标题上

"“Não Beba!” A Menina Que Fez o Mafioso Ouvir a Verdade" Capítulo 3

正文开头

A GARRAFA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR

Lorenzo olhou outra vez para Mia adormecida.

A menina não sabia o nome de uma clínica, não sabia ler uma encomenda. Lembrava de uma lua amarela. Era só isso. Ainda assim, aquele detalhe levou Lorenzo de volta ao escritório antes que Helena terminasse de lhe desejar boa noite.

Alessandro estava perto da mesa, conferindo uma lista com Beatrice.

"O fornecedor dos seus produtos usa uma lua amarela na embalagem?"

O médico parou de escrever.

Lorenzo percebeu a interrupção.

"Usa ou não?"

"Usa. É o mesmo centro de onde Serena comprou o preparado."

Serena se levantou do sofá.

"Você conhece a clínica?"

"Conheço. Eles fornecem produtos a alguns consultórios particulares."

Lorenzo puxou a cadeira em frente ao médico.

"Quando pretendia mencionar isso?"

Alessandro pousou a caneta.

"Eu estava conferindo os pedidos para saber se havia relação entre os produtos. Não deveria ter esperado."

Beatrice recuou um passo. Lorenzo não precisou olhar para ela para saber que também estava perdendo a paciência.

"Há mais alguma coisa?", ele perguntou.

O médico passou a mão sobre a boca.

"Suspendi minhas encomendas seis semanas atrás. Dois pacientes tiveram reações inesperadas. Solicitei uma avaliação externa e comuniquei minhas suspeitas ao fornecedor."

Serena levou a mão à borda do sofá, como se precisasse se apoiar.

"E continuou tratando Lorenzo sem perguntar de onde poderiam estar vindo os sintomas dele?"

"Eu não sabia que ele consumia o preparado. O produto que usei tinha outra composição, outro lote. Isso não diminui meu erro. Eu deveria ter reavaliado tudo, em vez de presumir que conhecia a rotina dele."

Lorenzo sentiu a raiva subir devagar.

Queria uma resposta que lhe permitisse agir. Um nome. Uma intenção clara. Estava habituado a reconhecer ameaças e afastá-las. Aquela sequência de decisões tomadas por pessoas próximas não lhe oferecia um alvo simples.

"Você suspeita do conteúdo do frasco vermelho?"

"Agora, sim. Mas precisamos esperar a análise."

"E o azul?"

"Também será analisado. Não estou pedindo que confie na minha palavra."

Lorenzo encarou as mãos do médico. As mesmas mãos que lhe haviam tratado o braço quebrado aos treze anos. A lembrança não o acalmou.

"Vou dormir algumas horas", disse. "Marco ficará com os contatos. Não esconda mais nada porque ainda está conferindo."

Alessandro assentiu.

Na escada, Beatrice o alcançou.

"Quer que eu fique?"

"Você já está aqui."

"Perguntei se quer."

Lorenzo parou no degrau.

A irmã tinha dois filhos esperando em casa e uma paciência que, ao longo dos anos, ele aprendera a tomar como certa.

"Quero", respondeu.

Ela tocou seu braço, apenas uma vez.

"Então eu fico."

Ele dormiu pouco. Quando acordou, a luz do fim da manhã entrava pelas cortinas, e seu telefone continha mensagens demais.

Ignorou os comentários sobre a festa. Respondeu apenas a Marco e desceu.

Do lado de fora, Mia ajudava um jardineiro a regar as flores, sob os olhos de Helena. O regador parecia pesado demais para ela. Metade da água escorria sobre o próprio sapato.

正文1

Lorenzo parou junto à janela.

"Ela pediu para esperar você acordar", Beatrice disse, atrás dele. "Queria saber se estava bravo."

Ele continuou olhando a menina.

"Vou falar com ela depois da reunião."

"Não deixe para depois do almoço também."

Lorenzo se virou, pronto para responder que sabia organizar o próprio dia.

Beatrice ergueu uma sobrancelha.

Ele desistiu.

No escritório, Serena havia trocado o vestido por calça clara e um suéter azul. Mantinha o cabelo preso de qualquer jeito. Lorenzo se lembrou de uma manhã, anos antes, em que ela viera mostrar um projeto da faculdade e espalhara folhas pela mesa, obrigando-o a afastar o café.

Não pensava nela daquela forma havia muito tempo.

Alessandro entrou acompanhado de uma médica do serviço independente. Ela apresentou o que já podiam concluir e o que ainda precisaria ser confirmado.

O frasco azul correspondia ao produto declarado. A amostra da bebida preservada continha a preparação do frasco vermelho. E esse preparado apresentava uma substância não informada na composição, em quantidade incompatível com o produto descrito.

Serena ficou muito quieta.

"Isso explica a audição?", Lorenzo perguntou.

"Pode estar relacionado aos seus sintomas", a médica respondeu. "Precisamos avaliar o quadro completo e acompanhar a evolução. Interromper a exposição é importante. Prometer recuperação agora seria precipitado."

Ele apertou as mãos sobre os joelhos.

"Entendi."

Ela detalhou os próximos passos sem transformar a sala numa aula. Lorenzo fez as perguntas que precisava fazer. Pela primeira vez em meses, não minimizou o zumbido, nem a dificuldade de acompanhar conversas quando várias pessoas falavam juntas.

Serena olhou para ele nesse momento.

Ele não soube se ela já percebera a extensão daquilo.

Quando a médica saiu, Serena se aproximou da mesa.

"Eu guardei a caixa. Está no meu apartamento. Minha assistente vai trazê-la com os comprovantes."

"Obrigada", Beatrice disse, antes que Lorenzo respondesse.

Serena assentiu para ela, mas continuou olhando para ele.

"Se eu soubesse que havia qualquer risco..."

Parou. Respirou fundo e recomeçou, sem tentar concluir aquela justificativa.

"Eu deveria ter perguntado antes de dar qualquer coisa a você."

Lorenzo assentiu uma vez.

Não era perdão. Era a primeira frase dela que não tentava explicar sua escolha pelo comportamento dele.

Marco entrou pouco depois com o telefone na mão.

"A clínica respondeu. Querem falar com você por vídeo."

Lorenzo se sentou diante do computador.

A diretora parecia cansada e desconfortável. Confirmou a autenticidade do pedido de Serena, pediu as fotografias do frasco e solicitou o número do lote.

Quando Marco o leu, ela se afastou da tela para falar com alguém.

Lorenzo esperou, os olhos fixos no espaço vazio da cadeira.

Serena ficou de pé ao lado da janela. Alessandro se aproximou para ouvir melhor.

A diretora voltou.

"Precisamos verificar uma divergência. O produto enviado originalmente para a senhora Romano pertencia a outro lote."

"Recebi esse", Serena respondeu. "Não comprei outro."

"A senhora ainda tem o pacote?"

"Está a caminho."

Marco mostrou na câmera a fotografia que a assistente acabara de enviar.

A diretora pediu mais alguns instantes.

Lorenzo percebeu que Serena prendia a respiração. Ele próprio fazia o mesmo.

Finalmente, a mulher se voltou para a tela.

"O lote 618 foi recolhido antes da distribuição regular. O registro de descarte consta como concluído."

Lorenzo olhou para o saquinho transparente sobre a mesa.

Dentro dele, o frasco vermelho capturava a luz da janela.

"Está dizendo que essa garrafa deveria ter sido destruída?"

"Sim, senhor Duca."

Serena se aproximou da cadeira.

"Então como ela foi parar na minha casa?"

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部