse sem autorização de Joana. Depois exigiu todos os registros financeiros do projeto.

O conselho do Grupo Montenegro reuniu-se por videoconferência. Na tela do notebook, executivos de terno falavam de perdas, investidores e contratos.

Nenhum mencionou as famílias.

“A suspensão precisa ser revogada antes da abertura do mercado”, declarou um conselheiro. “Sua aparição vestido de Papai Noel já virou motivo de piada.”

Dante ainda usava o casaco vermelho sujo de lama.

“Quarenta e duas famílias foram removidas com contratos falsos.”

“Isso será investigado internamente.”

“Não. Será investigado pela polícia e pelo Ministério Público.”

O diretor financeiro empalideceu.

“Você pretende entregar documentos do grupo?”

“Pretendo descobrir quem roubou debaixo do meu nome.”

“Sua assinatura está na ordem.”

Dante ficou em silêncio.

Joana, que ouvia perto da porta, esperou que ele buscasse uma desculpa.

“Eu assinei”, disse por fim. “Não li os anexos. Isso não me torna inocente.”

Os conselheiros começaram a falar ao mesmo tempo.

Dante fechou o computador.

“A reunião acabou.”

Joana cruzou os braços.

“Admitir para homens pagos por você é fácil.”

“O que quer que eu faça?”

“Diga para as pessoas que perderam tudo.”

No pátio da escola, Dante ficou diante dos moradores sem microfone nem assessores. A fantasia rasgada parecia ridícula, mas ele não a retirou.

“A ordem de demolição tem minha assinatura”, começou.

O murmúrio cresceu.

“Eu não sabia que os contratos eram falsos. Também não procurei saber. Assinei um relatório porque confiei em pessoas que trabalhavam para mim.”

Um homem gritou que ignorância não reconstruía parede.

“Não reconstrói”, Dante respondeu. “Por isso os custos serão meus, mesmo que a fraude ainda não esteja provada.”

Marcelo apareceu no portão da escola acompanhado por jornalistas.

“Escutem bem”, disse. “Ele tenta transformar uma decisão empresarial em crime porque se deixou manipular por uma mulher.”

As câmeras apontaram para Joana.

“Quanto ela pediu, Dante?”

Joana avançou antes que alguém a defendesse.

“Peça ao seu motorista para abrir o porta-malas.”

Marcelo perdeu o sorriso.

“O que disse?”

“Você entrou num depósito com combustível. Se não tem nada a esconder, abra o carro.”

Marcelo afirmou que aquilo era difamação. Dante ordenou que Rafael preservasse as gravações e impedisse a saída do veículo até a chegada da polícia.

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Os jornalistas correram até o SUV.

Marcelo aproximou-se de Joana.

“Seu marido também gostava de fazer acusações sem entender o perigo.”

Dante segurou o braço dele.

“Repita.”

Marcelo encarou a mão sobre seu paletó.

“Solte-me.”

“O que sabe sobre a morte de Paulo?”

“O que está no relatório. Ele ignorou o protocolo.”

Joana ficou pálida, mas manteve a voz firme.

“Você estava na obra naquele dia?”

Marcelo não respondeu.

As sirenes se aproximaram. Ele se afastou, acompanhado pelos advogados, e avisou que processaria todos.

No porta-malas, a polícia encontrou apenas uma caixa vazia. O galão não estava mais ali.

Marcelo havia previsto a busca.

À tarde, Joana recebeu uma ligação do restaurante onde fazia turnos extras. A gerente informou que seus serviços não seriam mais necessários.

“Os clientes viram seu nome na televisão”, explicou. “Não queremos confusão.”

Joana desligou sem chorar. Pegou uma folha e começou a calcular quanto ainda tinha para comida, transporte e remédios da mãe.

Dante viu os números.

“Quanto você perdeu?”

“Não é problema seu.”

“Perdeu o emprego por me enfrentar.”

“Perdi porque gente pobre sempre paga primeiro.”

