localização atual: Novela Mágica O Chefe da Máfia Se Vestiu de Papai Noel Para Uma Criança Que Não Queria Presente Capítulo 4 — A Máquina Que Voltou na Manhã de Natal
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"O Chefe da Máfia Se Vestiu de Papai Noel Para Uma Criança Que Não Queria Presente" Capítulo 4 — A Máquina Que Voltou na Manhã de Natal

正文开头

O ronco dos motores acordou Clara às seis e quinze da manhã.

Ela levantou do colchão na escola, ainda abraçada ao coelho Alfredo, e correu até a janela.

Três escavadeiras amarelas subiam a rua.

“Mamãe, as máquinas voltaram.”

Joana despertou de uma vez.

No pátio, famílias saíam às pressas. Alguns homens vestiam a primeira roupa que encontravam. Mulheres recolhiam documentos e chamavam as crianças.

Marcelo Valença esperava diante das escavadeiras com dois advogados e uma fileira de seguranças particulares.

“A suspensão dada ontem não possui validade contratual”, anunciou por um megafone. “A área deve estar livre até as sete horas.”

Joana deixou Clara com Dona Célia e caminhou até ele.

“Dante mandou parar.”

“Dante estava fantasiado e cercado por câmeras. Hoje tratamos de negócios.”

“Hoje é Natal.”

Marcelo olhou para o relógio.

“O cronograma não comemora feriados.”

Ele fez sinal ao primeiro operador.

A escavadeira avançou em direção ao que restava da cozinha comunitária. Joana entrou na frente da máquina.

“Saia daí”, Marcelo ordenou.

“Não.”

Outros moradores se posicionaram ao lado dela.

O operador hesitou. Marcelo subiu no estribo e falou algo pela janela. O motor acelerou.

Dona Célia gritou para a filha sair.

Joana permaneceu imóvel, embora as pernas tremessem.

A pá metálica aproximou-se.

Um carro preto atravessou a rua e freou entre a escavadeira e os moradores.

Dante desceu antes que Rafael abrisse a porta. Usava calça preta, botas enlameadas e o casaco vermelho de Papai Noel sobre a camisa.

Ele caminhou diretamente até a máquina, subiu no estribo e arrancou a chave da ignição.

O motor morreu.

Marcelo avançou.

“Você perdeu a cabeça?”

Dante saltou para o chão e entregou a chave a Joana.

“Se quiser derrubar esta comunidade, vai ter que passar por cima de mim.”

Os celulares dos moradores se ergueram. A frase começou a ser transmitida ao vivo antes que Marcelo pudesse impedir.

“Este projeto vale mais de um bilhão de reais”, ele disse entre os dentes. “Você vai destruir o grupo por causa de uma cozinheira e quarenta barracos?”

Joana deu um passo adiante.

“São quarenta e duas famílias.”

Marcelo a ignorou.

“Dante, pense no que está fazendo.”

“Estou pensando pela primeira vez desde que assinei seus relatórios.”

Dante ordenou a Rafael que retirasse os operadores e isolasse as máquinas. Os seguranças de Marcelo levaram as mãos aos paletós.

Rafael e seus homens responderam ao movimento.

Por alguns segundos, o Natal amanheceu diante de duas fileiras de homens armados.

Clara escapou da mão da avó e correu para Dante.

“Não briga.”

Ele se abaixou e a colocou atrás de si.

“Ninguém vai brigar.”

Depois encarou Marcelo.

“Mande seus homens embora.”

Marcelo cedeu. As armas permaneceram escondidas, mas o ódio ficou visível.

Os moradores aplaudiram quando as escavadeiras recuaram. Joana não aplaudiu. Segurava a chave pesada e observava Dante.

“Por quanto tempo?”

“Até a investigação terminar.”

“E se a investigação disser que tudo é legal?”

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“Eu não acredito mais nos documentos.”

“Mas acreditou quando assinou.”

Dante recebeu o golpe sem se defender.

“Sim.”

Marcelo abriu uma pasta e retirou a ordem final de demolição.

“Não permita que uma mulher desesperada reescreva os fatos.”

Ele mostrou a assinatura digital de Dante, acompanhada por certificado, data e autenticação interna.

“Você aprovou cada etapa.”

Dante pegou o documento.

“Com base em laudos que você preparou.”

“Com base em números que você não se deu ao trabalho de ler.”

O comentário atingiu o ponto exato.