Ele retirou o talão de cheques do bolso. Joana arrancou a folha antes que ele escrevesse e rasgou em quatro pedaços.

“Não faça isso de novo.”

“Você precisa sustentar sua filha.”

“Preciso de trabalho, não de dono.”

Joana recolheu os pedaços do cheque e colocou-os na palma de Dante.

“Se quer ajudar, compre comida da cooperativa quando ela voltar a funcionar. Pague o preço justo. Não compre minha gratidão.”

Dante fechou os dedos sobre o papel rasgado.

“Quanto a cozinha produzia?”

“Duzentas marmitas por dia. Metade era vendida. A outra metade ia para idosos e famílias sem renda.”

“Então não era caridade.”

“Era trabalho. Essa é a diferença que gente rica sempre esquece.”

Naquela tarde, Joana reuniu as cozinheiras sob a lona. Em vez de esperar reconstrução, dividiu os fogareiros e retomou as encomendas canceladas. Precisavam de renda imediatamente.

Dante assistiu enquanto elas calculavam custos num caderno escolar. Faltavam panelas, gás e uma geladeira.

Ele se aproximou sem talão de cheques.

“O refeitório do Instituto serve trezentas refeições por dia. Posso contratar a cooperativa por seis meses, com pagamento antecipado de vinte por cento.”

Joana leu a proposta que ele escreveu à mão.

“Sem exclusividade?”

“Sem exclusividade.”

“Sem usar nossas fotos em propaganda?”

“Sem propaganda.”

“E a escolha do cardápio é nossa.”

“Desde que Rafael pare de reclamar da pimenta.”

O chefe da segurança ergueu as mãos.

“Nunca reclamei.”

Dona Nena assinou como representante da cooperativa. Joana não agradeceu a Dante; apertou sua mão como parceira de contrato.

Aquilo significou mais para ele do que gratidão.

Horas depois, a auditoria encontrou outra irregularidade. As empresas fantasmas haviam emitido notas por cestas básicas, brinquedos e material escolar.

Os mesmos produtos apareciam agora no evento natalino do Instituto Montenegro.

Marcelo não apenas roubara as indenizações. Usara dinheiro destinado aos moradores para comprar os presentes que Dante distribuiria diante das câmeras.

Clara ouviu a explicação e apontou para a casa de bonecas recusada.

“Então aquele presente já era nosso?”

Dante demorou a responder.

“Era.”

“Você não deu nada.”

“Não.”

“Só devolveu.”

Joana viu a compreensão atravessar o rosto dele. Pela primeira vez, Dante Montenegro percebia que até sua generosidade fora construída sobre algo tomado de outra pessoa.

Clara observava da porta, abraçada ao coelho.

“Mamãe, você está brava com o Papai Noel?”

“Ele não é Papai Noel.”

Dante guardou o talão.

“Sua mãe está certa.”

Naquela noite, ele convocou uma coletiva diante das ruínas. Não culpou apenas Marcelo. Mostrou a ordem com sua própria assinatura.

“Eu autorizei uma obra sem olhar quem seria esmagado por ela. A fraude será investigada, mas a responsabilidade pelo poder que entreguei é minha.”

As ações do grupo começaram a cair durante a transmissão internacional.

Dante não interrompeu.

Depois, Rafael trouxe a primeira auditoria. Dezoito milhões de reais haviam saído das contas do projeto como indenizações.

Nenhum morador recebera o dinheiro.

Os valores terminaram em seis empresas fantasmas. Uma delas fora aberta usando o CPF de Paulo Alves três meses depois de sua morte.

Joana encarou o documento.

No rodapé havia uma autorização eletrônica.

Joana segurou a folha com as duas mãos. A fraude deixara de ser apenas um roubo contra a comunidade. Alguém estivera dentro do centro do poder de Dante, usando sua identidade enquanto ele permanecia cercado por pessoas que chamava de leais.

O acesso fora feito com a senha pessoal de Dante.

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