Joana percebeu. Marcelo não tentava apenas esconder a fraude. Queria obrigar Dante a admitir que a própria indiferença tornara tudo possível.

Dona Célia trouxe o caderno de Paulo.

“Meu genro leu os números.”

Marcelo reconheceu a capa azul. A cor sumiu de seu rosto.

“Onde encontraram isso?”

“Por que está com medo de um caderno velho?”, Joana perguntou.

“Não estou.”

Ele estendeu a mão.

“Esse material pertence à empresa.”

Joana apertou o caderno contra o peito.

“Pertencia ao meu marido.”

Dante colocou-se entre os dois.

“Você não toca nela.”

Marcelo soltou uma risada curta.

“Agora virou protetor da comunidade?”

“Agora comecei a prestar atenção.”

Marcelo entrou no SUV e foi embora. Antes de fechar a porta, lançou um último olhar para o caderno.

Dante pediu que Rafael fotografasse cada página. As anotações revelavam pagamentos duplicados, empresas terceirizadas com endereços inexistentes e inspeções assinadas depois da morte de Paulo.

Uma linha aparecia repetidamente ao lado dos lotes do Morro da Esperança:

TÍTULO COLETIVO — VENDA IMPOSSÍVEL.

Joana apontou para a frase.

“O que significa?”

Dante chamou uma advogada independente. Ela explicou que parte da área poderia pertencer a uma antiga associação comunitária. Se o título ainda existisse, nenhuma venda individual seria válida.

Dona Célia sentou-se lentamente.

“Eu conheço esse documento.”

Todos se voltaram para ela.

“O padre guardava uma cópia. Paulo encontrou o original antes de morrer.”

“Onde está?”, Joana perguntou.

A idosa olhou para as ruínas da comunidade.

“Ele escondeu.”

O celular de Dante tocou. Era o diretor financeiro do grupo.

“Temos um problema”, disse o homem. “A imprensa divulgou a suspensão. Os bancos querem explicações e o conselho convocou uma reunião de emergência.”

“Que esperem.”

“Dante, há mais uma coisa. Marcelo enviou a ordem assinada para todos os jornais. Estão dizendo que você tenta culpar um funcionário por uma decisão sua.”

Dante olhou para as famílias diante das casas destruídas.

“A assinatura é minha.”

Joana o encarou.

Ele não desviou.

“Então a responsabilidade também é.”

O diretor financeiro tentou argumentar que uma confissão pública abriria caminho para milhares de processos.

“Talvez seja melhor atribuir tudo a uma falha operacional”, sugeriu pelo telefone. “Podemos indenizar discretamente algumas famílias.”

Dante colocou a chamada no viva-voz.

“Algumas?” Joana repetiu.

O homem hesitou ao perceber que ela escutava.

“Senhor Montenegro, não sabemos se todas as reivindicações são legítimas.”

Dona Célia levantou a bengala para as casas quebradas.

“Venha dormir aqui e descubra.”

Dante dispensou a proposta.

“Prepare a lista completa dos pagamentos, empresas terceirizadas e contas que receberam recursos. Não apague uma vírgula.”

“O conselho pode afastá-lo.”

“Então convoque o conselho.”

Ele desligou.

Joana percebeu que os moradores o observavam com uma esperança perigosa. Muitos já haviam sido abandonados por políticos, empresas e promessas de televisão.

“Não façam dele herói ainda”, advertiu. “A máquina parou hoje. Nossas casas continuam no chão.”

Dante não se ofendeu.

“Ela está certa.”

Clara, porém, pegou o gorro vermelho que ele deixara sobre o capô e colocou novamente em sua cabeça.

“Papai Noel precisa terminar o trabalho.”

“Eu não sou Papai Noel.”

“Eu sei.”

“Então por que insiste?”

Clara ajeitou a ponta branca do gorro.

“Porque ele também trabalha na noite em que todo mundo quer ir para casa.”

Dante ficou sem resposta.

Joana levou a filha de volta para junto da avó. Antes de sair, deixou a chave da escavadeira na mão de Dante.

“Não quero guardar o símbolo da sua promessa. Quero ver o que fará quando não houver criança nem câmera olhando.”

Ele fechou os dedos sobre a chave.

“Você vai ver.”

Naquele momento, Rafael recebeu uma mensagem e mostrou a tela a Dante.

As câmeras de segurança do depósito central haviam registrado Marcelo entrando sozinho durante a madrugada.

Ele carregava um galão de combustível.

No vídeo seguinte, o carro dele seguia em direção ao Morro da Esperança.

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